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Amarelo

A construção do livro que sou

O livro que venho compondo

Com a alegria e colaboração de pessoas queridas

Muito próximas

Família e algumas outras pessoas do horizonte comunitário

Este livro, dizia e digo em alto e bom tom

Amarelo

Começa

Começo

Sol

(Inexplicadamente mas nem tanto)

O que me ilumina

O que ilumina o mundo

Sol de todos os tempos

Sol somente sol

Brincar com palavras

É brincar de ser feliz

Sendo quem sou

Voltar de Mendoza para João Pessoa

De casa em casa

Casa amarela

Força

Confiança

Segurança

Tudo que preciso para ser feliz.

Atualização

O discurso de Lula em 30 de outubro, quando foi conhecido o resultado oficial das eleições presidenciais, me tocou profundamente. Depois de muito tempo escutei até o fim, alguém que é o que diz. É o que é. É o que está lá, à vista. Isso tem um efeito sanador.

Ele não era alguém tentando convencer, tentando provar algo, ou se exibir. Era o que eu estava ouvindo. Enquanto eu ouvia Lula, algo em mim estava se juntando, estava se reunindo. E estou certo de que continuará a se juntar e reunir.

Acompanho a trajetória de Lula desde o início da luta pela democratização do Brasil. E o Lula que vi e ouvi é um florescimento, o resultado consistente e coerente, impactante, de um processo de crescimento. Confesso que tenho dificuldades em acompanhar alguém tão singular. Foge do padrão.

Nisso nos parecemos. E em muitas outras coisas. O que mais me tocou, o que mais me toca nesse nordestino, nesse pernambucano, nesse brasileiro de coração sem limites, é sua capacidade de não se trair, de não se curvar, de não ser o que não é. A força do ser é imparável. E foi isso que Lula demonstrou nestas eleições. Está tão inteiro como nunca.

Para um garoto como eu, que amava a Argentina como Lula ama o Brasil, é uma grande lição. Se pode. Sim, é possível. Obrigado, Lula, por me lembrar que é possível. É possível ter um sonho do tamanho de um país. Eu tive esse sonho na Argentina dos anos 1960 e 1970, e ainda o tenho. Agora num país ampliado.

Lula me lembrou vivamente disso, e isso me traz de volta sensações juvenis que continuarão a me acompanhar. A palavra é mais do que um meio. É o que somos. A morte não é a derrota. Derrota é o falseamento, o autoengano, a simulação, a mentira, a força bruta.

Tudo que foi derrotado pelo povo brasileiro em 30 de outubro de 2022. O que não devia prevalecer foi enterrado. Lula renasceu cada vez que tentaram destruí-lo, e ele voltou melhorado. Isso é o que euacho que ninguém devia esquecer. Eu não esqueço.

Não preciso citar Paulo Freire, exibir algumas frases desse outro pernambucano que iluminou minhas tentativas por uma Argentina sem fome, sem violência nem dominação. O que brilha com luz própria não precisa de artifício. Brilha e ponto.

Paulo Freire e Lula. Brasil. Eu sou o que eu faço. Eu sou essas palavras que vão adiante iluminando meu caminho. Faço parte dessa vasta humanidade que não se dobrou, não se quebrou, não se perdeu. Uma semente me servirá, lemos nas Escrituras. Agora eu sei que é verdade. Adiante!

Mi naturaleza es mi fortaleza.

¿Cómo no sería feliz si soy, si siento?

Si estoy aquí, no puedo tener miedo

Si estoy conmigo, no puedo tener miedo.

Estoy conmigo

Estoy aquí.

Yo me siento, me da placer

Me da placer caminar, sentir mis ropas sobre el cuerpo

¿Cómo no sería feliz si me siento?

No hay nada de malo en mi manera de ser

Al contrario, esa es mi fortaleza

No podría ser de otra manera ni yo querría que fuera diferente

Siendo así, me siento bien, soy feliz.

Mis sueños, mis deseos, mis reacciones, mis pensamientos, mi manera de caminar, mi voz, todo es perfecto

Mis sensaciones, mi manera de mirar, la manera como me relaciono o dejo de hacerlo, todo es exactamente como debería ser.

Todas estas cosas son observaciones sobre la práctica. Aprendizajes que voy haciendo y comprobando.

Yo no puedo (ni quiero, ¡Dios me libre!) ser no yo. Sólo puedo ser yo. Y ser yo me gusta, me hace sentir bien.

Poetar, hacer lo que se me de la gana, todo está bien. Yo soy dueño de mi tiempo. Todos los instantes son míos.

Estar presente significa no tener rencores, odios, rabias, broncas, frustraciones, ni estar tampoco pendiente de lo que pueda llegar a suceder.

La palabra suceder es bien clara. Es lo que viene. Lo que viene no está ahora. Está por venir.

Por supuesto que hago mis planes. Tengo mis proyectos. No son muchos, pero son suficientes. Son la direción de mi vivir. Es adónde voy. Es lo que soy. No tengo proyectos disociados de mi ser. Soy mis proyectos, mi dirección, mi rumbo.

Son lo que hago. Son lo que soy. Son los sueños que tuve y tengo. No soy algo diferente de lo que fui ni soy.

Ilustración: “Flores después de la lluvia”

Por que as pessoas escrevem?

Há muitos motivos para que as pessoas escrevam. Aqui tem alguns. E os seus? Quais são?

Por Anaïs Nin

Por que as pessoas escrevem? Já me fiz tantas vezes esta pergunta que hoje posso respondê-la com a maior facilidade. Elas escrevem para criar um mundo no qual possam viver. Nunca consegui viver nos mundos que me foram oferecidos: o dos meus pais, o mundo da guerra, o da política.

Tive de criar o meu, como se cria um determinado clima, um país, uma atmosfera onde eu pudesse respirar, dominar e me recriar a cada vez que a vida me destruísse. Esta é a razão de toda obra de arte.

Só o artista sabe que o mundo é uma criação subjetiva, que é preciso escolher, selecionar. A obra é a concretização, a encarnação do seu mundo interior. Ele espera impor sua visão pessoal, partilhá-la com os outros.

Se não atinge esta última finalidade, o verdadeiro artista persiste assim mesmo. Os poucos momentos de comunhão com o mundo valem esse sofrimento, pois finalmente esse mundo foi criado para os outros como um legado, como um dom destinado a eles.

Também escrevemos para aprofundar o nosso conhecimento de vida. Para atrair, encantar e consolar. Escrevemos para acalentar nossos amantes. Para degustar em dobro a vida: no momento preciso e retrospectivamente, na sua lembrança. Escrevemos, como Proust, para tornar as coisas eternas e para nos convencermos de que elas o são. Para podermos transcender nossa vida e alcançarmos o que existe além dela.

Escrevemos para aprender a falar com os outros, para testemunhar nossa viagem ao labirinto. Para abrir, expandir nosso mundo quando nos sentimos sufocados, oprimidos ou abandonados. Escrevemos como os pássaros cantam, como os primitivos dançam seus rituais.

Se você não respira quando escreve, não grita, não canta, então não escreva porque sua literatura será inútil. Quando não escrevo, meu universo se reduz; sinto-me numa prisão. Perco minha chama, minhas cores. Escrever deve ser uma necessidade, como o mar precisa das tempestades – é a isto que eu chamo de respirar.

Territorio

Como tantas otras veces, me pongo ahora a escribir. Como un intento para volver a ese estado y a ese sentimiento literario y poético en el cual me puedo reconciliar conmigo mismo y con la vida. Escapar de las presiones de la prensa que se satisface en tratar de desintegrar aún más el sistema democrático y la sociedad. Apartarme de la negatividad de las masas amorfas y fascistas del domingo pasado, que invadieron las calles con su resentimiento y su odio. Cada palabra que pongo, cada recuerdo que me viene de un libro leído, de un poema, de un escrito en el que pude encontrar una rendija de luz, me van trayendo de vuelta al lugar que me pertenece. Al lugar donde puedo ser y de hecho soy el que soy. Soy el que es.

Es necesario que la persona tenga un lugar donde pueda ser. El mío son estas hojas, son las hojas que escribo y las que leo. Son las telas donde pinto, donde dejo que los colores me acojan, me digan cosas. A veces por un motivo o por otro, no puedo pintar o dibujar como quisiera. Sin embargo, aún así veo y siento los cores. Celeste y azul. Blanco. Amarillo. Verde. Patria no es allá o acá: es donde estás. O en ningún lugar, dijo Hermann Hesse. Cuando consigo dejarme refluir a estos territorios crepusculares, empieza a volver mi fuerza. Vuelvo a reconocerme. Otra vez me siento ser el ser que soy. Siento otra vez que soy yo mismo. Soy el que es.

Foto: Edgar Allan Poe

Siendo

Hay días en que uno no tiene nada que hacer. Una buena manera de pasar el tiempo puede ser escribir, ir dejando que las letras vayan formando palabras y frases, y ver qué viene. No con algún otro propósito, que el de ver simplemente lo que se va formando. A veces la mejor parte del día es el ayer. ¿Cómo es que alguien se torna la persona que es? Ayer a la noche me quedé pensando en esta pregunta. La escribí en un cuaderno. Y hoy la escribo aquí, en esta hoja. Se me antoja que la vida es un intento de ser quien soy, de ser cada persona la persona que es.

No basta haber nacido para que uno sea quien debe ser. Y este debe, es algo que hay que tratar con cuidado. No es en el sentido de obligación, sino de necesidad, de esencialidad. Se me ocurre que de pronto uno se va acercando a ser quien es, y esto da una sensación extraña. Te pasaste tantos años tratando de agradar, o de desagradar, de oponerte a lo que os demás querían que vos fueras. De repente estás aqui, estás muy cerca del ser que sos, como si fueras coincidiendo otra vez con lo que sos en realidad. Como si otra vez, como al comienzo, hace ya tanto tiempo, el ser que sos y este que está aqui, fueran ya casi una misma y única persona.