Mensagem no “Ângelus,” 06-03-2016
Caros irmãos e irmãs, bom dia!
No capítulo 15 do Evangelho de Lucas, encontramos as três parábolas da misericórdia: a da ovelha reencontrada, a da moeda reencontrada e a grande parábola do filho pródigo, ou melhor, do Pai misericordioso.
Hoje, seria maravilhoso que cada um de nós pegasse o Evangelho, este capitulo 15 do Evangelho segundo Lucas, e lesse as três parábolas. Dentro da caminhada quaresmal, o Evangelho nos apresenta justamente esta terceira parábola do Pai misericordioso. Ela tem como protagonista o pai com seus dois filhos. A narrativa nos faz perceber algumas atitudes desse pai: é um homem sempre pronto a perdoar e que espera contra toda esperança.
Chama a atenção, antes de tudo, sua tolerância diante da decisão do filho mais jovem, de ir embora de casa. O pai poderia opor-se a essa decisão, sabendo tratar-se de um jovem imaturo, um jovenzinho, ou procurar um advogado para não lhe conceder a herança, estando ele ainda vivo. Em vez disto, permite que ele se vá, mesmo prevendo os riscos possíveis. Assim age Deus conosco: deixa-nos livres, até para errarmos. Ao criar-nos deus-nos o grande dom da liberdade. Cabe-nos dela fazer bom uso. Sempre me causa espanto esse dom da liberdade que Deus nos dá!
Mas, a separação daquele filho é só física. O pai sempre o carrega no coração, espera, confiante, sua volta. Observa o caminho ao longe, na esperança de vê-lo. E um dia, o avista, a despontar, ao longe.
Mas, isto significa que esse pai todo dia saía para observar, do terraço, se o filho estava voltando. Então, fica comovido ao vê-lo, corre ao seu encontro, abraça-o, beija-o. Quanta ternura! E esse filho lhe havia aprontado das grandes… Mas, o pai o acolhe assim.
A mesma atitude o pai teve também para com o filho mais velho, que sempre permanecera em casa, e agora se acha indignado e protesta, pois não compreende nem compartilha aquela bondade toda para com o irmão que tinha errado. O pai também vai ao encontro daquele, e lembra para ele que eles sempre estiveram juntos e tinham tudo em comum, mas que era preciso acolher com alegria o irmão que finalmente regressava para casa.
Mas, isto me faz pensar numa coisa: quando a gente se sente pecador, a gente não se dá tanta importância, ou como ouvi alguém dizer – muitos! -: “Pai, eu sou uma porcaria.” Então, é hora de socorrer-nos ao Pai.
Ao contrário, quando a gente se sente que é justo – “Eu sempre fiz as coisas certas” -, igualmente o Pai vem à nossa procura, porque tal atitude de alguém sentir-se justo é uma atitude má: é a soberba. Vem do Diabo. O Pai espera aqueles que se reconhecem pecadores, e vai atrás dos que se julgam justos. Este é o nosso Pai!
Nesta parábola, também se pode entrever um terceiro filho. Um terceiro filho? Mas, onde? Está escondido: é Aquele que não retém para Si o privilégio de ser como o Pai, mas esvaziou-Se a Si mesmo, assumindo uma condição de servo. Este Filho-Servo é Jesus! É a extensão dos braços e do coração do Pai. Ele acolheu o filho pródigo e lavou-lhe os pés sujos. Ele preparou o banquete para a festa do perdão. Ele, Jesus, nos ensina a ser misericordiosos como o Pai.
A figura do pai, da parábola, desvela o coração do Pai misericordioso, que, em Jesus, nos ama para lém de qualquer medida, sempre espera pela nossa conversão, a cada vez que caímos. Espera pela nossa volta, quando dEle nos distanciamos, pensando que Ele vai fazer menos do que esperamos. Ele está sempre pronto a abrir Seus braços, não importando o que tenha sicedido.
Como o pai do Evangelho, também Deus continua a nos considerar Seus filhos, quando nos perdemos, e quando vem ao nosso encontro, com ternura, quando a Ele retornamos. E nos fala com tanta bondade, quando acreditamos que somos justos. Os erros que cometemos, ainda que sejam grandes, não arranham a fidelidade so Seu amor. No Sacramento da Reconciliação, podemos sermpre recomeçar. Ele nos acolhe, nos restitui a dignidade de filhos Seus. Ele nos diz: “Vá adiante! Fique em paz! Levante-se! Vá adiante!”
A essa altura da Quaresma que ainda nos separa da Páscoa, somos chamados a intensificar nossa caminhada de conversão. Deixemo-nos alcançar pelo olhar pleno de amor do Pai, e Ele nos voltemos de todo o coração, recusando qualquer compromisso com o pecado.
Que a Virgem Maria nos acompanhe até o abraço regenerador com a Divina Misericórdia.
https://www.youtube.com/watch?v=cFhTkxddr3Q
(Do minuto 01:09 ao minuto 09:46)
Trad.: AJFC
