Sem nenhuma alteração, conforme anunciado pela presidente Dilma, foi sancionada a lei de cotas nas universidades públicas federais. As vagas serão reservadas para todos os alunos da rede pública, sendo que 50% com recorte étnico-social (negros e índios). Uma lei que há anos estava no congresso nacional.
Não conformada com a derrota no Supremo Tribunal Federal, onde as leis de cotas foram dadas como constitucionais, a burguesia sempre bem informada e organizada tratou de sair às ruas para mostrar sua inconformidade contra lei. Os motivos para tanto protesto foram os mesmos de dez anos: igualdade, uma educação de qualidade e meritocracia. As universidades brasileiras esquecem ou fazem de esquecidas sobre um ponto muito importante: na formação de futuros formadores de opiniões e o trabalho com a cidadania, porque ter um diploma não é tudo. Ele pode abrir ou fechar as portas, caso o graduado não fizer jus ao diploma.
A burguesia tem alto poder de influência e tudo o que for dito por ela pode ter um efeito em toda sociedade, e infelizmente a população refém de informações pega carona nessa onda e repete o mesmo discurso das classes dominantes. As mesmas que quando prevêem que seus privilégios serão repartidos saem às ruas para poder garantir seu status dominante, e o povo mal informado segue os mesmos passos achando que este grupo social tem toda razão.
Não podemos conviver numa sociedade igualitária, onde os próprios excluídos continuam sem saber quais são os seus direitos. O pior de tudo é quando eles caem na armadilha de certos formadores de opiniões, que aproveitam a desinformação dessas pessoas para promover os piores tipos de mentiras para que eles mesmos (o povo) não sejam beneficiados.
Mesmo com os ótimos resultados que os alunos cotistas e prounistas vêm demonstrando nas universidades, a burguesia chora não conformada em dividir os mesmos espaços com aqueles que um dia não sonhavam entrar em uma universidade. A mesma academia brasileira que foi criada para atender os bastardos nunca se voltou para o povo, sempre ficou no domínio das elites. Precisamos exigir a educação dos nossos governantes, mas sabemos também que nada se resolverá em menos de 30 anos. Ou seja, serão três gerações comprometidas. Devemos aproveitar o momento para começarmos a trabalhar uma educação melhor, e por fim não haver mais cotas. Lembre-se: as cotas nunca serão eternas. Futuramente não precisaremos mais delas.
O pior de tudo isso é o falso argumento por trás de todo esse manifesto. A Velha Mídia Burguesa Brasileira (VMBB), como sempre convoca seus mais influentes intelectuais para dizer que todo arranjo é um complô do governo para instaurar as lutas entre classes e etnias. Pura mentira. A luta por uma sociedade mais justa não é de agora, e não terminará por aqui. Será longa, muito longa.
É estranho como nosso país parece não querer viver numa diversidade cultural. As cotas abrem um leque para vários assuntos pertinentes em nossa sociedade, e simplesmente evitamos falar para não ficar mal perante a sociedade. Certa jornalista muito conhecida, de um periódico de grande circulação, foi muito criticada até pelos seus colegas de redação por se posicionar a favor das cotas. Mas ela se manteve firme na sua posição.
A luta de palavras não terminará por aqui. Viva a democracia que proporciona o debate.
Em sua visão vanguardista, o abolicionista Joaquim Nabuco dizia uma frase ainda muito atual:
“(…) acabar com a escravidão não nos basta; é preciso destruir a obra da escravidão”.
Nossas mentes parecem não libertas da obra de domínio do ser humano sobre o outro, um tipo de escravidão muito ativa. O poder quando mal usado torna-se perverso, e quando os mais humildes de pensamento não percebem o perigo se tornam uma presa muito fácil de dominar.
Numa palestra na USP, a filósofa Marilena Chauí definiu o medo da classe média que um dia pode ser tornar parte do proletário. E, ao contrário, os proletários podem ocupar os mesmos espaços até então dominados pela classe média. E a única forma de impedir esse avanço será através da ideologia, ou, em outras palavras, pela dominação.
Como a palavra diz, a classe média vive no meio termo e seria incômodo para ela dividir o bolo com aqueles que querem conquistar o seu direito de igualdade. E para que se torne realidade, a população periférica precisará contra atacar com uma arma que a classe média tem domínio: a informação.
Se todos pensarmos pelo senso comum, as cotas universitárias nunca passariam pelo STF. Foi uma luta de várias forças de uma sociedade sedenta de justiça.
(*) Fábio Nogueira é militante da Educafro e estudante de História da Universidade Castelo Branco. e-mail fabionogueira95@yahoo.com.br

Prezado Mário,
Um dos argumentos apresentados contra a instituição das cotas afirma que, dado que o ensino público é deficitário, o nível das Universidades públicas cairia. O que vc acha disso?
Desculpe errei seu nome Fábio. Por oportuno, diga-me quem foi a jornalista que apoiou as cotas e foi criticada por seus colegas. Um abraço.
Prefiro guarda o nome. Mas, se voce for uma pessoa Bem Informada sabera quem é.
Não acho que faculdades devam ser utilizadas para (tentar) se fazer política social. A função dele é, num campo abstrato, gerar conhecimento e, consequentemente, fazer com que a sociedade evolua.
E mesmo com essa função, para a geração de riqueza individual (pessoas saírem da pobreza ou até mesmo enriquecer), ter um diploma de curso superior é absolutamente dispensável.
Empreender a partir de um ofício qualquer pode ser melhor do que se iludir com um diploma. É que o mercado, principalmente nas profissões que exigem curso superior, envolve diversa outras questões, é ilusão crer que um diploma de uma Pública vá garantir alguma coisa a alguém.
Na prática, eu acho que nada muda. Até pelo contrário, pode ser (falo no achismo) que a classe média branca se distancie das públicas e comesse a estudar no exterior, dai, se isso acontecer, a faculdade pública vai ficar absolutamente marginalizada – imagine competir com um aluno que, sob os olhos preconceituosos (e isso não mudará) do empregador, teve bom ensino de base e estudou fora.
Por esse singelo comentário, acho que a política de cotas é unicamente eleitoreira.
André,os olhos do preconceituoso nunca mudará caso ele(a) não admita ser preconceituoso. A universidade brasileira nunca foi feita para o povo em geral,isso acontece desde da época do Brasil colonia. As cotas,caso seja contra ou favor abriu um precedente para falarmos de outros assuntos e também abalou as estruturas da classe média.
Não espero que a classe média goste nós,não estou pedindo isso e nem quero,somente queremos o nosso espaço que cabe a todos.
As elites brasileiras são complexadas mesmo nunca gostou de dividir o bolo da igualdade com ninguem mesmo e ademais tentam nos envenenar com suas ideologias baratas e falsa é o único jeito de deter a classe operária é o discurso ideologico mesmo. Infelizmente como disse no texto os mal informados caem nesse papo ridicúlo e eles (o povo mal informado),aceita as palavras achando o sabichão e ão sabe que está sendo manipulado por esses falsos formadores de opinioes.
Quanto as cotas,essa luta não de hoje são de longas datas,não necessariamente com cotas,mas,de alguma maneira com algum tipo de indenização.Isso é dever do ESTADO nacional e as cotas são a primeira respostas para as reparaçoes.
Não queremos nada de ninguem,somente queremos nossos direitos de igualdade como qualquer outro.
grato!!
Gosto de debater.
Não tenho opinião formada sobre as cotas raciais, mas não se pode negar que elas contribuem para diminuir a desigualdade sem, contudo, baixar o nível das universidades.
“Não podemos conviver numa sociedade igualitária,onde os próprios excluídos continuam sem saber quais são seus direitos.” (retirado do texto) .
Quero de antemão parabenizar o colega Fabio Nogueira , por seu texto crítico que traz para nós o grito dos inconformados ,face a realidade que encontramos em nosso sistema educacional brasileiro. Certamente avanços foram dados, mas ainda timidamente ,há muito o que fazer , mas ao meu ver, nós como agentes dessa sociedade que foi excluída durante anos , tem agora face as políticas afirmativas de inclusão(cotas) , a oportunidade de nos firmarmos como agentes participativos desse processo democrático. Entendemos que só existirá uma sociedade igualitária, quando aquilo que é igual para o rico também terá que ser igual para o pobre, que as mesmas oportunidades terão que atingir a todos. Se quisermos empunhar o “slogan”, verdadeiro de nosso governo , que diz : ” BRASIL PARA TODOS”, temos que lançar mãos de processos como esses , de políticas públicas afirmativas de inclusão social e real.
“A PRIMEIRA IGUALDADE É A JUSTIÇA”
(VITOR HUGO)
Só acho uma pena o nobre articulista não responder ao meu primeiro questionamento. Não sou seu inimigo.
Osteobaldo, todos sabemos que a Uerj,foi a primeira universidade brasileira ter as cotas raciais. Bem,todos os oposicionista vieram com esse argumentam.Quando sairam os primeiros resultados dos desempenho favoravel a os cotistas,parece que as outras universidades adotaram as mesmas medidas.
Todos favoravel as cotas são a favor de uma educação de qualidade,porém,não vamps massacrar quatro geraçoes para podermos ver essa qualidade tão deseja por nós. Ambos os projetos podem caminhar juntos.As cotas são serão permanentes,é uma medida emergencial e assistencial(não confundir com assistencialismo). As cotas nos abriu vários leques entre elas o debate sobre o racismo.
Ps. Nao sou seu inimigo. Gosto de debater e troca ideias.
Obrigado pela resposta Fabio. Um abraço.
Essa matéria é um primor, amigo! Parabéns!
Devo acrescentar uma informação crítica que ouvi no exterior, que culpava as cotas como rebaixadora da qualidade da educação brasileira. A crítica dizia que, antigamente, os brasileiros eram bem mais qualificados nos testes internacionais do que hoje em dia. Na minha opinião, hoje, não há como a educação brasileira concorrer contra o mundo desenvolvido que tem um ano a mais de educação obrigatória do que nós. Só para dar uma comparação com os Estados Unidos e Europa têm um ano a mais de 2ºGrau. Antigamente nós fazíamos prova de admissão para o Ginásio, para o Científico e para a Universidade. Muito mais gente ia ficando pelo caminho, é verdade. Hoje não há mais clima para tanto rigor de outrora. Então, que tenhamos os mesmos anos de estudo até a entrada na Universidade. Isso nos tiraria o preconceito das Universidades mundo afora.
Fantastica materia eu estou acompanhado sempre este blog.
Sem duvida estou plenamente de acordo com este texto simplesmente fantástico.