Arquivo da tag: sonhos

Retalhos

O que nos une: sentimentos. A vida não pode ser abolida. Não é abolida

Volta a vida cada vez que parece ida

Não estou só

Estou integrado afetivamente

Celebro a minha voz.

Eu faço parte da história deste país

Dois países e mais

Uma história mínima, se se quer, ou máxima

Tristeza, raiva, medo, frustração por sonhos abandonados

A vida é um pouco, não um muito.

É um pouco que é tudo.

É uma beira

Meu Jesus das ruas e das beiras

É breve, e é tudo nessa brevidade

Vou catando pedaços de mim ao te ouvir, ao ver.

O que é que a morte não levou do meu pai?

Ser ele mesmo.

(04/02/2022)

Ilustração: “O tecido do universo”

Mi naturaleza es mi fortaleza.

¿Cómo no sería feliz si soy, si siento?

Si estoy aquí, no puedo tener miedo

Si estoy conmigo, no puedo tener miedo.

Estoy conmigo

Estoy aquí.

Yo me siento, me da placer

Me da placer caminar, sentir mis ropas sobre el cuerpo

¿Cómo no sería feliz si me siento?

No hay nada de malo en mi manera de ser

Al contrario, esa es mi fortaleza

No podría ser de otra manera ni yo querría que fuera diferente

Siendo así, me siento bien, soy feliz.

Mis sueños, mis deseos, mis reacciones, mis pensamientos, mi manera de caminar, mi voz, todo es perfecto

Mis sensaciones, mi manera de mirar, la manera como me relaciono o dejo de hacerlo, todo es exactamente como debería ser.

Todas estas cosas son observaciones sobre la práctica. Aprendizajes que voy haciendo y comprobando.

Yo no puedo (ni quiero, ¡Dios me libre!) ser no yo. Sólo puedo ser yo. Y ser yo me gusta, me hace sentir bien.

Poetar, hacer lo que se me de la gana, todo está bien. Yo soy dueño de mi tiempo. Todos los instantes son míos.

Estar presente significa no tener rencores, odios, rabias, broncas, frustraciones, ni estar tampoco pendiente de lo que pueda llegar a suceder.

La palabra suceder es bien clara. Es lo que viene. Lo que viene no está ahora. Está por venir.

Por supuesto que hago mis planes. Tengo mis proyectos. No son muchos, pero son suficientes. Son la direción de mi vivir. Es adónde voy. Es lo que soy. No tengo proyectos disociados de mi ser. Soy mis proyectos, mi dirección, mi rumbo.

Son lo que hago. Son lo que soy. Son los sueños que tuve y tengo. No soy algo diferente de lo que fui ni soy.

Ilustración: “Flores después de la lluvia”

Esperança Brasil. Brasil esperança.

Fez bem ouvir e ver ontem, o povo reunido.

Artistas, gente partilhando sentimentos e experiências.

Faz bem saber que não estamos sós.

Faz bem escutar as pessoas.

Deixar com que chegue essa outra voz que me acrescenta, me completa.

Todo um Brasil adiado e escanteado, chutado, posto de lado, está aí de pé.

Isto anima. Contagia.

Eu também tive um sonho.

Esse sonho floresceu em um outro espaço e tempo.

Não me ocorre nada especial para dizer.

Apenas agradecer o ar novo que a reunião de ontem me trouxe, de novo.

Primavera é isto.

Ilustração: “Flores depois da chuva.” Pintura do autor.

Papa aos idosos: salvaguardar as raízes, transmitir a fé aos jovens e cuidar dos pequeninos

Por Jane Nogara

“Não existe uma idade para aposentar-se da tarefa de anunciar o Evangelho, da tarefa de transmitir as tradições aos netos. É preciso pôr-se a caminho e, sobretudo, sair de si mesmo para empreender algo de novo”. Assim falou o Papa Francisco na sua Mensagem para o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos que será celebrado no dia 25 de julho próximo

Na manhã desta terça-feira (22) foi divulgada a mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos que será celebrado no 4° domingo de julho, neste ano, no dia 25. O Papa Francisco escreveu sua mensagem colocando-se lado a lado com os idosos, e iniciou afirmando:

“’Eu estou contigo todos os dias’ (cf. Mt 28, 20) é a promessa que o Senhor fez aos discípulos antes de subir ao Céu; e hoje repete-a também a ti, querido avô e querida avó. Sim, a ti! ‘Eu estou contigo todos os dias’ são também as palavras que eu, Bispo de Roma e idoso como tu, gostaria de te dirigir por ocasião deste primeiro Dia Mundial dos Avós e dos Idosos: toda a Igreja está solidária contigo – ou melhor, conosco –, preocupa-se contigo, ama-te e não quer deixar-te abandonado”.

Depois de ter recordado as perdas e sofrimentos por causa da pandemia o Papa consolou:

“O Senhor conhece cada uma das nossas tribulações deste tempo. Ele está junto de quantos vivem a dolorosa experiência de ter sido afastado; a nossa solidão – agravada pela pandemia – não O deixa indiferente”

Francisco explica o motivo pelo qual proclamou justamente neste ano o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos:

“Mesmo quando tudo parece escuro, como nestes meses de pandemia, o Senhor continua a enviar anjos para consolar a nossa solidão repetindo-nos: ‘Eu estou contigo todos os dias’. Di-lo a ti, di-lo a mim, a todos. Está aqui o sentido deste Dia Mundial que eu quis celebrado pela primeira vez precisamente neste ano, depois dum longo isolamento e com uma retomada ainda lenta da vida social: oxalá cada avô, cada idoso, cada avó, cada idosa – especialmente quem dentre vós está mais sozinho – receba a visita de um anjo!”.

Os anjos que ajudam

O Papa recorda que o “anjo enviado por Deus, pode ter o rosto de um familiar, de um conhecido”, mas o Senhor “envia-nos os seus mensageiros também através da Palavra divina, que Ele nunca deixa faltar na nossa vida. Cada dia, leiamos uma página do Evangelho, rezemos com os Salmos, leiamos os Profetas! Ficaremos comovidos com a fidelidade do Senhor”.

Idosos evangelizadores

E alerta os idosos:

“Atenção! Qual é a nossa vocação hoje, na nossa idade? Salvaguardar as raízes, transmitir a fé aos jovens e cuidar dos pequeninos. Não vos esqueçais disto”

E reitera: “Não existe uma idade para aposentar-se da tarefa de anunciar o Evangelho, da tarefa de transmitir as tradições aos netos. É preciso pôr-se a caminho e, sobretudo, sair de si mesmo para empreender algo de novo”. Francisco recorda também que alguns idosos podem até afirmar que não têm condições por um motivo ou outro, porém logo encorajou-os: “Isso é possível – responde o Senhor –, abrindo o próprio coração à obra do Espírito Santo, que sopra onde quer. Com a liberdade que tem, o Espírito Santo move-Se por toda a parte e faz aquilo que quer”.

E citou mais uma vez palavras que já afirmara em outras ocasiões: “Da crise que o mundo atravessa, não sairemos iguais: sairemos melhores ou piores”. “Ninguém se salva sozinho. Devedores uns dos outros. Todos irmãos”.

Três pilares para a nova construção

“Nesta perspectiva – continua o Papa – quero dizer que há necessidade de ti para se construir, na fraternidade e na amizade social, o mundo de amanhã: aquele em que viveremos – nós com os nossos filhos e netos –, quando se aplacar a tempestade. Todos devemos ser ‘parte ativa na reabilitação e apoio das sociedades feridas’”. E sugere três pilares sobre os quais sustentar esta nova construção: os sonhos, a memória e a oração”. E explica:

“A proximidade do Senhor dará – mesmo aos mais frágeis de nós – a força para empreender um novo caminho pelas estradas do sonho, da memória e da oração”

Aliança entre jovens e idosos

Ao falar sobre sonhos dos idosos e visões dos jovens o Pontífice ponderou: “O futuro do mundo está na aliança entre os jovens e os idosos. Quem, senão os jovens, pode agarrar os sonhos dos idosos e levá-los por diante? Mas, para isso, é necessário continuar a sonhar: nos nossos sonhos de justiça, de paz, de solidariedade reside a possibilidade de os nossos jovens terem novas visões e, juntos, construirmos o futuro. É preciso que testemunhes, também tu, a possibilidade de se sair renovado duma experiência dolorosa”.

Recordar é viver

Francisco leva seu pensamento também ao entrelaçamento entre sonhos e memória e afirma: “Penso como pode ser de grande valor a memória dolorosa da guerra, e quanto podem as novas gerações aprender dela a respeito do valor da paz”. “Recordar é uma missão verdadeira e própria de cada idoso: conservar na memória e levar a memória aos outros” afirma o Papa. Depois de recordar Edith Bruck sobrevivente do Holocausto que afirmou ‘mesmo que seja para iluminar uma só consciência, vale a pensa a fadiga de manter a recordação do que foi…. para mim recordar é viver’, o Papa continua encorajando mais uma vez: “Penso também nos meus avós e naqueles de vós que tiveram de emigrar e sabem quanto custa deixar a própria casa, como fazem muitos ainda hoje à procura dum futuro. Talvez tenhamos algum deles ao nosso lado a cuidar de nós. Esta memória pode ajudar a construir um mundo mais humano, mais acolhedor. Mas, sem a memória, não se pode construir; sem alicerces, tu nunca construirás uma casa. Nunca. E os alicerces da vida estão na memória”.

A Oração

Por fim, a oração. “A tua oração é um recurso preciosíssimo: é um pulmão de que não se podem privar a Igreja e o mundo”, disse o Papa. “Sobretudo neste tempo tão difícil para a humanidade em que estamos – todos na mesma barca – a atravessar o mar tempestuoso da pandemia, a tua intercessão pelo mundo e pela Igreja não é vã, mas indica a todos a serena confiança de um porto seguro”.

O Papa Francisco conclui sua mensagem com um auspício: “ Oxalá cada um de nós aprenda a repetir a todos, e em particular aos mais jovens, estas palavras de consolação que ouvimos hoje dirigidas a nós: ‘Eu estou contigo todos os dias’. Avante e coragem! Que o Senhor vos abençoe”.

Fonte: Vatican News

Um sonho compreensível

Vou confidenciar que, há cerca de 5 anos, eu tive um sonho no mínimo intrigante, principalmente diante do conturbado momento atual.
Ele veio depois de intensas leituras sobre o apartheid que acontece atualmente na Palestina, os relatórios que desde os anos 60 declaram a ilegalidade da ocupação israelense e anos de conversas com palestinos nos fóruns sociais mundiais. São atrocidades indescritíveis, disponíveis na Internet.
Estava eu, no sonho, num cenário parecido com a Cisjordânia, talvez, olhando para longe, onde se avistava o exército agressor. Decidi jogar uma pedra em direção a eles e, como resultado, um prédio caiu.
Não me senti bem com aquilo, aquele sonho virou subitamente um pesadelo. Mas eu sabia que eu tinha que escolher um lado, naquele momento. E voltei para meu grupo, os palestinos. Por um breve momento, entendi muito bem o que se passava.

Sonhos…

Contemplar a paisagem bucólica, sentir o sussurro do vento, relembrar imagens, olhares, palavras, rostos, atos e melodias doces de um passado ou esperados para o futuro, alimentam e resgatam em mim a integridade da minha identidade, a criatividade, a harmonia, a paz, a plenitude do amor platônico… sonhos…

Porém, às vezes, vejo-me tão mergulhada em “sonhos distantes”, que quase não consigo acordar para a realidade do meu cotidiano, que, apesar de preciosas vivências, apresentam imperfeições, lutas desgastantes, carências, responsabilidades e compromissos sem fim.

Assim, meus movimentos constantes envolvem descansar os esforços, sonhar os anseios da alma, acolher as saudades, ver o futuro com fé, mas, sobretudo, viver o presente com coragem, sobriedade, fé, verdade e sabedoria, dia após dia.

Que meus sonhos nunca me afastem das pessoas, do mundo ao redor e nem do voto que firmei com Deus de amá-lo com tudo o que sou: meu coração, minha alma, minha força e meu entendimento.

Então, meu desejo é que no profano das ações e pensamentos cotidianos, e também, das paixões e dos sonhos atemporais, eu saiba viver e cultivar o sagrado de cada momento, acolhendo cada sentimento e cada pessoa que fazem parte de meu ser.

Que eu possa sonhar, voar e transcender, sem perder-me de mim, do colo de meu Pai, das relações com as pessoas e da vida ao redor… Esse é meu sonho…