Ana Rachel, poeta e escritora cearense.
       Seu toque abusava da musicalidade ao dedilhar meu corpo; enquanto isso, meus olhos lacrimejavam metáforas ao perceber o vazio deixado pela tua sombra, que me fora tudo. Os desejos vagueiam na ausência e os atos se desviaram para um porvir incerto; Tua efígie de amor e sombras ainda me consome e vivo em uma realidade torpe, indigna de mim, onde não me sobra espaço para a sensatez.
       Foram vidas transvividas através de eufemismos corporais, simbolismos entre seios, rimas associados a orgasmos irreais e  gemidos parnasianos em sexo etéreo, quase um sacramento carnal de amor.
       Minha essência inda vagueia à tua espera em espasmos alexandrinos; vivo em uma esfera de dispersões, como um mau vaticínio traçado pelas suas lembranças que estigmatizam meus versos.
       Nos despindo na irrealidade, inexistimos em olhares paralelos, perdidos em dimensões difusas, com espectros de nós entrelaçados em sofismas vazios e lastros de amor.
10/09/2002
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       Andrajos humanos sedentos por sexo caminham por um umbral imaginário e me espreitam em meus marasmos literários. Seus olhos férteis protestam em meus pesadelos por linhas lascivas e me perco em gemidos uníssonos.
        Dormir torna-se um tormento: toques sutis flamejam minha sonolência e mantenho uma vigília carnal com espectros cegos de si mesmos; olhos abertos apenas para o meu sexo.
        Orgasmos vagos tomam minhas noites. Estremeço a cada ocaso e me perco em um labirinto de reticências concupiscentes. Agora, adormeço sob hipérboles de prazer incessantes, rodeada por braços e pernas que instigam meus versos ofegantes.
19/06/2002
Consciência.Net