A Estética da Linguagem de Graciliano Ramos em "Infância"
Ana Rachel, 16 de julho, 2003

     Graciliano atinge a forma mais refinada do estilo memorialístico com Infância. Sua concisão e a insinuação dos vocábulos, em frases por vezes duras, quase assexuais, assinalam a linguagem do autor na obra em questão – exprimindo sempre o essencial.

     Os desavisados não distinguem a ficção na descrição, ainda que verossímil da sua realidade. Ficção esta presente nas intralinhas do texto, justificada pela estética - mas ainda sim verdade.

     Os fatos de Infância decorrem de experiências concretas – com palavras abstratas – em uma visão introspectiva do autor sobre si mesmo, com análises e motivos psicológicos do meio social em que cresce; uma obra marcada por uma interrelação entre o documentário autobiográfico e pelas fluências literária e psicológica.

     A sua esfera é formada pela simpatia e admiração pelo nordestino juntamente à sua formação familiar – de onde provém grandes análises psicológicas (sem ser transcendental), principalmente dos próprios pais, o que causa uma angústia presente subliminarmente na obra.

     Os personagens são estáticos, dentro de uma realidade aparentemente monolítica – havia pequenos acontecimentos que quebravam a singularidade da rotina. E nesses relatos vê-se mais claramente a vocação para a brevidade, já que quase sempre os fatos não são apresentados de ordem contínua, ou seja, o livro é fragmentado. Recurso este que permitiu ao autor uma melhor elaboração das situações, compensando algumas agruras da realidade.

     Mas, independente de recursos lingüísticos e da classificação da obra em algum gênero literário, suas possibilidades estéticas relegam impressões além da nossa compreensão, mas aquém do próprio autor.


Ana Rachel | Opinião | Literatura

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