| Estigma
Seu toque abusava da musicalidade ao dedilhar meu corpo; enquanto isso, meus olhos lacrimejavam metáforas ao perceber o vazio deixado pela tua sombra, que me fora tudo. Os desejos vagueiam na ausência e os atos se desviaram para um porvir incerto; Tua efígie de amor e sombras ainda me consome e vivo em uma realidade torpe, indigna de mim, onde não me sobra espaço para a sensatez. Foram vidas transvividas através de eufemismos corporais, simbolismos entre seios, rimas associados a orgasmos irreais e gemidos parnasianos em sexo etéreo, quase um sacramento carnal de amor. Minha essência inda vagueia à tua espera em espasmos alexandrinos; vivo em uma esfera de dispersões, como um mau vaticínio traçado pelassuas lembranças que estigmatizam meus versos. Nos despindo na irrealidade, inexistimos em olhares paralelos, perdidos em dimensões difusas, com espectros de nós entrelaçados em sofismas vazios e lastros de amor. Ana Rachel F. C. Dantas
| 21.11.02
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