por.Gustav.o Bar.reto..ver.são.20.06Estamos todos cegos.
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Por Gustavo Barreto12.10
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Seja o que Deus quiser

A experiência com mídia descentralizada mostra que o caráter anárquico das novas tecnologias ultrapassa qualquer esfera de entendimento que possuímos atualmente, exatamente porque se trata de uma mudança radical de paradigma. Esta revolução se iniciou na primeira vez em que se contestou o saber único (Deus) e "termina" na prática cotidiana da construção do mundo, todos e cada um de seus próprios pontos de vista (Deuses, co-autores de suas próprias vivências). As limitações tecnológicas a que a maior parte das pessoas está submetida não cessa a fúria tecnológica que tomou conta do mundo pós-moderno. Com o excesso de dados disponíveis, qualquer um que pense estar a par do que acontecerá nos próximos 10 anos está muito provavelmente errando feio em sua análise. Ou então será o único a acertar.
 

Por Gustavo Barreto14.05
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O jogo sujo do Pereira

Quatro e cinqüenta e sete da tarde de um verão, em junho. (No Rio, o verão começa em junho e acaba em maio do ano seguinte). Chega no escritório do Pereira um fax. É da Presidência. Ele já sabe: emergência. Pereira é um experiente redator, já viveu mais presidentes do que aniversários que seu filho adolescente comemorou. Sempre trabalhou em política, no jornalismo, mas decidiu largar tudo para fazer poesia. “É tudo questão de linguagem”, repete.

O pedido é pesado: a economia do país tá na merda e os homens lá de cima já tentaram de tudo. Até mesmo vender o país. Nada deu certo. Daqui a dois dias o presidente vai discursar em praça pública, para milhões, em pleno domingo. Vai falar sobre economia, mas, como os últimos quarenta e oito dirigentes nacionais que ocuparam o cargo máximo da “nação” (Pereira parece ser atingido na perna por um tiro quando alguém se refere à palavra ‘nação’), o presidente não entende nada sobre o assunto.

Pereira dá seu sorriso-anzol e deixa o texto para o dia seguinte. Não era a primeira vez que fazia o trabalho sujo, mas impressionava a calma com que tratava o tema. “Parei de ficar nervoso em situações-limite desde que meu sogro fugiu com minha mulher”, recorda. No dia seguinte, antes do café (só café mesmo, porque sempre pagaram pouco pro Pereira), ele começa a escrever:
 

Companheiros. Companheiras. Brasileiros. Brasileiras. Latino-americanos. Latino-americanas.
[respire, olhe para o infinito, mas não muito para não parecer maluco, como quem olha para as crianças construindo um futuro]
Eu estou aqui neste domingo, neste tão belo domingo para aqueles que ainda são alcançados pelo sol, para rebater a crítica de alguns segmentos da sociedade que não raras vezes omitem nossas realizações.

[o ar deve ser de total respeito aos críticos, como se você realmente acreditasse que eles são melhores. Fale exatamente o que eles pensam, como se fosse você]
São muitos os que nos atacam falando que a economia não está bem. Que a economia não está avançando. Que a economia não se sustentará por muito tempo.
[atenção: mudarei de assunto, mas você deve manter o mesmo tom, como se fosse a mesma coisa]
Estou aqui, minha gente, para falar a essas pessoas sobre o quão grande é o nosso país. Este é um país cheio de diversidade, seja na sua tão brava gente, seja na sua tão admirada riqueza natural. Estou aqui para falar a eles que, em 30 anos de vida pública, nunca fui de correr da briga. Nunca fui de correr da luta. Quem já sofreu como eu sofri sabe que tudo que é bom e correto nessa vida deve ter muito sacrifício. Que nada é de graça. Que nós, trabalhadores e trabalhadoras, estamos dispostos a lutar muito para conquistar o que é nosso.
[atenção novamente: o mesmo tom]
É por isso, meu povo, que os críticos que tentam atacar as bases sólidas deste governo popular, todos eles protegidos e confortáveis em seus escritórios e mansões, não podem vencer esse debate tão importante, como é o debate sobre a economia no Brasil.

[pausa, como quem sofre para beber água e se alivia profundamente, feliz com um líquido sagrado, que você aproveita gole a gole]
Então me respondam, companheiros e companheiras. Eu pergunto a vocês, brasileiros e brasileiras. Amigos e amigas deste Brasil de [colocar um líder histórico de sua preferência] e de tantos outros heróis. Por acaso o companheiro [líder da História recente de sua preferência], ao se ver restrito a poucas possibilidades e perseguido cruelmente por seus adversários, recuou da luta?
[pausa para que pensem que ele não recuou]
Sim, amigos e amigas. Ele recuou. Recuou por se saber humano e por conter dentro de si o dom da humildade.
[a partir de “conter” vá ficando mais calmo, até culminar em um “humildade” leve e sutil, como quem tem um misto de respeito e medo da palavra]

Quando o nosso mestre [nome de cantor ou ator conhecido, que tenha uma filha pequena e que foi perseguido pela ditadura] ficou durante trinta dias preso nos anos 70, sem poder se comunicar com sua filha [nome da filha] e sua família, o que ele fez?
[pausa]
Desistiu?
[pausa]
Não. Ele não desistiu. Como tantos outros milhares de brasileiros e brasileiros, [ator/cantor, agora com um nome mais carinhoso] tinha uma missão a cumprir. [pausa] Tinha uma família a honrar. [pausa] Tinha uma vida a viver.
[se puder, chore. Se não conseguir, hoje há ótimos produtos no mercado que não deixam pistas sobre a honestidade das lágrimas]

Desculpem-me. Não é sobre isso que viemos falar. Esse capítulo da História felizmente ficou no passado. Viemos aqui, meus queridos companheiros, falar sobre a economia. Viemos aqui, neste domingo onde o sol começa a surgir para aqueles que estão na sombra, para dizer que os indicadores da economia brasileira são os melhores dos últimos 10 anos. [ao final dessa frase, comece a balançar levemente a cabeça para cima e para baixo em ‘indicadores’, feche os olhos como quem está sutilmente gozando em “melhores” e dê uma serena risada de satisfação depois de “10 anos”]
[aumente o tom para dizer as próximas duas frases]
É para dizer que o crescimento do PIB foi além das expectativas mais otimistas. Que o investimento cresceu e a inflação está sob controle.

[aumenta mais ainda o tom]
Estamos aqui, companheiros e companheiras, não para falar de números que os trabalhadores e trabalhadoras deste país não entendem, mas sim para falar que o resultado dessa política é a maior retomada do emprego desde 1992. [fale “1992” pausadamente, citando letra por letra]
[atenção para a próxima parte: treine antes para falar errado, dando a impressão de que o discurso é espontâneo. Continue aumentando pouco a pouco o tom, de acordo com os aplausos]
Que é mais emprego para o povo. Que tem mais oportunidade pra dona de casa, pros jovem desse país, pra gente que não agüenta mais sofrer.
[grite, de forma educada]
Eu não vim aqui falar pros economista sentado nos arranha-céu da Avenida Paulista, minha gente, eu vim falar pra vocês, e vim falar que este país tem jeito e que nós vamos dar um conserto neste país de qualquer maneira, queira ou não queira a oposição.

[se acalme. Limpe a testa. Olhe para os olhos do povo, como se estivesse procurando alguém. Agora fique com cara de sério e continue]
Os empresários vão a Brasília reclamar dos juros [use um certo tom com juros, dando ênfase no “ju”], companheiros. Toda semana, eles estão em Brasília, reclamando dos juros [use o mesmo tom]. Eles têm fixação com os juros [repita o tom]. Eu vou falar uma coisa para vocês. Quando você tá num time de craques, como é o nosso governo popular, você não tem coragem de mexer. Era fácil, pra gente, fazer o que eles queriam que nós fizéssemos. Tira o fulano, o sicrano, o beltrano. Mas eu não recebi [número de exato de votos] votos do povo para fazer o que eles querem. Eu recebi [repete o número de votos, mas arredonda dessa vez para “(...) e tantos mil”, para pensarem que foi espontâneo] votos do povo para armar um time de craques, e não é porque tem gente lá em cima insatisfeita que eu vou ceder, que eu vou tirar quem eu preciso perto de mim.

[finja pensar, faça o truque das crianças construindo o futuro]
Este é um país que sofreu com o saque externo de mais de 500 anos, com a ganância de gente inescrupulosa que não queria o nosso bem. Era um avião sem rumo, que tava caindo. Quando a gente pegou esse país, muita gente queria mudar tudo de uma vez. Queria fazer a faxina toda da casa de uma vez só. Eu conversei pessoalmente com cada companheiro e companheira que eu chamei pra trabalhar comigo e falei pra eles: companheiros, a gente tem que levantar esse avião. Tem que colocar ele no rumo, de pouquinho em pouquinho. Não pode ‘saí’ dando cavalo de pau com o avião, querendo fazer tudo de uma vez só.
[finja que está se lembrando do momento dessa suposta conversa com os ministros, como se estivesse lá. Dê uma risadinha, como quem lembra da reação de um deles]

Eu falei isso pra eles, e eles entenderam que esse país é muito grande pra não ter projeto. É muito brasileiro e muita brasileira, um coração maior do que o outro, querendo que isso aqui vire uma nação, que vire uma terra de todos os cidadãos, que não tenha mais mãe e pai pedindo dinheiro pra comer, pra dá de comer aos filhos. São 175 milhões... [pausa para pensar, tática das crianças, aumente o tom inesperadamente]... é muita gente querendo que esse país dê certo, e ninguém vai impedir, eu juro, ninguém vai impedir a gente de se tornar uma nação mais digna e mais humana. Muito obrigado. [com o tom certo, de forma inesperada, termina com aplausos. O presidente deve sair antes dos aplausos terminarem]
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23.04
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Confuso

"A gente vai fazendo as tranças, percorrendo teu umbigo (te achei!). Está bem - eu disse - fechei os olhos e foi. As palavras saíram desabotoando tudo. Rasgando as peças do tecido e o que você trouxe para mim. Um pouco de paz. Mereço? Obscenamente necessário nestes meus tempos estranhos."
(Não é meu o texto, mas e daí?)
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16.04
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Para quando perguntarem "Tudo Bom?"

Não, o bom e o ruim se confrontam o tempo todo, coexistindo no espaço e no tempo e tornando o mundo uma grande dialética.

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Pensa!

O maior problema da sociedade é a omissão. Pode-se matar alguém da forma mais cruel: a tragédia só será completa se houver omissão da sociedade.

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Ei, espera aí

Seu olhar belo e penetrante
Sua voz macia e aconchegante
Seu jeito sereno de ser
Que me dá vontade de viver

Pernas e braços se confundem
O suor que escorrega não é em vão
Delírio de uma noite quente
Com esse protuberante pomo de adão

...ei, espera aí

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Pensamintos nefelibatos

1. Poucas vezes tive a sensação de estar entrando numa tigela gigante cheia de pipoca. Quem não gosta de avião certamente não gosta de pipoca.

2. Perigoso mesmo vai ser se um dos milhos não tiver estourado.

3. Passar apenas de avião pelas cidades brasileiras é uma experiência muito rica. Você fica com a impressão de que todas são habitadas por formiguinhas e possuem apenas aeroportos.

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Páscoa

Te desejo muito amor, carinho, felicidade, prosperidade, saúde, grampos, sucesso, respeito, humildade e longa vida.

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Inútil

'Tchunichãine kailan' significa 'Parabéns pra você' em chinês.

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É verdade

Os suecos bebem mais café do que qualquer outro povo no mundo.

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Cada vez mais útil

De acordo com antigas legendas celtas, a oeste do continente europeu haveria uma ilha, chamada de 'Hy Brazil', que se moveria pelos oceanos. (Quem diz é Flávio Aguiar)

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Iniciando um programa de rádio

[voz grossa de apresentador de programa de música clássica] "É com satisfação, amigo e amiga, que chego ao seu receptor (...)".

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A mais

Era um exagerado, esquentava café com usina nuclear.

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Einstein

"A ciência não evolui resolvendo problemas".

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Psicólogo I

O cara chega, te olha e vai logo falando: "Você vai bem, e eu?"

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Psicólogo II

Eu queria falar do passado, o cara me vem com um papo de "meu ontem patológico".

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Diferenças

Sabe o café com leite? No Rio: média. Em Porto Alegre: cortado.

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Definição da Carol

Gustávares de Azevedo Barreto, aspirante byroniano a jornalista marxistístico.
 

03.03
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Grande amigo
Grande abraço
Grande
Gra
G.

>> Essa é a nova e revolucionária poesia neominimalista (ela vai se minimizando pouco a pouco), foi inventada pelo primeiro grande poeta neominimalista, o H.
 
 
 

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Com tato. Aperta!

Arquiva!
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Testa! Quer dizer, texto!

No dia 1º de maio, José
1º de abril, 2004
No dia 1º de maio, é comemorado no mundo inteiro o Dia do Trabalhador. José, trabalhador e morador do município de Santo Amaro, no interior do Maranhão, no Brasil, precisa ajudar sua família a ter o que comer. Trabalha de sete às sete, de sol a sol, de domingo a domingo.

O morcego de 64
29 de março, 2004
Era 29 de março, acusavam os jornais. Infiltrados em uma sala retangular de teto alto, diversos estudantes ouviam atentamente, com um certo ar de admiração, as palavras de um agitador. Chovia bastante, mas não o suficiente para atingir as poderosas palavras daquele homem.

A Idéia
8 de fevereiro, 2004
A coisa está meio parada. Muita agitação, mas com uma sutil interrogação no ar. Ninguém sabe o que é, mas todo mundo sente. Até que... Alguém tem "a idéia".

Pensamintos
7 de julho, 2003

Meu filho
2 de novembro, 2001

Uma profissão a seguir
28 de fevereiro, 2001

Com cara de segunda
25 de fevereiro, 2001

O Necessitado
23 de agosto, 2000
 

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