Poesia
& Prosa
Eu sustento que a única finalidade da ciência está em aliviar a canseira da existência humana. Em vez de serem apenas bons, esforcem-se para criar um estado de coisas que torne possível a bondade; em vez de serem apenas livres, esforcem-se para criar um estado de coisas que liberte a todos! A bondade que não consegue reconhecer seus limites acaba por se negar a si mesma. Do rio que tudo arrasta se diz que é violento / Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. Infeliz do país que precisa de heróis. Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar. Há homens que lutamum
dia, e são bons;
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo. Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar. É da empresa privada o seu passo em frente, seu pão e seu salário. E agora não contentes querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só à humanidade pertence. Só acredite no que os seus olhos vêem e seus ouvidos escutam./ Não acredite nem no que os seus olhos vêem e seus ouvidos escutam./ E saiba que não acreditar ainda é acreditar. |
Bibliografia
do autor
Compilada por: Instituto Goethe Inter Nationes - São Paulo, Biblioteca Jenny K. Segall/Museu Lasar Segall & Arquivo Multimeios/Centro Cultural São Paulo. Leia aqui Destaques Nada é impossível de mudar
Aos que vão nascer
* * * não digam nunca: isso é natural! diante dos acontecimentos de cada dia numa época em que reina a confusão em que corre o sangue em que o arbítrio tem força de lei em que a humanidade se desumaniza não digam nunca: isso é natural! para que nada possa ser imutável! * * * Eu soube que o Chanceler não bebe Não come carne e não fuma E mora em uma casa pequena. Mas também soube que
os pobres
Bem melhor seria um Estado em
que se dissesse:
* * * os alimentos são mordidos pelo fisco averiguar se são bons (...) Perdeu-se a batalha, mas os capacetes foram pagos (...) Homens que não sabem nem abaixar as calças governam impérios. — Azdak - Juiz - O círculo de giz caucasiano * * * Mas não me importei com isso Eu não era negro Em seguida levaram alguns operários
Depois prenderam os miseráveis
Depois agarraram uns desempregados
Agora estão me levando
* * * Se não tens o que comer como pretendes defender-te é preciso transformar todo o estado até que tenhas o que comer e então serás teu próprio convidado. Quando não houver trabalho
para ti
se riem de tua fraqueza
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