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Qual é o critério editorial?

O comentário do ‘Jornal Nacional’ deste sábado 23 sobre morte da cantora Amy Winehouse: “Vai deixar muitos fãs, né?”

Nenhuma repercussão sobre o fato de uma cantora dependente química e alcoólatra ter perdido a vida tão cedo. Mas tudo bem, vão comentar bastante sobre isso. O que se segue é o problema.

Depois de um bloco inteiro (exclusivo) de Amy, continuaram com a confirmação de pelo menos 92 mortos na tragédia da Noruega. Demoraram bastante para dizer o que poderia ser a manchete: a motivação foi política e o assassino era da crescente extrema direita europeia que ameaça em todos os cantos – incluindo no Brasil – a democracia.

Por falar em barbárie, a crise humanitária na Somália continua matando diariamente. Pelo menos 720 mil crianças podem morrer de fome, segundo alerta do UNICEF, na região conhecida como ‘Chifre da África’ (Somália, Etiópia, Djibuti e Eritreia).

E o que saiu hoje sobre isso? Nada.

Qual é, afinal, o critério editorial que permite esse nível indecente de desprezo pela vida?

O ‘desenvolvimento’ da Humanidade: crise crítica na Somália, quase totalmente ignorada pelos ricos

Mais uma vez o mundo assiste calado a uma das maiores crises da história da Humanidade. A ajuda humanitária tem diminuído. Mas tudo bem, com tanto que a final do campeonato termine com muita emoção ou que os popstars do momento se casem e sejam felizes para sempre. E nós ainda nos declaramos “humanos”.

ONU deve declarar fome em partes da Somália

Por Stephanie Nebehay/Reuters

GENEBRA (Reuters) – A Organização das Nações Unidas (ONU) deve declarar fome em algumas partes do sul da Somália, afirmaram autoridades de ajuda humanitária nesta terça-feira, sinalizando a doadores a necessidade de mais apoio e a insurgentes, que o sofrimento da população está sendo levado a sério.

Homem segura seu filho desnutrido em um assentamento na capital da Somália, Mogadishu. A ONU deve declarar fome em algumas partes do sul da Somália, afirmaram autoridades de ajuda humanitária nesta terça-feira, sinalizando a doadores a necessidade de mais apoio e a insurgentes, que o sofrimento da população está sendo levado a sério. Foto de 19/07/2011. REUTERS/Ismail Taxta

Mark Bowden, coordenador humanitário para a Somália, deve fazer o anúncio na quarta-feira em Nairóbi, com base em novos dados da unidade de análise de nutrição e segurança alimentar relativos ao violento país do Chifre da África.

“Vai ser declarada fome em várias áreas do sul da Somália”, disse à Reuters um funcionário de uma organização de ajuda humanitária com sede em Genebra.

A entidade internacional descreveu a situação da seca na região conhecida como Chifre da África como uma emergência, um nível antes de ser declarada fome, citando níveis calamitosos de desnutrição aguda entre as crianças da Somália que chegam a campos de refugiados no Quênia e Etiópia.

No total, mais de 10 milhões de pessoas foram afetadas e precisam de ajuda emergencial, incluindo 2,85 milhões na Somália, onde uma em cada três crianças sofre de desnutrição, afirmou a ONU.

A fome é definida por uma taxa de mortalidade grave de mais de 2 em cada 10.000 pessoas por dia e taxas de déficit de peso superiores a 30 por cento em crianças com menos de 5 anos, segundo o Unicef.

O casamento do príncipe William e o divórcio da razão; Brasil denunciado em Genebra

Parte da mídia internacional tenta estimar os custos do casamento do príncipe William, um garoto que é sustentado pelo povo britânico. Em média, calculam algo em torno de 40 milhões de dólares.

Enquanto isso, a análise mensal do Escritório das Nações Unidas de Coordenação Humanitária (OCHA), de março de 2011, afirma que a ajuda humanitária para a Somália, país que sofre com conflitos em pelo menos três regiões (entre as quais a capital Mogadíscio), diminui 41% desde 2008. Foram 429 milhões de dólares em 2008, 342 milhões em 2009 e 251 milhões em 2010 (leia aqui o relatório).

Ficam comprometidos, por exemplo, os dias nacionais de imunização de cerca de 1.8 milhões de crianças com até cinco anos, realizados anualmente de 20 a 28 de março.

Outro relatório, também de março de 2011, também detalha estes custos, destacando quem são os doadores e o progresso das doações. O Reino Unido – cujo povo sustenta o casamento do príncipe com sua futura esposa – doou em 2010 apenas 28 milhões de dólares para a Somália. O relatório aponta ainda, por exemplo, que os EUA reduziram em 88% suas doações – de 237 milhões de dólares em 2008 para 29 milhões em 2010 (acesse aqui este relatório).

No total, há atualmente 2.4 milhões de pessoas que dependem desta ajuda humanitária – a maioria crianças que sofrem com problemas como malária e desnutrição. Você pode acessar aqui as informações sobre estas pessoas.

No total, há atualmente 1.900 convidados para o casamento do príncipe William – a maioria adultos ricos que não sofrem problemas graves de saúde e contam com os melhores médicos do mundo. Você pode acessar aqui a lista de convidados deste casamento.

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BRASIL DENUNCIADO NO CONSELHO DE DIREITOS HUMANOS DA ONU. Está na agência de notícias EFE e em todos os jornais:

A relatora especial da ONU para a Moradia Adequada, Raquel Rolnik, acusou nesta terça-feira as autoridades de várias cidades-sede da Copa do Mundo e do Rio de Janeiro, que receberá a Olimpíada de 2016, de praticar desalojamentos e deslocamentos forçados que poderiam constituir violações dos direitos humanos.

“Estou particularmente preocupada com o que parece ser um padrão de atuação, de falta de transparência e de consulta, de falta de diálogo, de falta de negociação justa e de participação das comunidades afetadas em processos de desalojamentos executados ou planejados em conexão com a Copa e os Jogos Olímpicos”, avaliou.

O comunicado está disponível aqui; a GloboNews entrevistou a relatora.

A denúncia repercutiu imediatamente:

“O que a sociedade está detectando é que falta uma mão forte do governo, em conjunto com a sociedade civil e de uma forma transparente, encaminhar todas as demandas que são inerentes para a realização dos dois eventos esportivos. Essa falta de diálogo entre governo e sociedade leva a situações como esta denunciada pela ONU”, disse o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, por meio de nota. Ele pediu “controle social efetivo de todas as ações tomadas em relação aos dois eventos”.

O governo brasileiro também reagiu imediatamente. “Não temos conhecimento disso [das denúncias], pode ser uma ocorrência a nível municipal e estadual. Mas o Governo Federal pode ajudar (a fiscalizar) através dos ministérios para ver a questão dos assentamentos”, disse o ministro das Cidades, Mário Negromonte.

Segundo a Raquel Rolnik, que trabalha de forma independente e se dirige ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, as violações aos direitos humanos ocorreram em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Natal e Fortaleza.

Clique aqui para ler o dossiê sobre remoções no contexto da preparação do Brasil para a Copa e as Olimpíadas.

Leia também resolução aprovada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre o direito à moradia no contexto dos megaeventos esportivos.

Conheça o guia e a cartilha sobre remoções forçadas, preparado pela Relatoria, com o objetivo de orientar os agentes envolvidos neste processos sobre como atuar respeitando os direitos humanos.

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AINDA SOBRE OS MEGAEVENTOS. Do secretário-geral da Anistia Internacional, que está visitando o Brasil essa semana e se encontrará com Dilma Rousseff:

“(…) Nossa preocupação é que, por causa das Olimpíadas, essas ações [retiradas de moradores] possam ser ampliadas de forma muito significativa. Essas pessoas passaram a ter casas que ficam a 50 quilômetros do seu sustento, ou compensações que são uma ninharia. As comunidades não estão envolvidas.”

Notícia da Reuters, deu também na Renajorp.

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TEMPORAL NO RIO. O Jorge Antonio Barros questiona via twitter: “O que aconteceu com o superradar da prefeitura, que não detectou o temporal de hoje à noite?”

Da BandNews: Uma mulher sofreu uma descarga elétrica durante o temporal na Zona Norte do Rio.

Do Jornal Extra: A Av Francisco Bicalho virou um rio. Veja foto de Marcelo Carnaval:

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ECOLOGIA POLÍTICA. O governo Dilma deveria dar mais atenção a dois problemas ambientais gravíssimos: o desmatamento na Amazônia e a extinção dos tucanos.

O casamento do príncipe William e o divórcio da razão

Parte da mídia internacional tenta estimar os custos do casamento do príncipe William, um garoto que é sustentado pelo povo britânico. Em média, calculam algo em torno de 40 milhões de dólares.

Enquanto isso, a análise mensal do Escritório das Nações Unidas de Coordenação Humanitária (OCHA), de março de 2011, afirma que a ajuda humanitária para a Somália, país que sofre com conflitos em pelo menos três regiões (entre as quais a capital Mogadíscio), diminui 41% desde 2008. Foram 429 milhões de dólares em 2008, 342 milhões em 2009 e 251 milhões em 2010 (leia aqui o relatório).

Ficam comprometidos, por exemplo, os dias nacionais de imunização de cerca de 1.8 milhões de crianças com até cinco anos, realizados anualmente de 20 a 28 de março.

Outro relatório, também de março de 2011, também detalha estes custos, destacando quem são os doadores e o progresso das doações. O Reino Unido – cujo povo sustenta o casamento do príncipe com sua futura esposa – doou em 2010 apenas 28 milhões de dólares para a Somália. O relatório aponta ainda, por exemplo, que os EUA reduziram em 88% suas doações – de 237 milhões de dólares em 2008 para 29 milhões em 2010 (acesse aqui este relatório).

No total, há atualmente 2.4 milhões de pessoas que dependem desta ajuda humanitária – a maioria crianças que sofrem com problemas como malária e desnutrição. Você pode acessar aqui as informações sobre estas pessoas.

No total, há atualmente 1.900 convidados para o casamento do príncipe William – a maioria adultos ricos que não sofrem problemas graves de saúde e contam com os melhores médicos do mundo. Você pode acessar aqui a lista de convidados deste casamento.

Somália: ONU alerta para problema crescente das ‘crianças-soldado’

As Nações Unidas pediram esta semana a suspensão imediata do recrutamento e uso de crianças-soldado na Somália, onde a prática é crescente e afeta crianças de até nove anos de idade. “Ficamos chocados ao saber que o recrutamento e uso de crianças como soldados por grupos armados na Somália está aumentando”, afirmaram a Representante Especial do Secretário-Geral para Crianças e Conflitos Armados, Radhika Coomaraswamy, e o Diretor Executivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Anthony Lake, em declaração conjunta. “Todas as partes do conflito estão envolvidas. Em alguns casos crianças e jovens de até nove anos de idade estão sendo recrutados”.

Relatórios recentes indicam que as escolas estão sendo utilizadas como centros de recrutamento e que as crianças-soldado são frequentemente espancadas ou executados quando capturadas. “O uso de crianças por forças e grupos armados é um crime de guerra. É preciso parar imediatamente”, afirmaram os representantes, que instaram todas as partes a libertar as crianças e garantir que os responsáveis sejam levados à justiça.

No começo dos anos 1990, mergulhado no caos e sem um poder central, o país foi o primeiro a sofrer uma intervenção oficial da ONU, a partir do envio de um contingente militar de 28 mil homens, com o objetivo de restabelecer a entrada de alimentos e acelerar o processo de desarmamento das facções que se encontravam em luta. Até aquele momento, por conta da guerra civil, 300 mil crianças somalis morreram e 1,5 milhão de habitantes – um quarto da população – havia abandonado o país.

Em 1992 iniciou-se, a partir do sul, uma ação humanitária da ONU, encabeçada por tropas dos Estados Unidos. Embora conseguisse diminuir a fome no país, a operação foi considerada um fracassada. Os estadunidenses deixaram o país em março de 1994. Isolada, a ONU acabou por retirar-se oficialmente em março de 1995. O país enfrentava muitas divisões internas, como a declaração de independência da Somalilândia, ex-colônia britânica, em 1994.
A ONU interveio para a formação de um governo, sem ter êxito.

Situação humanitária na Somália tem se agravado e demanda atenção da comunidade internacional, alertou a ONU esta semana. Foto: UNHCR/E.Hockstein

Em março de 1993, um grupo de chefes militares, de membros de conselhos de anciãos e de cidadãos notáveis acordou a criação de um governo provisório durante as conversações promovidas pela Organização em Adis Adeba. O acordo previa a instituição de um Conselho de Transição Nacional, investido da autoridade nacional máxima. Sem prazo para a instituição do Conselho, violentos combates ocorreram entre forças da ONU e do líder Mohamed Farah Aidid, considerado pelos EUA uma ameaça à paz.

A ONU decidiu encerrar, neste momento, a intervenção, mas nunca deixou o país. Foi o caso do estabelecimento de um programa de ajuda aos refugiados em 1997, a partir das inundações neste ano que deixaram 230 mil somalis isolados nas regiões meridionais. Os Estados Unidos, por sua vez, também não abandonaram seu viés intervencionista, mas desta vez especulando que a Somália poderia abrigar, em 2001, terroristas da organização terrorista Al Qaeda.

Crise humanitária ainda é uma das piores do mundo

Atualmente, a Somália continua a ser atingida por combates entre as forças governamentais e rebeldes islâmicos. A região do Chifre da África, como é conhecida a península somali, continua abrigando uma das piores crises humanitárias do mundo, com 1,4 milhão de pessoas internamente deslocadas (IDPs), cerca de 570 mil refugiados e cerca de três milhões de pessoas dependentes da ajuda humanitária. “O uso de crianças como soldados é uma tragédia para a Somália no presente. A menos que sejam tomadas medidas urgentes, também pode ameaçar a estabilidade futura do país”, alertaram. “As crianças e os jovens são a maioria da população somali e merecem uma infância livre do terror do conflito armado”.

Os dois representantes da ONU manifestaram a disposição e prontidão em ajudar na recuperação dos direitos das crianças somalis e reintegração em suas comunidades. “Apelamos também à comunidade internacional – principalmente aqueles que apoiam as partes em conflito – que condene e use sua influência para pôr um fim a esta prática”.

Mais informações sobre a Somália, clique aqui.

Ataques violentos ao redor do mundo tiram a vida de 28 funcionários da ONU em 2009

Em janeiro de 2009: Funcionário da agência da ONU para os refugiados palestinos observa estragos provocado pelo ataque israelense às instalações da entidade na Cidade de Gaza. Israel ataca de forma recorrente instalações das Nações Unidas, sempre com vítimas civis. (Foto: AP e G1)

Vinte e oito funcionários civis e sete “capacetes azuis” foram mortos em ataques mortais durante o ano de 2009, informou o Sindicato dos Funcionários da Organização, pedindo aos Estados-Membros que assinassem um tratado global de proteção aos funcionários da ONU. Mais de dois terços das vítimas eram funcionários nacionais empregados por agências da ONU para contribuir nos esforços humanitários de seus próprios países.

Dezesseis funcionários civis da ONU foram mortos em incidentes violentos isolados no Paquistão e no Afeganistão; cinco morreram trabalhando para a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA) no Oriente Médio durante as operações militares israelenses na Faixa de Gaza e dois perderam suas vidas na Somália.

Entre os mortos estava uma professora de inglês palestina de 23 anos que trabalhava numa escola da ONU em Gaza, um monitor somali do Programa Mundial de Alimentos (PMA) que foi baleado e jogado na estrada do caminhão do PMA que os assassinos usaram para fugir, um motorista paquistanês que trabalhava para o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) que foi baleado durante o sequestro de John Solecki, responsável pelo escritório da entidade em Quetta, na província de Baluchistão.

Um dos piores incidentes ocorreu quando uma casa de hóspedes em Cabul foi atacada a tiros, matando cinco funcionários, incluindo dois seguranças que enfrentaram os atiradores, permitindo a fuga de vários de seus colegas.

Além disso, seis membros dos “capacetes azuis” que trabalhavam na missão de paz da ONU em Darfur (UNAMID) morreram em três incidentes diferentes e o vice-comandante da Força da ONU no Sudão (UNMIS) foi morto quando estava de férias no Paquistão.

“Mais uma vez os funcionários das Nações Unidas tiveram que pagar com a vida seus esforços para ajudar as populações em perigo”, disse o presidente do Sindicato dos funcionários da ONU, Stephen Kisambira. “Um tendência particularmente inquietante continuou no ano passado: ataques deliberados no Afeganistão, Paquistão e Darfur para intimidar e prejudicar as Nações Unidas. É frustrante que praticamente ninguém foi até hoje levado à justiça”.

O Sindicato lembrou que 2007 foi um dos anos mais terríveis para os funcionários da ONU, com a morte de 42 pessoas, incluindo as 17 que morreram em um atentado terrorista em instalações da Organização em Argel; em 2008, 34 funcionários perderam suas vidas.

Kisambira também lembrou que infelizmente, 15 anos após a adoção da Convenção sobre a Segurança do Pessoal das Nações Unidas, menos da metade dos 192 Estados-Membros da ONU ratificou o documento.

Com informações do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio)