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Um cruzado íntegro. Também para a mídia?

Segundo relatos de mídia, o assassino confesso de cerca de 80 pessoas na Noruega, Anders Behring Breivik, se descrevia como um “cruzado íntegro imbuído da missão de salvar o ‘Cristianismo’ europeu de uma invasão islâmica”.

Ele atirou em jovens militantes de centro-esquerda sabendo que era um ato “atroz”, mas o fez porque era “necessário”.

Se fosse um homem-bomba em sua cruzada contra o ‘Ocidente’, Breivik seria rapidamente classificado como “terrorista muçulmano”.

No entanto, como o norueguês se considerava cristão e era de extrema-direita, foi classificado por grande parte da grande mídia apenas como “atirador” ou “assassino”.

Alguns meios chegaram a cogitar, em um primeiro momento, que a ação estaria ligada ao Islã.

Tamanha inversão, que chega ao nível do ridículo, é a manifestação mais eloquente de que o preconceito contra o Islã está mais vivo do que nunca.

Por Gustavo Barreto

Jornalista, 39, com mestrado (2011) e doutorado (2015) em Comunicação e Cultura pela UFRJ. É autor de três livros: o primeiro sobre cidadania, direitos humanos e internet, e os dois demais sobre a história da imigração na imprensa brasileira (todos disponíveis clicando aqui). Atualmente é estudante de Psicologia. Acesse o currículo lattes clicando aqui. Acesse também pelo Facebook (fb.com/gustavo.barreto.rio) e Twitter (@gustavobarreto_).

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