por.Gustav.o Bar.reto..ver.são.20.04Estamos todos cegos.
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Dezembro.]
Um pássaro na mão

É como aquele português que foi para a Inglaterra aprender inglês. 

Tentou, tentou e não conseguiu. Ficou tanto tempo tentando que esqueceu sua língua-mãe. 

Resultado: ficou mudo.

Modernidade

A minha impressora acaba de imprimir um papel com a seguinte mensagem: "Não há papel".

Modernização empresarial

Na firma. 3 amigos.

Cara 1: A gordinha da contabilidade.

Cara 2: Balela. "Sô" mais a gostosa da informática.

Cara 3: E o Pedro do Jurídico? Um pedaço.

[Risos nervosos seguidos de silêncio. Os outros dois se olham]

Cara 3: Que foi? Vocês não sabiam?

Cara 2: Não, cara. É que eu tô saindo com o Pedro. Desde sexta.

[Mais silêncio. O primeiro hesita]

Cara 1: Quer dizer que a gostosa da informática é minha?

Cara 2: Esquece. A Janaína, da Comunicação, tá pegando.
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Novembro.]
Pergunte ao casaco

Oito e quarenta e cinco. Doze graus.

Desculpe, senhor. Eu tenho ordens para não te deixar entrar.

Como? Ordens para não me deixar entrar?! De onde vêm essas ordens?!

O homem pensa um pouco. Depois de consultar o casaco, diz:

Eu não tenho ordens para falar de onde vêm as ordens, senhor.

Ah... sei. E de quem são as ordens para que você não diga de onde vêm as ordens para não me deixar entrar?

Ele consulta novamente o casaco. Ouve-se uma voz baixa dizendo “imbecil”. Ele responde:

Desculpe, senhor. Essas ordens para que eu não diga de onde vêm as ordens para não deixar o senhor entrar também não estão disponíveis.

Ah... entendo. Quer dizer que não estão disponíveis.

Correto, senhor.

Quer dizer, portanto, que estão indisponíveis?

Ele pensa. Dez segundos. Conclui:

Correto, senhor. Indisponíveis.

Quando quiser confundir alguém, use palavras grandes. E dê alternativas:

E quem as indisponibilizou? O seu casaco ou o dono da casa?

O homem fica impaciente:

Óbvio que não foi o meu casaco, senhor!

Ouve-se um novo “imbecil”, só que desta vez mais alto.

Ah... entendo, entendo. E o senhor Bragança, dono da casa, está de casaco?

Bloqueio mental. Suando, consulta novamente seu casaco. Depois diz:

O senhor Bragança não está em casa, senhor.

Mas não foi isso o que eu perguntei. Eu perguntei se ele está de casaco. Está?

Pela primeira vez, o homem abandona a técnica do casaco e usa a cabeça. Se a resposta for “sim”, ele poderia pensar que eu estou me comunicando por meio de casacos comunicantes. Melhor não:

Não, senhor. O senhor Bragança está sem casaco.

Ah... Doze graus, e o Bragança sem casaco?

Era demais. O homem decidiu usar a cabeça. Literalmente.

(5.11.2004)
 

prá cego ver
Zúmbi, zumbi. Zúmbi

Episódio de Os Simpsons. Bart faz uma magia e transforma todos os defuntos em mortos-vivos. Bart consegue, no final, desfazer a magia com outra magia. Sentada no sofá com a família em frente à tevê, problema resolvido, Margie diz:

Estou contente que não viramos zumbis.

Bart:

Dá para calar a boca?

Homer, olhando para a tevê com olhar fixo:

O homem caiu engraçado. De joelhos. (fim do episódio)
 

momento literato, cobra e morcego
Josephine: o rosto fácil

(...)

Oh, beibe! Este local não é nada romântico! Logo num lixão! Oh!

Oh, Josephine!

(...)

Josephine, mai darlingui. Você é como uma prostituta, vendendo seu belo rosto para arrancar milhões das massas. Você! A massa!

Oh, beibe! Pode amassar! Vem! Oh, Dion!

Os objetos e suas ideologias

A cama, por exemplo. É de direita. É por isso que eu prefiro o chão. O chão é de centro-esquerda. Mesmo assim eu gosto dele. Alguns chãos que se vê por aí até são militantes da esquerda.

Ela sorri. E diz: “A parede é da anarquia”. Anarquista? Por que? Logo a parede? Justifique-se.

E o sofá? “É neutro, a favor da situação”, argumenta. Depende. Já vi muito sofá que se diz de esquerda, mas é um tremendo direitista. Acontece muito.

Já a geladeira é da extrema-esquerda. Ou da extrema-direita, logo ali.

Gastronômica

Depois do almoço, o bife é passado.

Alguém responda! (I)

Afinal, a Lua está cheia de quê?!

Alguém responda! (II)

Millôr pergunta: Se uma lei de controle de natalidade for aprovada, terá efeito retroativo?

Cotidiano

No que grita o motorista, na parada em Araruama:

Tem alguém faltando?

Cotidiantes

Bach, meu sacro predileto, adorava uma festa. Seria uma sacranagem?
 

Manias e fobias

Os adultos são uma mistura de estranhas manias e fobias. Da altura, dos animais, das outras pessoas. Medo, no fundo, de si mesmo. De seu potencial. De viver. Estão doentes, precisando de uma boa injeção de infância em suas vidas. Na época em que se fazia as coisas sem preconceitos. Mas isso é coisa de criança. Criou-se essa sensação de que uma vez adulto, tudo vai ladeira abaixo. ‘É um caminho sem volta’. Reina a chatice e a falta de princípios. É o vale-tudo, ‘porque você já está bem crescidinho’.

Mas não é preciso rever “Pinóquio” para voltar a ser ‘criança’. Basta ler livros como “A Mente Mediana”. Por exemplo. Em troca das horas perdidas no cubículo da empresa, você espera por fogosas garotas de biquínis e ‘reality shows’? Você tem uma estranha adoração por “Guerra nas Estrelas”? Você aceita crescer na certeza de passar os anos produtivos fazendo, oito ou mais horas por dia, algo que se detesta, em troca de “entretenimento” entediante e desonesto? Cansou de pensar?

Vai acabar virando um resmungão, seu mané! Ninguém deseja isso para ninguém, mas todos aceitam como ‘inevitável’. Caiu? Levanta, porra! Não há complô, babaca. É o que todos pensam: há um complô. Não deixa de ser uma forma de se sentir especial. Especial porra nenhuma. Você está apenas se esforçando para reafirmar o que esta sociedade de merda – que mal permite que falem palavras ‘inadequadas’ – chama de ‘perdedor’.

Você se acha um perdedor? Então parabéns. Conseguiu o que queria. Mas quem disse que se achasse diferente não poderia conseguir também. Afinal, você está tentando ‘ganhar’ de quem, cara-pálida?! (5.11.2004)

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Outubro.]
Numa hora dessas

Eram apenas os dois ali. A direção era uma só. O sentido, o mesmo. Os dois. Ali. Quanto mais andavam, mais selavam destinos iguais. Começaram a respirar a tensão que reluzia das faixas amarelas no meio da rua. Nenhum dos dois poderia voltar para o Lins. Não numa hora dessas. Morar no Lins era muito perigoso numa hora dessas. A tensão ganhou aquelas mentes. Ganhou os corações.

Ganhou um novo parágrafo. Era o que eles mais temiam. Mais um parágrafo. Seria o sinal de que alguma coisa diferente aconteceria, para além das faixas amarelas. Restavam quilos de metros para terminar a rua. Quatro quilos de metros. E o mesmo destino: para lá.

Seria inevitável uma aproximação – ainda mais no terceiro parágrafo. Eles começaram a andar mais devagar, quem sabe o outro não sai correndo. Seria uma atitude de bom senso, mas numa hora dessas é mais fácil não fazer nada do que simplesmente fazer o óbvio. Ninguém conhece o óbvio quando o medo – popular como só ele sabe ser – está por perto.

E de tão perto se abraçaram e começaram a chorar. Numa hora dessas, bem no meio da rua, era o que restava fazer.

* * *
Crise na saúde

Ontem era só um doente
Hoje, são

A galinha esquizofrênica

Meu travesseiro é de algodão
Se não for, pena
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Setembro.]
Atenção!
A tensão
Ah, tem. São
dois reais
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Agosto.]
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O público achou que aquela tragédia era parte da apresentação e demorou a reagir.

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Ernesto não sabe atirar.

O ano é 1934. Ernesto é um detetive particular ou seja, só tem um cliente que possui escritório-barra-casa em um prédio prestes a desabar na Lapa, no centro do Rio. Ernesto lê três jornais todos os dias: O Globo de 3 de março, a Tribuna da Imprensa de 7 de abril e o Jornal do Brasil de 8 de agosto. Todos do ano anterior. Na madrugada de um sábado chuvoso, Ernesto está sentado à mesa escrevendo uma carta para sua amada, uma diarista que mora na rua do Acre, 53, e que passa todos os dias pela rua onde ele reside.

É nesse momento que Ernesto percebe um movimento anormal na portaria do seu prédio, o que não deixa de ser curioso, já que lá moram apenas ele e uma socialite decadente chamada Madame Au Revoir. Ele pega a sua arma predileta (“a única que tem balas”) e abre a porta lentamente, já temendo o pior.

Quando ele ouve o grito assustado de Madame Au Revoir, corre e começa uma perseguição pelo prédio, vazio. O prédio, não ele que apesar de tudo tinha comida uma costela de porco na janta. Ernesto escorrega em um piso molhado, o chão desaba e ele cai em uma sala na qual nunca havia estado antes. Está tudo muito escuro, pouco visível, meio calabresa meio portuguesa.

Dois tiros são ouvidos e, repentinamente, o orçamento do filme acaba.
 

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Neide não sabe brincar.

Cena I
CeEla não agüenta mais aquela mania que ele tem de limpar o ouvido com o dedo. Bem na frente de todo mundo. E ainda mais em um avião, transporte de gente chique.
CePereira, se comporta! Se você não parar eu peço o divórcio amanhã mesmo.
CeÉ outro país, Neide. Se inquieta aí e me deixa em paz.
CeFoi um erro. Tudo um erro.
CeEle coloca o dedo com mais força.
CePereira, pára!!

Cena II
CeJá distante do Brasil, depois de sete horas de viagem, a cera parece nunca acabar e Pereira limpa o ouvido com mais ímpeto. Talvez por causa da chuva, Pereira precisava de um mecanismo de defesa.
CePereira, é comum quando o avião balança? - diz Neide, já aflita.
CeClaro que sim, Neide. Todo mundo morre um dia.
CePor essa, ele levou um baita chute na canela, mas era preciso criar mecanismos de fuga. O humor, além da cera, era um deles.

Cena III
CeJá na praia, a mais próxima de onde eles caíram, Neide olha para o Pereira e para o infinito como se fossem um só. Ele não perde a piada:
CeViu, Neide. Unidos para sempre, até que a morte nos separe.
CeDesse dia em diante, Neide não olha mais para Pereira, mas ajuda diariamente com os afazeres da casa que eles construíram, no sentido literal da palavra. E a cada dia que passa pensa em fazer as pazes com Pereira. Depois de semanas, Neide rompe o silêncio:
CeCom tanta água de coco, Pereira, até que você não está fora de forma.
CeE o Pereira não perde a mania de estragar os melhores momentos do casal:
CePena que não dá para dizer o mesmo dos outros habitantes da ilha, não é verdade?
CeMais dois meses de silêncio, mas ela não resiste.

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À venda

Opinião, vai senhora?, está à venda. E tem quem compre. E para quem não vende, não há mercado mesmo.

A venda

Cada um com mais razão que o outro. Olho por olho, quer comprar?

Na venda

Eu errei, mas vou acertar as contas.
Fazer certo é muito difícil.
Reconhecer nem pensar.
Pensar, nem sonhando.
Sonhar, nem morto.
Morto eu já estou,
morri de tanto errar.

Mas posso pagar.

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Dados

Chegando ao céu, surpresa. O Todo-Poderoso, justo ele, foi logo perguntando:

E aí, quer jogar de novo?
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Junho.]
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O Jornalista de Marte
Roteiro para cinema

O personagem

Kairos tem 1,63m, cabeça raspada e só usa roupaz cinzas ("para combinar"). Jornalista recém-chegado de Marte e formado pela Universidade Federal de Marte Oriental (UFMO), Kairos foi enganado com uma falsa oferta, em seu planeta, de intercâmbio no planeta Terra. Com 23 anos e muitos planos, está exercitando o jornalismo no carioca Jornal do Brasil, apesar de não receber quase nada e, às vezes, nada mesmo.

Mora em Botafogo com um estranho, Felipe, que classifica como "companheiro" desde a primeira fala entre os dois. Kairos odeia amarrar os sapatos e não entende porque as pessoas mastigam goma de mascar, que ele classifica como "borracha". Possui um currículo invejável (principalmente como editor de Ciência), mas já foi despedido de quatro jornais por não aceitarem suas teses sobre o cosmo. Sempre que ele fala que veio de Marte Oriental, as pessoas retrucam: "que figura!"

Seu objetivo é entender a vida dos seres humanos, tarefa que não tem sido nada fácil. Sua maior dificuldade é saber porque uma senhora lhe dizia todos os dias, a caminho do trabalho, que eram 12h47. Em Marte, diz, o tempo é contado pelo número de experiências pessoais.

Trecho de “O jornalista de Marte” I

Os dois estão no bar. Kairos (à esquerda) está em pé, lendo um livro sobre seu planeta e rindo horrores. Felipe está bebendo a quinta cerveja, olha fixamente para o monitor, que passa Videoshow. Come sementes de girassol, mas manuseia com cuidado a comida de forma que nada o atrapalhe em sua observação. De repente pergunta:

Vem cá, você não fica doente não?

Até chegar aqui, nem fiquei sabendo disso.

Mas como isso funciona?

Nunca precisou funcionar. É a nossa condição normal. A minha, a sua. A de todo mundo. Quando estava na Federal de Marte Oriental, li sobre o lobby que os médicos, inclusive aquele tal de Da Vinci, fizeram. É pura geração de renda.

Isso é uma acusação muito séria!

Não é acusação não. As pessoas precisam sobreviver. Ora bolas.

Kairos ri novamente do livro. Depois completa:

No Canadá e Estados Unidos, há cidades inteiras que vivem da renda da indústria bélica. O que você acha que as pessoas vão achar disso?

Felipe fica pensando, olhando para o monitor e franzindo a testa. Depois pergunta:

Tem mais algum lobby que você tenha ouvido falar?
Aos montes. Essa mania, por exemplo, de ir ao banheiro. Sabe como surgiu?

(...)
 

Trecho de “O jornalista de Marte” II

O melhor dos homens em uma sociedade cristã, Jesus, é como as plantas: todos falam com ele, mas nunca obtêm resposta.

Ha. Imagina ele falando: "Ei, sua bíblia está manchada de quétichupi". A freira, coitada, cairia durinha. Mas isto nunca aconteceu, Kairos.

A única diferença, talvez, é o fato de Jesus não ser verde. Ou pelo menos dizem que não.

E por lá, tem gente verde? É como dizem?

Tem. Que nem aquele cara ali.

[Rogério, cara de curioso]

Pera lá. É a camisa do cara que é verde.
Mesmo assim. Verde.

(...)

Trecho de “O jornalista de Marte” III

Felipe.
...
Felipe, acorda. Rápido.
Que foi, cara? Tem ladrão lá fora?
Não, cara. É uma pergunta.
Uma pergunta?
É, uma pergunta. Sobre aquela medida que você estava tentando me explicar.
O tempo, Kairos, o tempo.
Sim, este mesmo. Quantos destes o homem tem?

(...)

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Argumento

1. Tema. Três bolivianos camponeses traçam diferentes caminhos pela América Latina dos anos 70 em busca de melhores condições de vida para suas famílias.

2. Premissa. O homem é mortal por seus temores e imortal por seus desejos. 

3. Personagem. Juan, o mais velho dos três homens, é a figura central do filme. É um homem magro e de cabelos curtos e escuros. Possui uma face compenetrada e é muito atento. Sua única escola foi a vida, onde repetiu por diversas vezes. Hoje, mais preparado, possui muitas habilidades relacionadas à sobrevivência humana. Deixou mulher e três filhos em Cochabamba, sua cidade-natal.

4. Conflito: Cansados por conta da longa viagem em busca de novas terras, Ivo, Juan e Juarez começam a enfrentar pequenos dilemas éticos, que aumentam à medida em que a fome vai aumentando. Nem a perspectiva destacadamente socialista deles consegue esconder falhas humanas que não páram de se acentuar. Desta vez, os homens precisam escolher entre prosseguir caminho à noite, tentando passar por uma ribanceira visivelmente perigosa; ou ficar mais uma noite em um lugar afastado da civilização, próximo a Cuzco (sul do Peru), onde certamente passarão fome e frio. Juan decide prosseguir, contra a vontade de Juarez. Ivo apenas observa.

5. Crise: O rumo da jornada aparentemente vitoriosa até então torna-se um desastre quando Ivo acaba por cair da ribanceira.

6. Clímax: Juan e Juarez começam uma caçada que beira a loucura, um se virando contra o outro. O palco é um pântano a 130 km de Cuzco, onde Ivo morreu.

7. Resolução. Juan e Juarez se vêem cercados por uma tribo, que pensa serem eles agentes da CIA a perseguir os camponeses locais. A luta se torna desgastante e dificelmente eles sobreviverão. Agora unidos, começam a armar planos para sair daquele local. Ao avistarem um trem passando a poucos metros, decidem correr até o comboio e usá-lo para fugir. Antes de partir, no entanto, Juarez defende Juan dos camponeses é morto com um tiro no peito, caindo de trem. Juan segue viagem.

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Documentário

Resumo

O sofrimento dos povos "latinos", principalmente mexicanos, que tentam entrar nos Estados Unidos de forma ilegal é relatado, sempre sob o ponto de vista do imigrante, tentando enxergar seu passado e o que vislumbra para o futuro.

Justificativa

Segundo um artigo recente de Michael Moore, há cinco formas engenhosas de entrar nos Estados Unidos sem maiores perturbações. Já que muitas pessoas tentam chegar "do outro lado" e não consegue, vamos explorar ponto a ponto. São eles: (I) Aeroportos internacionais pouco ou nada conhecidos, como Chatanooga, Reno ou Flint, ''cujos agentes não foram necessariamente selecionados entre os indivíduos mais perspicazes da população local''. (II) Atravessando o Rio Grande pelo lado de Brownsville, onde é fácil de ser cruzado a pé, ou em Los Ébanos, no Texas, onde basta um bote puxado por cordas. (III) Canadá, principalmente entre Vermont e Quebec. (IV) Ilha de Bimini, em Bahamas, o fronteira Sul mais próxima desde o México (80 quilômetros da costa da Flórida). (V) Ilhas Diomede, no Estreito de Behring, onde não há um único agente sequer. No inverno, quando o mar está gelado, pode-se tranqüilamente cruzar a pé da Rússia aos EUA.

Pesquisa e forma

Visitar pelo menos 20 famílias que já tentaram ou que conseguiram passar pela imigração, de forma clandestina ou não. Tentar todas as possibilidades (já que Moore dá coordenadas bem concretas). A pesquisa seria feito em forma de "documentário-verdade", usando a edição para realçar o êxito dos imigrantes, assim como seu sofrimento.

Personagem e eixo

A maior parte da história se passará no México, onde acompanharemos pelo menos três moradores que já passaram por tal situação e o que fazem no dia-a-dia. Como foram criados, que são suas famílias, o que pensam do seu presidente, como enxergam a política e qual a idéia que possuem sobre a vida "do outro lado" da fronteira. Tentaremos confirmar a tese do escritor xenófobo Samuel Huntington de que "os mexicanos são menos inclinados a aceitar a democracia, têm menos iniciativa, são mais fatalistas e consideram a pobreza uma virtude, em função de seu catolicismo". Huntington sustenta isso em seu novo livro, "Who We Are".

Estas perguntas serão feitas e observadas nas pessoas que estaremos acompanhando. A partir disso os depoimentos serão recolhidos, sempre rumo à terra prometida. No final, quando finalmente chegarmos aos EUA, marcaremos uma entrevista com o professor Huntington e levaremos o nosso personagem principal, que por sua vez fará as mesmas perguntas feitas durante o filme ao próprio escritor.

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Inexplicável
Som é uma onda em movimento, propagando-se em meio elástico, nos planos transversal e longitudinal, produzindo uma sensação auditiva e alterando a pressão do ar no ouvido.

Rock é uma onda em movimento, propagando-se em meio fantástico, nos planos sentimental e experimental, produzindo uma sensação auditiva e alterando a pressão da galera na grade de contenção. Inexplicável.

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Haikai
Mente
Aberta
mente
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Maio.]
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Para os céticos como eu
Para os céticos como eu
Deus possui uma forma
De dar a chance para um último abraço
Em um ente querido que se foi

Para os céticos como eu
Ele faz esta pessoa aparecer
De forma inacreditável
Na sua frente, diante de seus olhos

Para os céticos como eu
Ele mantém isso em segredo
Por alguns momentos
Apenas para nosso bem

Para os céticos como eu
Só depois do término deste encontro
Ele conta que se trata
De um sonho

Para os céticos como eu
O sonho que não era sonho
É uma dose de inabalável realidade
Um abraço sólido nesta alma que descansa

Mas Deus consegue provar
Para os céticos como eu
Que ela continua viva
E me protegendo

*

Em memória de Alzira Gonçalves de Souza Barreto, falecida em 19 de maio de 2004, aos 81 anos. Saída do interior do Nordeste, esteve desde o começo unida a Juarez Barreto, meu avô, que nasceu na pequena cidade de Capela, interior de Sergipe. Estavam casados há 59 anos. Juntos, tendo ele feito carreira militar, vieram para o Rio e criaram de forma exemplar minha mãe e filha única do casal. Estudando em colégio público, Maria viria a se tornar doutora em Medicina, dando sua primeira aula com apenas 22 anos de idade.

Em apenas duas gerações, Alzira foi a dona da casa que gerou três cidadãos prontos para enfrentar as agruras da vida com muita ética e determinação. Tenho certeza que este nunca bem recebido evento nos seja um renascimento tanto pessoal quanto familiar. A mãe, Alzira, a filha, Maria, e o pai, Juarez, são e serão para sempre exemplos vivos de pessoas que sabem construir famílias, não apenas com valores materiais, mas sobretudo éticos e espirituais. Certamente um exemplo necessário para nossos dias.

Gustavo Barreto, 22.05.2004

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Dedução
O jornalista é, na verdade, um espremedor desta grande laranja que se convencionou chamar de mundo.

Mas cada um escolhe seu caminho: uns preferem ser descascadores de abacaxi. Outros, chupadores de manga.

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É ele

.— É ele.
.— Quê?
.— É aquele cara ali.
.— O que que tem aquele cara ali?!
.— Ele é aquele cara que eu te falei.
.— Quando?!?
.— Aquele membro da esquerda que eu sempre te falo.
.— Pô, pensei que você conhecia alguém assim.
.— Não, eu sempre soube que ele existia. Agora ele finalmente apareceu. É aquele cara ali.
.— Como você tem certeza?
.— O perfil. Impossível não ser.
.— Só por causa do cabelo?
.— Não. Tem mais. Veja o posicionamento dele. Ele está prestes a levantar e fazer uma pergunta para os palestrantes. Típico. Ele está discordando de tudo.
.— Sei.
.— Mas não quer admitir. Ele finge ser um burguês. Perceba o óculos. Quase que me engana. Mas ele tem, pode apostar, uma tese leninista para cada argumento do palestrante.
.— Que argumento? O cara só fala da vida dele.
.— Mais uma tese. A família. A obsessão pela tradição familiar. Você não perde por esperar.
.— Sei.
.— Veja! Ele está levantando.
.— E?
.— Meu Deus, ele está vindo na nossa direção! Não disse?! Ele nos descobriu! E agora, o que faremos?
.— Vamos nos defender? Dá um tempo, o cara se levantou, e daí?
.— Não vai dar outra. A direção é uma só.

[O homem chega perto e se abaixa discretamente]

.— Por favor, vocês sabem onde fica o banheiro do hotel?
.— Ali, à direita, depois à esquerda.
.— Muito obrigado.

[Silêncio de um minuto]

.— Não disse? Um baita d'um leninista.
 

Recados filosóficos I
Quando eu viajar, por favor Hegel minhas plantas.

Recados filosóficos II
Quem Kant seus Marx's espanta.

Classificados
Vendo minha dignidade. Troco esperança por comida. É de sonhos que faço minha vida, mas não seria nada mal um feijão, só para variar.

Amor incondicional
Para se amar uma pessoa de forma incondicional é preciso não conhecê-la em todos os seus detalhes.

Haikai
Santa Maria
Santa Ceia
Santa, sei.
.

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Março.]
.
Haikai
Fatalidade
Morreu
de tanto viver

Poemeu
O amor transforma a dor
É transformador
É trans-formador
Transita e reforma a dor
Que é a mesma
Sempre.

Coisas que gostaríamos de ouvir

 — Próxima estação: Carioca. Observe atentamente o espaço entre o trem e a plataforma.

[silêncio, dois minutos]

 — Descreva duas conclusões acerca de sua observação e trace um paralelo entre este espaço e o vazio da pós-modernidade sob o aspecto do construtivismo.

*

 — Os assentos de cor laranja são preferenciais para portadores de deficiência, idosos, gestantes, pessoas com crianças de colo ou alguém que goste muito de laranja. Seja solidário.

*

 — Desembarque pelo lado esquerdo, com atalhos ao centro e à direita moderada.

*

Hai-kai
A mesa
não é nada
sem o sofá
.
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Fevereiro.]
.
Quando a lampadazinha aparece

Desespero de escritor deve ser quando aparece a idéia no meio do banho.

— Que isso, Luis? Toma vergonha, andando pelado pelo meio da casa? Luis, você tá todo molhado! Pelamordedeus, homem, esse computador vai dar um curto-circuito.

— Agora não, Marisa. Agora não.

*

Só para complicar

— Zé, suponha que você tem vinte laranjas.

— Ih, seu Rogério, não vai dá não. Janeiro só entra o arroz e o feijão. E olhe lá.

— Zé, é pra supor. Deixa de coisa. Bom, você tem vinte laranjas.

— Supus, seu Rogério.

— Bom, daí dá três para a sua mulher e cinco pra cada filha.

— Supus, supus.

— É nesta hora que aparece o seu irmão e diz que tá te dando dez laranjas de presente, mas que 30% é devolução para alguém na sua casa. E agora, Zé, quantas laranjas têm, na média, as suas filhas?

— Pô, seu Rogério, impossível de saber, né?

— É verdade, você me pegou. Como você descobriu tão rápido, Zé?

— Por que você não disse pro leitor quantas filhas eu tenho.

*

Escritor em crise
Tenho dito. Dois real, vai querer?

Matemático em crise
Um mais um é igual a três. Garantidos, evidentemente, os meus 10%.

Religioso em crise
Se Deus está vivo, não está nem aí.

Jardineiro em crise
Quem quer a rosa que agüente os espinhos.

Oftalmologista em crise
Não, senhor. Olhar não é de graça.

Assaltante em crise
Não se preocupe, tenho 22 anos de experiência.

Veterinário em crise
É desumana essa vida de cachorro.

Engenheiro em crise
Levei dez anos para construir minha vida — e agora perdi tudo.

*

Antropologia

Fecha a porta do elevador. No que o empresário megaengravatado vira para o outro e diz.

— Boa tarde — com formalidade inglesa.

— Bichinha — responde.

Espanto. Ele não sabia nem que cara fazer. Aquela empresa funciona em mais de 100 países. O código de ética é prioridade. "Bichinha". Isso era palavra?

— Como? — tentando atenuar.

— Desculpe, estou fazendo um teste antropológico para saber como as pessoas se portam em situações inusitadas.

Pausa de dois minutos e meio.

— É você.

E sai do elevador correndo.

*

Pensaminto

Viajar é bom, mas a dor do parto é muito grande. 

No que...

...o segurança da rodoviária para a atendente apressada:

— Opa, quer uma segurança aí?

— Vou fazer xixi.

— Sei. Tô sentindo cheiro de perigo.

E por fim

— Por favor, gostaria de comprar uma passagem para o Rio.

— Pois não. R$ 50.

— Ôquei, aqui está.

— Gostaria de adquirir passagem de volta?

— Não, eu sou carioca.

Foi quando ela gentilmente decidiu ver se a nota era falsa. Essas coisas.
 
 
 

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Volta!

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