Via Campesina realiza atos em todo o país no dia das mulheres

Mulheres da Via Campesina se mobilizaram em todo o país nesta sexta-feira, 7 de março, para exigir justiça social e protestar contra a ação violenta das transnacionais e recentes decisões da CTNBio em relação aos transgênicos. Acompanhe como foram as ações.

Na sexta 7, as mulheres da Via Campesina realizaram ato contra a transnacional Syngenta Seeds no Consulado da Suíça no Rio de Janeiro, país sede desta empresa. As mulheres entregaram uma carta ao Cônsul, exigindo do governo suíço que tome atitudes em relação a esta empresa, sendo responsabilizada pelo ato de violência, crimes ambientais e o apoio na desapropriação da terra onde houve o conflito.

A manifestação faz referência ao fato de a Syngenta Seeds ser responsável pelo assassinato do trabalhador Valmir Mota de Oliveira e pelo ataque ao acampamento da Via Campesina, por via de milícias privadas.

Em São Paulo, as mulheres da Via Campesina ocuparam uma unidade de pesquisa biotecnológico da empresa americana Monsanto e destruíram um viveiro e o campo experimental de milho transgênico, em Santa Cruz das Palmeiras (na altura do km 229 da Anhanguera), no interior de São Paulo, na manhã do mesmo dia.

A Via Campesina protestou contra a liberação de duas variedades de milho transgênico pelo Conselho Nacional de Biossegurança (CTNBio). O governo Lula cedeu às pressões das empresas do agronegócio e liberou, em fevereiro, o plantio e comercialização das variedades Guardian (da linhagem MON810 da Monsanto) e a Libertlink (da alemã Bayer).

Segundo a Via Campesina, a liberação dessas variedades demonstra, mais uma vez, que o governo Lula fez uma opção política pelo agronegócio e pelas grandes empresas estrangeiras da agricultura, deixando de lado a Reforma Agrária e a agricultura familiar.

No Paraná, cerca de 1.500 mulheres da Via Campesina realizaram protestos e mobilizações para denunciar os crimes da Syngenta Seeds, lembrando também a responsabilidade pelo assassinato do trabalhador Valmir Mota de Oliveira e o ataque ao acampamento da Via Campesina, em outubro passado, em Santa Tereza do Oeste, no Paraná. As mulheres se mobilizaram com o lema “Mulheres da Via Campesina em Defesa da Saúde, da Biodiversidade e da Vida!”

Em Londrina, cerca de 300 camponesas protestaram durante todo o dia em frente ao escritório regional da Syngenta, na Av. Tiradentes, esquina com Av. Maringá. À tarde fizeram um ato público, no centro da cidade. No município de Campo Mourão, 300 camponesas também realizaram protestos e ato público em frente ao escritório da empresa, na R. Harrison José Borges, 1201, próximo ao centro.

Na região Oeste, 600 mulheres realizaram uma caminhada entre o trevo de Santa Tereza do Oeste e o campo de experimentos da Syngenta, local do ataque contra os trabalhadores da Via Campesina, que permanecem acampados na área. Durante todo o dia estão previstos depoimentos de viúvas que perderam seus maridos, vítimas da violência do latifúndio no Estado.

Em Ponta Grossa, 200 camponesas protestaram em frente ao escritório regional da Syngenta, na Pça. Marechal Floriano Peixoto. As trabalhadoras distribuiram milho verde crioulo à população em protesto a liberação de duas variedades de milho transgênico pelo Conselho Nacional de Biossegurança.

Na região Centro-Sul, em União da Vitória, 250 camponesas realizam à tarde a Marcha das Mulheres em Defesa da Biodiversidade e contra o Deserto Verde, até a madeireira Miforte, que produz pasta de celulose para exportação. A mobilização denuncia a destruição da mata nativa, que vem sendo praticada há 90 anos pela madeireira, principal responsável pela destruição da Araucária (árvores símbolo do Estado) e Imbuía na região.

Em Brasília, cerca de 400 mulheres também realizaram ato em frente à embaixada da Suíça no Brasil, para manifestar preocupação e indignação com a atuação da transnacional Syngenta Seed no Brasil.

Estava marcada para 9h uma reunião com o embaixador suíço Rudolf Bärfuss. No encontro, as trabalhadoras rurais entregariam uma carta exigindo do governo deste país que responsabilize a Syngenta pelo ato de violência, crimes ambientais e apóie a medida de desapropriação da terra onde houve o conflito.

Os Transgênicos e as transnacionais no Brasil

A expansão dos transgênicos por todo o país tira o controle das sementes dos trabalhadores rurais, passa para as empresas transnacionais e pode inviabilizar a produção de alimentos orgânicos. Um relatório do Greenpeace apontou 39 casos de contaminação e cultivo ilegal de variedades geneticamente modificadas em 23 países. A maior parte deles envolve o cultivo de milho. Desde 2005, já foram identificados 216 eventos de contaminação em 57 países.

Também não existem estudos científicos que garantam que os alimentos transgênicos não têm efeitos negativos para a saúde humana e para a natureza. As dúvidas em relação aos alimentos modificados em laboratórios levam 81,9% do povo brasileiro a rejeitar o plantio de OGMs, de acordo com pesquisa realizada a pedido do Greenpeace.

Atualmente, quatro empresas transnacionais dominam quase todo o mercado de transgênicos no mundo e 49% de todo o mercado de sementes. A Monsanto, por exemplo, detém o controle de 70% da produção de sementes das variedades comerciais de milho no Brasil e agora pode substituí-las por transgênicos.

A Via Campesina denuncia que os transgênicos não são simplesmente organismos geneticamente modificados, mas produtos criados em laboratórios que colocam a agricultura nas mãos do mundo financeiro e industrial. A sociedade não está mais diante da agricultura tradicional, mas de grupos que usam transgênicos para controlar as sementes e impor o uso de insumos e venenos que produzem, privatizando o papel de melhoramento das sementes e cultivo dos camponeses e indígenas.

A proposta das mulheres camponesas para o campo tem base na defesa da soberania alimentar, que prevê que cada país tenha condições de produzir seus alimentos, garantindo sua autonomia criando condições para o combate à fome e ao desenvolvimento da agricultura.


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