| O Espelho
Fragmentado nas ranhuras do cristalino, o olho do espelho te traz em lenitivo, mas, na íris do reverso, nossos corpos se refratam. Em outro plano, minha imagem tem as mãos atadas pela ausência. A distância sorri disfarçadamente, em troça: vejo e não enxergo. As costuras da tua língua sugam as nódoas-mães do meu sofrimento, enquanto teu olho-cria escarnece de mim. Na ânsia da antevisão, estendo a mão esquerda e recebo a direita em troca: são os dúplices, medo do reflexo distorcido. Assim, sozinha - ainda que acompanhada pelas tuas letras; triste - ainda que consolada pelo acaso. Sete a(nós) de azar. Ana Rachel e Helana Gurgel | 18.12.02
“Amo incessantemente os ácidos, os gumes e os ângulos agudos”. [Cesário Verde] Artes | Literatura | Rachel | Helana Gurgel Consciência.Net |