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Sementes do poder

A Monsanto produz 90% dos transgênicos plantados no mundo e é líder no mercado de sementes. Tal hegemonia coloca a multinacional norte-americana no centro do debate sobre os benefícios e os riscos do uso de grãos geneticamente modificados. Para os defensores da manipulação dos genes, a Monsanto representa o futuro promissor da “revolução verde”. Para ecologistas e movimentos sociais ligados a pequenos agricultores, a empresa é a encarnação do mal. Reportagem de Christina Palmeira para a revista Carta Capital, 20/03/2008.

Sementes do poder

A Monsanto produz 90% dos transgênicos plantados no mundo e é líder no mercado de sementes. Tal hegemonia coloca a multinacional norte-americana no centro do debate sobre os benefícios e os riscos do uso de grãos geneticamente modificados. Para os defensores da manipulação dos genes, a Monsanto representa o futuro promissor da “revolução verde”. Para ecologistas e movimentos sociais ligados a pequenos agricultores, a empresa é a encarnação do mal. Reportagem de Christina Palmeira para a revista Carta Capital, 20/03/2008.

Esse último grupo acaba de ganhar um reforço a seus argumentos. Resultados de um trabalho de três anos de investigação da jornalista francesa Marie-Monique Robin, o livro Le Monde Selon Monsanto (O Mundo Segundo a Monsanto) e o documentário homônimo são um libelo contra os produtos e o lobby da multinacional.

O trabalho cataloga ações da Monsanto para divulgar estudos científicos duvidosos de apoio às suas pesquisas e produtos, a exemplo do que fez por muitos anos a indústria do tabaco, relaciona a expansão dos grãos da empresa com suicídios de agricultores na Índia, rememora casos de contaminação pelo produto químico PCB e detalha as relações políticas da companhia que permitiram a liberação do plantio de transgênicos nos Estados Unidos. Em 2007, havia mais de 100 milhões de hectares plantados com sementes geneticamente modificadas, metade nos EUA e o restante em países emergentes como a Argentina, a China e o Brasil.

Marie-Monique Robin, renomada jornalista investigativa com 25 anos de experiência, traz depoimentos inéditos de cientistas, políticos e advogados. A obra esmiúça as relações políticas da multinacional com o governo democrata de Bill Clinton (1993-2001), e com o gabinete do ex-premier britânico Tony Blair. Entre as fontes estão ex-integrantes da Food and Drug Administration (FDA), a agência responsável pela liberação de alimentos e medicamentos nos EUA.

A repórter, filha de agricultores, viajou à Grã-Bretanha, Índia, México, Paraguai, Vietnã, Noruega e Itália para fazer as entrevistas. Antes, fez um profundo levantamento na internet e baseou sua investigação em documentos on-line para evitar possíveis processos movidos pela Monsanto. A empresa não deu entrevista à jornalista, mas, há poucas semanas, durante uma apresentação em Paris de outro documentário de Robin, uma funcionária da multinacional apareceu e avisou que a companhia seguia seus passos. Detalhe: a sede da Monsanto fica em Lyon, distante 465 quilômetros da capital francesa.

Procurada por CartaCapital, a Monsanto recusou-se a comentar as acusações no livro. Uma assessora sugeriu uma visita ao site da Associação Francesa de Informação Científica, onde há artigos de cientistas com críticas ao livro de Robin. A revista, devidamente autorizada pelo autor, reproduz na página 11 trechos do artigo de um desses cientistas, Marcel Kuntz, diretor do Centro Nacional de Pesquisa Científica de Grenoble.

Não é de hoje, mostra o livro, que herbicidas da Monsanto causam problemas ambientais e sociais. Robin narra a história de um processo movido por moradores da pequena Anniston, no Sul dos EUA, contra a multinacional, dona de uma fábrica de PCB fechada em 1971. Conhecida no Brasil como Ascarel, a substância tóxica era usada na fabricação de transformadores e entrava na composição da tinta usada na pintura dos cascos das embarcações. Aqui foi proibida em 1981.

A Monsanto, relata a repórter, sabia dos efeitos perversos do produto desde 1937. Mas manteve a fábrica em funcionamento por mais 34 anos. Em 2002, após sete anos de briga, os moradores de Anniston ganharam uma indenização de 700 milhões de dólares. Na cidade, com menos de 20 mil habitantes, foram registrados 450 casos de crianças com uma doença motora cerebral, além de dezenas de mortes provocadas pela contaminação com o PCB. Há 42 anos, a própria Monsanto realizou um estudo com a água de Anniston: os peixes morreram em três minutos cuspindo sangue.

Robin alerta que os tentáculos da Monsanto atingem até a Casa Branca. A influência remonta aos tempos da Segunda Guerra Mundial e ao período da chamada Guerra Fria. Donald Rumsfeld, ex-secretário de Defesa do governo Bush júnior, dirigiu a divisão farmacêutica da companhia. A multinacional manteve ainda uma parceria com os militares. Em 1942, o diretor Charles Thomas e a empresa ingressaram no Projeto Manhattan, que resultou na produção da bomba atômica. O executivo encerrou a carreira na presidência da Monsanto (1951-1960).

Na Guerra do Vietnã (1959-1975), a empresa fornecia o agente laranja, cujos efeitos duram até hoje. A jornalista visitou o Museu dos Horrores da Dioxina, em Ho Chi Minh (antiga Saigon), onde se podem ver os efeitos do produto sobre fetos e recém-nascidos.

Na cidade de Anniston, sul dos EUA, com menos de 20 mil habitantes, foram registrados 450 casos de crianças com uma doença motora cerebral, além de dezenas de mortes provocadas pela contaminação com o PCB. Monsanto sabia dos efeitos perversos do produto desde 1937, mas manteve a fábrica em funcionamento por mais 34 anos

Alan Gibson, vice-presidente da associação dos veteranos norte-americanos da Guerra do Vietnã, falou à autora dos efeitos do agente laranja: “Um dia, estava lavando os pés e um pedaço de osso ficou na minha mão”.

Boa parte do trabalho de Robin é dedicada a narrar as pressões sofridas por pesquisadores e funcionários de órgãos públicos que decidiram denunciar os efeitos dos produtos da empresa. É o exemplo de Cate Jenkis, química da EPA, a agência ambiental dos Estados Unidos.

Em 1990, Jenkis fez um relatório sobre os efeitos da dioxina, o que lhe valeu a transferência para um posto burocrático. Graças à denúncia da pesquisadora, a lei americana mudou e passou a conceder auxílio a ex-combatentes do Vietnã. Após longa batalha judicial, Jenkis foi reintegrada ao antigo posto.

Há também o relato de Richard Burroughs, funcionário da FDA encarregado de avaliar o hormônio de crescimento bovino da Monsanto. Burroughs diz ter comprovado os efeitos nocivos do hormônio para a saúde de homens e animais e constatou que, com o gado debilitado, os pecuaristas usavam altas doses de antibióticos. Resultado: o leite acabava contaminado. Burroughs, conta a jornalista, foi demitido. Mas um estudo recente revela que a taxa de câncer no seio entre as norte-americanas com mais de 50 anos cresceu 55,3% entre 1994, ano do lançamento do hormônio nos Estados Unidos, e 2002.

Segundo Robin, a liberação das sementes transgênicas nos Estados Unidos foi resultado do forte lobby da empresa na Casa Branca, principalmente durante o governo Clinton. Uma das “coincidências”: quem elaborou, na FDA, a regulamentação dos grãos geneticamente modificados foi Michael Taylor, que nos anos 90 fora um dos vice-presidentes da Monsanto.

A repórter se detém sobre o “princípio da equivalência em substância”, conceito fundamental para regulamentação dos transgênicos em todo o mundo. A fórmula estabelece que os componentes dos alimentos de uma planta transgênica serão os mesmos ou similares aos encontrados nos alimentos “convencionais”.

Robin encontrou-se com Dan Glickman, que foi secretário de Estado da Agricultura do governo Clinton, responsável pela autorização dos transgênicos nos EUA. Glickman confessou, em 2006, ter mudado de posição e admitiu ter sido pressionado após sugerir que as companhias realizassem testes suplementares sobre os transgênicos. As críticas vieram dos colegas da área de comércio exterior.

Houve pressões, segundo o livro, também no Reino Unido. O cientista Arpad Pusztai, funcionário do Instituto Rowett, um dos mais renomados da Grã-Bretanha, teria sido punido após divulgar resultados controversos sobre alimentos transgênicos. Em 1998, Pusztai deu uma entrevista à rede de tevê BBC. Perguntado se comeria batatas transgênicas, disparou: “Não. Como um cientista que trabalha ativamente neste setor, considero que não é justo tomar os cidadãos britânicos por cobaias”. Após a entrevista, o contrato de Pusztai foi suspenso, sua equipe dissolvida, os documentos e computadores confiscados. Pusztai também foi proibido de falar com a imprensa. No artigo reproduzido à página 11, Kuntz afirma que o cientista perdeu o emprego por não apresentar resultados consistentes que embasassem as declarações à imprensa.

Pusztai afirma que só compreendeu a situação, em 1999, ao saber que assessores do governo britânico haviam ligado para a direção do instituto no dia da sua demissão. Em 2003, Robert Orsko, ex-integrante do Instituto Rowett, teria confirmado que a “Monsanto tinha ligado para Bill Clinton, que, em seguida, ligou para Tony Blair”. E assim o cientista perdeu o emprego.

Nas viagens por países emergentes, Robin colheu histórias de falta de controle no plantio de transgênicos e prejuízos a pequenos agricultores. No México, na Argentina e no Brasil, plantações de soja e milho convencionais acabaram contaminadas por transgênicos, o que forçou, como no caso brasileiro, a liberação do uso das sementes da Monsanto (que fatura com os royalties).

De acordo com a jornalista, o uso da soja Roundup Ready (RR), muito utilizada no Brasil e na Argentina, acrescenta outro ganho à Monsanto, ao provocar o aumento do uso do herbicida Roundup. Na era pré-RR, a Argentina consumia 1 milhão de litros de glifosato, volume que saltou para 150 milhões em 2005. De lá para cá, a empresa suprimiu os descontos na comercialização do pesticida, aumentando seus lucros.

Um dos ícones do drama social dos transgênicos, diz o livro, é a Índia. Entre junho de 2005 (data da introdução do algodão transgênico Bt no estado indiano de Maharashtra) e dezembro de 2006, 1.280 agricultores se mataram. Um suicídio a cada oito horas. A maioria por não conseguir bancar os custos com o plantio de grãos geneticamente modificados.

Robin relata a tragédia desses agricultores, que, durante séculos, semearam seus campos e agora se vêm às voltas com a compra de sementes, adubos e pesticidas, num círculo vicioso que termina em muitos casos na ingestão de um frasco de Roundup.

A jornalista descreve ainda o que diz ser o poder da Monsanto sobre a mídia internacional. Cita, entre outros, os casos dos jornalistas norte-americanos Jane Akre e Steve Wilson, duramente sancionados por terem realizado, em 1996, um documentário sobre o hormônio do crescimento. No país da democracia, a dupla se transformou em símbolo da censura.

Os cientistas, conta o livro, são freqüentemente “cooptados” pela gigante norte-americana. Entre os “vendidos” está o renomado cancerologista Richard Doll, reconhecido por trabalhos que auxiliaram no combate à indústria do tabaco. Doll faleceu em 2005. No ano seguinte, o jornal britânico The Guardian revelou que durante 20 anos o pesquisador trabalhou para a Monsanto. Sua tarefa, com remuneração diária de 1,5 mil dólares, era a de redigir artigos provando que o meio ambiente tem uma função limitada na progressão das doenças. Foi um intenso arquiteto do “mundo mágico” da Monsanto.

Para Marcel Kuntz, do Centro Nacional de Pesquisa de Grenoble, livro não tem fundamento

O livro e o documentário de Marie-Monique Robin são apresentados como a conclusão de uma “investigação magistral e alarmante” que revelaria um “projeto hegemônico a ameaçar a segurança alimentar no mundo e o equilíbrio do planeta”. Considero ser nossa responsabilidade alertar os leitores e espectadores sobre as alegações pouca fundamentadas da autora.

As linhas gerais do trabalho da jornalista podem ser sintetizadas da seguinte maneira: a) As biotecnologias são intrinsecamente perigosas. b) Os riscos não são avaliados como deveriam ser. c) Esta insuficiência é creditada à influência da Monsanto nas fases de avaliação.

Um dos exemplos dessa pressão seria a punição a Arpad Pusztai, por conta de seus alertas sobre os perigos dos organismos geneticamente modificados. Em 10 de agosto de 1998, Pusztai anunciou na televisão britânica que estava prestes a provar que as plantas transgênicas poderiam provocar efeitos inesperados.

Tratava-se de um tipo de batata experimental que não pertencia à Monsanto. Que o anúncio tenha provocado excitação na mídia é surpreendente porque, em passado recente, três variedades de batata convencional não puderam ser comercializadas por conta da presença de substâncias tóxicas, sem que isso tenha despertado a atenção da imprensa.

Além disso, se uma variedade de transgênico revela-se, durante o estudo, imprópria para consumo, ela não seria comercializada, sem que isso prejudicasse outros organismos modificados: as avaliações são feitas e devem ser feitas caso a caso.

Ao contrário do que diz o filme, o diretor do instituto de pesquisa não estava informado sobre os resultados do seu pesquisador. Mergulhado nos telefonemas da imprensa no dia seguinte à entrevista, incapaz de responder, ele faz uma investigação que lhe sugere que nenhum dado confiável encontrava-se nas mãos de Pusztai. O pesquisador, aliás, nunca publicou em um jornal científico suas afirmações midiáticas.

Este é só um ponto a ser questionado. Em resumo, o filme apresenta cenas e eventos dramáticos, realiza uma seleção parcial da informação e designa um culpado: os transgênicos. Está recheado de alegações pseudocientíficas. A jornalista, sem instrumentos para fazer a triagem entre o verdadeiro e o falso no plano científico, mostra-se permeável apenas aos argumentos contrários aos organismos geneticamente modificados e expõe aos telespectadores a imagem de um mundo binário, com bons e maus.

Texto extraído de artigo publicado no site da Associação Francesa de Informação Científica (original)

Segundo biólogo, pesticida Roundup provoca abortos e nascimentos prematuros

Gilles-Éric Séralini, professor de biologia molecular da Universidade de Caen, fala dos efeitos dos pesticidas e dos transgênicos. E diz ter sido pressionado a não continuar com os estudos sobre os produtos da Monsanto.

CartaCapital: O senhor realizou uma série de estudos para avaliar o impacto do Roundup na saúde. Por que o senhor decidiu estudar o produto da Monsanto?
Gilles-Éric Séralini: Meu trabalho é sobre os efeitos dos pesticidas na saúde e entre os pesticidas, o Roundup é o mais utilizado no mundo. Seus resíduos (ou os produtos concorrentes que lhe copiam) transformaram-se nos principais poluidores das águas dos rios e da superfície. Além disso, ele entra na composição da maioria das sementes transgênicas, como a da soja, e isso o transforma em um poluente alimentar corrente.

CC: Quais as principais conclusões de suas pesquisas com o Roundup?
GES: Casais de agricultores que utilizaram o produto na América do Norte apresentaram problemas de abortos naturais ou de nascimento de prematuros. Então, testamos o Roundup com diluições infinitesimais (de 100 mil vezes do produto vendido no comércio) sobre as células da placenta humana, embriões humanos e de células do cordão umbilical do recém-nascido. Em todos os casos, aparecem efeitos tóxicos em dois ou três dias. Em períodos mais curtos, a formação dos hormônios sexuais úteis para a formação do bebê foi reduzida.

CC: Quais os principais riscos do Roundup?
GES: Acredito que ele pode, talvez, ser um perturbador hormonal, mesmo que isso ainda não esteja totalmente provado no indivíduo adulto. E é muito mais tóxico do que imaginávamos.

CC: O senhor enfrentou problemas durante suas pesquisas?
GES: As pesquisas estavam inscritas no programa do Instituto Nacional da Pesquisa Agronômica(Inra), agora não estão mais. A Monsanto diz que não contesta as nossas publicações (que estão em revistas científicas de alto nível), mas a interpretação.

CC: No livro, Marie-Monique Robin revela que nenhum dos seus alunos quis aparecer ao seu lado durante as filmagens. É verdade?
GES: Meus estudantes são orgulhosos de trabalhar ao meu lado. Mas se expor na mídia no momento em que eles ainda não têm um cargo definitivo lhes parecia arriscado. Principalmente por se tratar de assunto controverso, que incomoda os poderes públicos, os organismos de pesquisa. Muitos pesquisadores têm medo da polêmica em torno desses assuntos e se protegem. (original)

Fonte: Carta Capital, 20/03/2008

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Algodão convencional mostra melhores resultados

Agência Chasque – Pesquisadores da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, realizaram pesquisas com sementes de algodão convencionais e transgênicas e concluíram que as híbridas obtiveram melhor resultado do que as geneticamente modificadas. Eles compararam diversas variedades, incluindo algodão não transgênico e algodão geneticamente modificado para tolerar a aplicação de herbicidas ou para produzir seu próprio inseticida.

As convencionais proporcionaram maiores produções e lucros do que variedades transgênicas como a RR da Monsanto, tolerante ao herbicida Roundup. Segundo os pesquisadores norte-americanos, os resultados mostram que os agricultores podem lucrar mais com cultivos de algodão convencionais, ao mesmo tempo em que evitam as incertezas da engenharia genética.

Via Campesina realiza atos em todo o país no dia das mulheres

Mulheres da Via Campesina se mobilizaram em todo o país nesta sexta-feira, 7 de março, para exigir justiça social e protestar contra a ação violenta das transnacionais e recentes decisões da CTNBio em relação aos transgênicos. Acompanhe como foram as ações.

Na sexta 7, as mulheres da Via Campesina realizaram ato contra a transnacional Syngenta Seeds no Consulado da Suíça no Rio de Janeiro, país sede desta empresa. As mulheres entregaram uma carta ao Cônsul, exigindo do governo suíço que tome atitudes em relação a esta empresa, sendo responsabilizada pelo ato de violência, crimes ambientais e o apoio na desapropriação da terra onde houve o conflito.

A manifestação faz referência ao fato de a Syngenta Seeds ser responsável pelo assassinato do trabalhador Valmir Mota de Oliveira e pelo ataque ao acampamento da Via Campesina, por via de milícias privadas.

Em São Paulo, as mulheres da Via Campesina ocuparam uma unidade de pesquisa biotecnológico da empresa americana Monsanto e destruíram um viveiro e o campo experimental de milho transgênico, em Santa Cruz das Palmeiras (na altura do km 229 da Anhanguera), no interior de São Paulo, na manhã do mesmo dia.

A Via Campesina protestou contra a liberação de duas variedades de milho transgênico pelo Conselho Nacional de Biossegurança (CTNBio). O governo Lula cedeu às pressões das empresas do agronegócio e liberou, em fevereiro, o plantio e comercialização das variedades Guardian (da linhagem MON810 da Monsanto) e a Libertlink (da alemã Bayer).

Segundo a Via Campesina, a liberação dessas variedades demonstra, mais uma vez, que o governo Lula fez uma opção política pelo agronegócio e pelas grandes empresas estrangeiras da agricultura, deixando de lado a Reforma Agrária e a agricultura familiar.

No Paraná, cerca de 1.500 mulheres da Via Campesina realizaram protestos e mobilizações para denunciar os crimes da Syngenta Seeds, lembrando também a responsabilidade pelo assassinato do trabalhador Valmir Mota de Oliveira e o ataque ao acampamento da Via Campesina, em outubro passado, em Santa Tereza do Oeste, no Paraná. As mulheres se mobilizaram com o lema “Mulheres da Via Campesina em Defesa da Saúde, da Biodiversidade e da Vida!”

Em Londrina, cerca de 300 camponesas protestaram durante todo o dia em frente ao escritório regional da Syngenta, na Av. Tiradentes, esquina com Av. Maringá. À tarde fizeram um ato público, no centro da cidade. No município de Campo Mourão, 300 camponesas também realizaram protestos e ato público em frente ao escritório da empresa, na R. Harrison José Borges, 1201, próximo ao centro.

Na região Oeste, 600 mulheres realizaram uma caminhada entre o trevo de Santa Tereza do Oeste e o campo de experimentos da Syngenta, local do ataque contra os trabalhadores da Via Campesina, que permanecem acampados na área. Durante todo o dia estão previstos depoimentos de viúvas que perderam seus maridos, vítimas da violência do latifúndio no Estado.

Em Ponta Grossa, 200 camponesas protestaram em frente ao escritório regional da Syngenta, na Pça. Marechal Floriano Peixoto. As trabalhadoras distribuiram milho verde crioulo à população em protesto a liberação de duas variedades de milho transgênico pelo Conselho Nacional de Biossegurança.

Na região Centro-Sul, em União da Vitória, 250 camponesas realizam à tarde a Marcha das Mulheres em Defesa da Biodiversidade e contra o Deserto Verde, até a madeireira Miforte, que produz pasta de celulose para exportação. A mobilização denuncia a destruição da mata nativa, que vem sendo praticada há 90 anos pela madeireira, principal responsável pela destruição da Araucária (árvores símbolo do Estado) e Imbuía na região.

Em Brasília, cerca de 400 mulheres também realizaram ato em frente à embaixada da Suíça no Brasil, para manifestar preocupação e indignação com a atuação da transnacional Syngenta Seed no Brasil.

Estava marcada para 9h uma reunião com o embaixador suíço Rudolf Bärfuss. No encontro, as trabalhadoras rurais entregariam uma carta exigindo do governo deste país que responsabilize a Syngenta pelo ato de violência, crimes ambientais e apóie a medida de desapropriação da terra onde houve o conflito.

Os Transgênicos e as transnacionais no Brasil

A expansão dos transgênicos por todo o país tira o controle das sementes dos trabalhadores rurais, passa para as empresas transnacionais e pode inviabilizar a produção de alimentos orgânicos. Um relatório do Greenpeace apontou 39 casos de contaminação e cultivo ilegal de variedades geneticamente modificadas em 23 países. A maior parte deles envolve o cultivo de milho. Desde 2005, já foram identificados 216 eventos de contaminação em 57 países.

Também não existem estudos científicos que garantam que os alimentos transgênicos não têm efeitos negativos para a saúde humana e para a natureza. As dúvidas em relação aos alimentos modificados em laboratórios levam 81,9% do povo brasileiro a rejeitar o plantio de OGMs, de acordo com pesquisa realizada a pedido do Greenpeace.

Atualmente, quatro empresas transnacionais dominam quase todo o mercado de transgênicos no mundo e 49% de todo o mercado de sementes. A Monsanto, por exemplo, detém o controle de 70% da produção de sementes das variedades comerciais de milho no Brasil e agora pode substituí-las por transgênicos.

A Via Campesina denuncia que os transgênicos não são simplesmente organismos geneticamente modificados, mas produtos criados em laboratórios que colocam a agricultura nas mãos do mundo financeiro e industrial. A sociedade não está mais diante da agricultura tradicional, mas de grupos que usam transgênicos para controlar as sementes e impor o uso de insumos e venenos que produzem, privatizando o papel de melhoramento das sementes e cultivo dos camponeses e indígenas.

A proposta das mulheres camponesas para o campo tem base na defesa da soberania alimentar, que prevê que cada país tenha condições de produzir seus alimentos, garantindo sua autonomia criando condições para o combate à fome e ao desenvolvimento da agricultura.


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Via Campesina ocupa Monsanto e destrói experimentos transgênicos em SP

As mulheres da Via Campesina ocuparam uma unidade de pesquisa biotecnológico da empresa americana Monsanto e destruíram um viveiro e o campo experimental de milho transgênico, em Santa Cruz das Palmeiras (na altura do km 229 da Anhanguera), no interior de São Paulo, na manhã desta sexta-feira (7/3).

A Via Campesina protesta contra a liberação de duas variedades de milho transgênico pelo Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS). O governo Lula cedeu às pressões das empresas do agronegócio e liberou, em fevereiro, o plantio e comercialização das variedades Guardian (da linhagem MON810 da Monsanto) e a Libertlink (da alemã Bayer).

A liberação dessas variedades demonstra, mais uma vez, que o governo Lula fez uma opção política pelo agronegócio e pelas grandes empresas estrangeiras da agricultura, deixando de lado a Reforma Agrária e a agricultura familiar.

A manifestação faz parte da Jornada Nacional de Lutas da Via Campesina, que já mobilizou cinco estados contra o agronegócio. Em 2001, o Greenpeace já havia realizado um protesto nessa mesma área e encontrou plantio ilegal de milho geneticamente modificado.

A expansão dos transgênicos por todo o país tira o controle das sementes dos trabalhadores rurais, passa para as empresas transnacionais e pode inviabilizar a produção de alimentos orgânicos. Um relatório do Greenpeace apontou 39 casos de contaminação e cultivo ilegal de variedades geneticamente modificadas em 23 países. A maior parte deles envolve o cultivo de milho. Desde 2005, já foram identificados 216 eventos de contaminação em 57 países.

Também não existem estudos científicos que garantam que os alimentos transgênicos não têm efeitos negativos para a saúde humana e para a natureza. As dúvidas em relação aos alimentos modificados em laboratórios levam 81,9% do povo brasileiro a rejeitar o plantio de OGMs, de acordo com pesquisa realizada a pedido do Greenpeace.

Atualmente, quatro empresas transnacionais dominam quase todo o mercado de transgênicos no mundo e 49% de todo o mercado de sementes. A Monsanto, por exemplo, detém o controle de 70% da produção de sementes das variedades comerciais de milho no Brasil e agora pode substituí-las por transgênicos.

A Via Campesina denuncia que os transgênicos não são simplesmente organismos geneticamente modificados, mas produtos criados em laboratórios que colocam a agricultura nas mãos do mundo financeiro e industrial. A sociedade não está mais diante da agricultura tradicional, mas de grupos que usam transgênicos para controlar as sementes e impor o uso de insumos e venenos que produzem, privatizando o papel de melhoramento das sementes e cultivo dos camponeses e indígenas.

A proposta das mulheres camponesas para o campo tem base na defesa da soberania alimentar, que prevê que cada país tenha condições de produzir seus alimentos, garantindo sua autonomia e criando condições para o combate à fome e ao desenvolvimento da agricultura.

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Via Campesina realiza atos em todo o país no dia das mulheres

Mulheres da Via Campesina se mobilizaram em todo o país nesta sexta-feira, 7 de março, para exigir justiça social e protestar contra a ação violenta das transnacionais e recentes decisões da CTNBio em relação aos transgênicos. Acompanhe como foram as ações. Clique no título.