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Um crime midiático pode ter acontecido ontem

A morte da enfermeira Marizete Borges de Abreu, 43, ontem, quinta feira (31/1) com suspeita de febre amarela vacinal, é a prova mais cabal de que transformar suas posições políticas em terrorismo midiático é arriscado e execrável. Por Renato Rovai (*).

Os tagarelas da imprensa que deveriam calar a boca para não engolir mosca às vezes não calculam o quanto é importante ser responsável na hora de escrever algo com dimensão pública.

A morte da enfermeira Marizete Borges de Abreu, 43, ontem, quinta feira (31/1) com suspeita de febre amarela vacinal, é a prova mais cabal de que transformar suas posições políticas em terrorismo midiático é arriscado e execrável.

Foram muitas as matérias editorializadas onde se estimulava todo brasileiro a ir tomar a vacina contra a febre amarela. Uma clássica coluna assinada por Eliane Catanhêde, ainda no dia 9 de janeiro quando não se contavam as mortes, tornou-se símbolo dessa ação que tentava transformar uma possível nova onda do vírus num drama nacional. Numa ameaça à vida de todo brasileiro.

Às vezes para não parecer que a crítica é leviana faz-se necessário mostrar o pau que matou a cobra. Catanhêde abriu seu texto alertando todo o brasileiro a se vacinar: “Com sua licença, vou usar este espaço para fazer um apelo para você que mora no Brasil, não importa onde: vacine-se contra a febre amarela! Não deixe para amanhã, depois, semana que vem… Vacine-se logo!”. E aproveitou para terminá-lo mais do que politizando a coisa, sendo grosseira: “O fantasma da febre amarela, portanto, paira sobre o país como um alerta num momento crucial, para que a saúde e a educação sejam preservadas antes de tudo o mais. Senão, Lula, o aedes aegypti vem, pica e mata sabe-se lá quantos neste ano –e nos seguintes.” A colunista ainda disse que desde 1942 a febre amarela era considerada extinta do Brasil. No dia 18 de janeiro repercuti o blog do Azenha onde essa afirmação canhestra foi absolutamente desmascarada.

Mas tem mais: o próprio ombudsman da Folha escreveu coluna dominical onde perguntava por que as estatísticas divulgadas pelo jornal começavam e acabavam no governo Lula. Se, por exemplo, no ano 2000, o sexto do exercício de FHC e da aliança demotucana foram 85 casos do vírus e 42 mortes. Isso também estava no post publicado pelo Azenha.

Pois é, não estou aqui responsabilizando ninguém individualmente pela morte da enfermeira Marizete. Não considero que ela foi picada por algum colunista aedes aegypti. Não me parece adequado fazer afirmação leviana como essa. Aliás, a causa da morte da enfermeira ainda está no campo das suspeitas. Daqui a pouco pode-se chegar a conclusão diferente sobre o que se passou. Isso não muda minha opinião sobre o que escreveram certos colunistas e a meu ver não lhes dá salvo-conduto nesse episódio.

Terrorismo midiático é o nome desse tipo de ação promovida a cada tempo. Essas em geral são realizadas por algumas colunas-bombas, assinadas por alguns “corajosos colunistas”. Não há graça nenhuma nisso. Mas tem gente que parece se divertir em participar desse tipo de movimento. Acho-o um perigo à democracia e à sociedade.

(*) Renato Rovai é editor da revista Fórum outro mundo em debate. Original aqui.

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