Uma excelente reportagem e uma sugestão de pauta

Enquanto as corporações de mídia culpam a chuva pela tragédia em Angra, a TV Brasil exibiu corajosa reportagem criticando a especulação imobiliária e o governo Sérgio Cabral…

Na noite desta segunda-feira, dia 4, a TV Brasil mostrou que está a fim de produzir e veicular um outro tipo de Jornalismo. Em seu principal telejornal, o Repórter Brasil, a emissora exibiu extensa e corajosa reportagem sobre a tragédia ocorrida em Angra dos Reis, mas com uma grande diferença em relação às empresas comerciais: a especulação imobiliária aparece entre os atores causadores das cinquenta mortes.
A TV Brasil foi a campo e entrevistou um vereador da oposição, em Angra, e o deputado estadual Alessandro Molon. Eles criticaram, respectivamente, o desvio de verba da prefeitura municipal, que deveria ser usada na proteção ao meio-ambiente, e o afrouxamento, pelo governador Sérgio Cabral, da legislação que garante a segurança das construções em áreas de encosta. De quebra, o telejornal ainda explicou, didaticamente, como funcionam as autorizações para as intervenções em regiões consideradas de risco.
Enquanto isso, as corporações de mídia culpam a chuva – que não tem assessoria de imprensa e nem verba publicitária. Quem assistiu a esta reportagem do Repórter Brasil não apenas tomou conhecimento de aspectos fundamentais para a compreensão da tragédia em Angra dos Reis. Também entendeu por que é tão importante a existência de veículos de comunicação que não sejam pautados pela lógica comercial, da audiência a qualquer preço.
Novos desastres anunciados
Na última quinzena de 2009, o deputado estadual Marcelo Freixo protagonizou uma discussão importantíssima para o cidadão fluminense, mas que infelizmente ainda não teve grande repercussão nos meios de comunicação (quem sabe a TV Brasil não se interessa?). Trata-se da tentativa de aprovação da lei que amplia a área de proteção do Parque Estadual da Serra da Tiririca – que abrange os municípios de Niterói e Maricá -, cuja votação estava marcada para agosto. A demora, segundo denúncia gravíssima de Marcelo Freixo, ocorre devido a um acordo do prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira, com o presidente da Alerj, Jorge Picciani. A maior beneficiária desse acordo é a especulação imobiliária, que em Niterói está concentrada nas mãos de uma empresa privada chamada Patrimóvel.
Em razão de sua luta pela aprovação da  lei (assinada também pelos deputados Rodrigo Neves e Luiz Paulo), Freixo foi xingado de “leviano” por Jorge Roberto num jornal local. Sua resposta, na mesma moeda, foi dada no dia 15 de dezembro, no plenário da Alerj, e publicada no Diário Oficial.
Quem vive em Niterói, como eu vivo há 30 anos, conhece bem os males da especulação imobiliária. Crescimento desordenado; muita gente sem casa, muita casa vazia; preços exorbitantes dos imóveis; um trânsito cada vez pior (já levei 50 minutos para percorrer 8km); problemas graves de distribuição de água e energia; poluição crescente das praias (incluindo uma das mais belas do mundo, a de Itacoatiara, ameaçada pelos diversos espigões que crescem ao seu redor); saneamento básico comprometido.
Se a sociedade não se mobilizar agora, Niterói pode viver uma tragédia de enormes proporções nos próximos anos. Além, é claro, de as tragédias cotidianas citadas no parágrafo anterior continuarem deteriorando, aos poucos e sem divulgação, a vida de milhares de pessoas. Muitas delas devido a esse profundo caso de amor entre o prefeito e a Patrimóvel.

12 respostas em “Uma excelente reportagem e uma sugestão de pauta”

Quer dizer, então, que ouvir um deputado do PSOL e outro do PT a respeito da tragédia é a receita se fazer bom jornalismo? Dois historiadores são fontes qualificadas para afirmar categoricamente que a especulação imobiliária, e não a chuva, causou o evento? Um dos atingidos em Angra morava no mesmo local há 34 anos. E o que dizer de Paraitinga, onde construções centenárias não resistiram à força das águas? Claro que, no fundo, é tudo culpa do capitalismo…o Freixo garante!

Casas centenárias sem manutenção vão ao chão, chovendo ou não (rimou!), contudo, se se aliarmos a irresponsabilidade do proprietário com a irresponsabilidade dos governos que não criam mecanismos de escoamento das águas, fecham os olhos para o crescimento desordenado das cidades e espremem o pobre-pobre para os barrancos, aí, meu amigo, você acabou de criar um algodão pólvora!
Agora, quem se poderia entrevistar? Os que são a favor da bandalha e do PIG? Poupe-me da superficialidade, Sancho!

Superficialidade? Vc mesmo acaba de dizer que dois deputados de esquerda são suficientes para matar uma charada complexa como esta e vem me atribuir superficialidade. Ouçamos os políticos de oposição sim, mas também os geólogos e climatologistas (muitos disseram a jornais da grande imprensa o que você disse que só viu na TV do Lula). Pura mistificação esquerdista. Vamos então esvaziar os morros do RJ. Todos eles, inclusive o da Mangueira. Vamos implodir Ouro Preto e o entorno. Casas centenárias sem manutenção? Elas caíram com a chuva, meu caro! A igreja matriz, que foi reformada há menos de 10 anos, estava lá há mais de 200 anos!!! Poupe-nos da sua sapiência. E PIG, para mim, é Partido da Igreja da Ganância, coisa que o PHA entende muito bem. E vamos todos rumo ao Granma, cálice sagrado do jornalismo-confecom…

Entre outras coisas, estamos publicamos na próxima edição impressa do Fazendo Media: “Em junho de 2009, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), publicou o decreto estadual 41.921/09, flexibilizando as regras de ocupação da Baia da Ilha Grande, para o deleite da especulação imobiliária. Desde então, movimentos sociais tentam revogá-lo, mas não receberam nenhuma atenção da imprensa hegemônica que hoje cobre a tragédia ocorrida na Costa Verde, na virada do ano”. O texto é de Mariana Vidal.

Agora é moda culpar os corruptores, mas aliviar os corrompidos. A tal Especulação Imobiliária nada conseguiria se não tivesse os corrompidos de plantão a lhes abrir as facilidades legais, a custa de contribuições eleitorais e projetos de Estado, totalmente privatizados, nas mãos desta horrorosa classes dos mega empresarios INSACIÁVEIS.
Assim, a matéria da TV Brasil é muito cômoda para o governo federal e seus aliados (Cabral, prefeito de Angra, ex prefeitos de Angra (Do PT ou de aliados).
Parece que não foi o Governo de Sérgio Cabral que impôs decreto que, agora, disse que iria rever, aumentando a ocupação de risco na região de Angra (embora seus efeitos ainda não se fizeram sentir). Parece que Angra não é administrada desde a década de 80 pelo PT e aliados. Parece que ninguém tem nada a ver com nada, que os empresários da especulação imobiliária estavam fazendo tudo sem a complascência covarde e corrupta das “otoridades”.
Aqui em Niterói parece que vamos pelo mesmo caminho.Querem denunciar a Especulação Imobiliária, sem identificar o Chefe da Quadrilha, que se chama, a meu ver e sob a minha responsabilidade pessoal tal afirmação (baseado em pesquisa factual na internet), Jorge Roberto da Silveira.
Assim, vão se arranjando culpados tipo Empresas tipo S.A, excluindo da lista de algozes, os politicos e administradores deste País, Estados e Municípios, todos com nome facilmente apontáveis e vivendo de reeleições.
De minha parte, e sem querer ensinar o bom jornalismo a ninguém (pois sou veterinário, mas não nasci prá bobo), as matérias que faltaram poderiam levar os seguintes títulos
1) Onde estão os ricos de Angra dos Reis? – Podia se referir a completa omissão no soccorro e ajuda financeira e humanitária aos atingidos pela tragédia, por parte dos que vivem a exaltar, usufruir e legislar sobre Angra dos Reis. Alguns deles: Ivo Pitanguy, Luciano Hulk e Angélica, Eike Batista, Aécio Neves, Julio Lopes, e nove entre cada dez socialights brasileiros.
2) Cadê os alojamentos? – As condições de verdadeiros depósitos humanos que se tornaram os colégios e galpões, imundos e sem infra estrutura, poderiam ser substituídas pelas instalações da Escola Naval, em Angra (com 300 lugares – só para cadetes -e mais 30% disso para outras patentes, de alojamento, com cozinha industrial, instalações sanitárias e…abrigo). Isso, só nesta unidade poderia ser transformado em 900 lugares tranquila e rapidamente, ainda mais por se tratar do período de férias dos Cadetes da Marinha. Em Ubatuba, temos instalações não só da Marinha como do Exército. Há cerca de 100 Km em linha reta, temos toda a estrutura do IV Exército na Av Brasil, também sem contigentes, no momento, e com as suas instaçlções às moscas. As pessoas poderiam ser levadas de helicóptero, em operação que não demoraria mais de um dia ou dois, eque traria grande conforto para os vitimados..
3) Os Rotos e os Esfarrapados – Referentes aos políticos e governos que querem se mostrar antagônicos, mas quando se trata do bem estar da população são cheios de economia e burocracia (até para liberar cadáveres, para enterros, ou recebimento de ajudaemergendcial, por terem perdido seus bens e moradia). Quem sabe o próprio governo não poderia bancar lugares nos hóteis e pousadas, vazias pelo sinistro em Angra, para alojar ao menos alguns dasfamílias vitimadas, para cuidaremm de seusm interesses e continuarem suas vidas em Angra (empregos, etc..).
É preciso divulgar o fato que, das verbas alocadas para a prevenção das enchentes, no orçamento federal de 2009, apenas 20%, isso mesmo, 20% foi utilizada, sendo que 50% (= 10% do Total) foi para a Bahia do ministro de Lulla, Gedel Vieira, e candidato ao governo bahiano, em 2010, apoiando Lulla-Dilma para a presidência, mas certamente (como outras vezes) se acetando, caso Serra ganhe..
Assim, uma leitura jornalisticamente avançada, a meu ver, não pode cair neste Conto do Vigário da TV Brasil que, açodado em culpar os corruptores, alivia a barra dos corrompidos.
Para mim, era Paredón para todos! Ou a imediata expropriação dos bens desta gente, para fazê-los viver como pobres ou remediados, como a maioria do Povo, que ignoram solenemente e se recusam a ajudar, mesmo nestes momentos trágicos.
Obrigado pela leitura.
Raymundo

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