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Um cenário de lutas capitais

Um cenário de lutas capitais

O Estado financia as vacinas

E, depois, farmacêutica as privatiza

Drogas são um pretexto homicida

De extermínio de Negros favelado

O tirano tem sempre um ponto fraco

Não detém o relógio, poder é fugaz

Na mentira, reside o poder das armas

O problema é que tem a perna curta

Os fardados, os crentes têm seu lugar

Gestão pública é tarefa dos civis

Duas vezes mantém-se a grave falta

Quem, além de fazê-la, ousa negá-la

Negros, pobres são a Bastilha brasileira:

Apenados em massa sem processo

Constantine ressoa a voz do Morro

Testemunha o sofrer e seu lutar

Nunca é mínimo o Estado pros “de cima”

A elite dele o máximo sempre extrai

Ai do povo que confia seu destino

Ao poder dos tiranos e das armas

O espaço virtual me faz beldade

Causo assombro, porém, quando apareço

Pós-verdade tem barreira intransponível

Se desmancha, de vez, ante o real

O cuidado que tenho com meu corpo

Não depende da cor do meu cabelo

Não enquanto apostarem em armamentos

Os humanos não serão humanizados

Quer de gente, animais, de drogas ou armas

Que o tráfico se extinga, na raiz

Lideranças do tráfico moram em mansões

Na favela, varejistas, negros, pobres

O Estado- Milícia é expressão

Da barbárie imposta aos favelados

Violência, terror e repressão

Que presença estatal há nas favelas?

Lava-jato em livros, retratada

O suspeito, o parcial e o julgado

Se à Natura imputo valor de troca

Me aniquilo qual ser, qual natureza

Milagrosos, os filtros digitais

Chega a hora sem truques de me ver

O Ocidente não tem qualquer moral

De erigir-se em modelo de governança

Qual bom vinho que melhora, ao envelhecer

Assim faz-se o/a aprendiz do dia-a-dia

Imagine a Polícia espanhola

Fuzilando avião presidencial

Num país que alimenta o mundo inteiro

O feijão, de tão caro, se nega ao pobre

Se o exército da Pátria pela vida

Porque, então, graves crimes silencia?

Israel hoje faz com os palestinos

O que Hitler fazia com os judeus

Sai às ruas o povo colombiano

E no Chile também seguem os protestos

Mesmo estando em tempo de pandemia

Assistimos, passivos, à ruína?

João Pessoa, 10 de maio 2021

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