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O Político-Produto

Nessa época alargada de eleições podemos facilmente perceber o desgaste dos políticos que chegaram ao segundo turno. Chegar ao segundo turno não é bom para ninguém, manter a atual exposição midiática, como uma exposição ao sol, pode causar câncer eleitoral (…) É nessa hora que fica evidente a transformação do político num produto tanto quanto do eleitor num consumidor. Por Renato Kress, co-editor Consciência.Net.

“Aldo Rebelo é quem deveria estar no presídio da Papuda”

No dia 23 de julho, durante o Encontro Nacional dos Povos do Campo, em Brasília, Dom Tomás Balduíno concedeu uma longa entrevista à Agência Repórter Social. Por sua importância histórica, ela é reproduzida aqui na íntegra. O coordenador da Comissão Pastoral da Terra fala de conjuntura, mas percorre em sua fala centenas de quilômetros de uma história fundiária violenta. E faz projeções nada otimistas em relação ao futuro do País, que estaria sofrendo uma “guinada para a direita”, “pela pressão dos meios de comunicação”.

Ele defendeu uma nova Constituinte antes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva falar disso, com repercussão bastante negativa. Motivo: o Congresso elege as elites, conforme o que o sociólogo Chico de Oliveira chamou de “fila dos idiotas”. Dom Tomás não deixa pedra sobre pedra. Sobre o episódio do MLST, disparou: “Aldo Rebelo é quem deveria estar no presídio da Papuda”. Clique no título para ler ou vá direto à Agência Repórter Social.

Brasil receberá nova liderança da esquerda latinoamericana

O humanista Tomás Hirsch, que disputou a presidência chilena pela frente Juntos Podemos Más, falará de integração latino-americana com dirigentes de partidos de esquerda e movimentos sociais entre 21 e 23 de julho, e participará do Fórum Brasileiro e do encontro nacional do Partido Humanista do Brasil, no Rio de Janeiro.

Caso Waldomiro: Últimas quatro linhas

Por Gustavo Barreto, no Observatório da Imprensa

O jornalista Aloysio Biondi escreveu em 1999: “Os editores escondem a verdade, isto é, os problemas, nas últimas quatro linhas – o que lhes permite fingir que não estão deixando de noticiar nada, uma atitude hipócrita, pois eles sabem muitíssimo bem que a informação que impressiona o leitor é aquela estampada no título e no lide” (Caros Amigos, agosto de 2000).

“O assunto deve esfriar no carnaval”

Estamos acompanhando um escândalo envolvendo o ex-assessor do ministro José Dirceu, Waldomiro Diniz, demitido na sexta-feira por envolvimento em escândalo de corrupção. Observe o trecho a seguir:

“A Secretaria de Comunicação encomendou uma pesquisa para avaliar se o caso Waldomiro prejudicou a imagem do governo. No Planalto, a orientação política é tentar evitar a instalação de uma CPI. Os assessores políticos do presidente apostam que o assunto deve esfriar no carnaval.”

Fonte: Últimas quatro linhas da reportagem do jornal O Globo (18/2/04) sobre o Caso Waldomiro, cujos títulos principais foram:

“PF vai investigar atuação de Waldomiro no governo”, com subtítulo “PT diz que só aceita CPI se apuração for ampla e irrita até os aliados” (primeira capa);

“Devassa nos atos de Waldomiro”, com subtítulo “PF vai apurar ações de ex-assessor do Planalto. Delegado pode pedir quebra de sigilo telefônico” (pág. 3)

A pauta mais adequada não foi colocada: O PT-Governo é contra a CPI (absurdo número 1); O Planalto espera que o assunto “esfrie no carnaval” (absurdo número 2). Os assessores do presidente dizem claramente: “O povo não liga para a corrupção, pois está aí o carnaval para fazer eles esquecerem que dinheiro público foi desviado”.

Aloizio Mercadante (PT-SP): líder do governo no Senado: “A orientação é olhar para a frente, não imobilizar o Congresso. Não agimos com revanchismo. Mas, se a oposição quer olhar para trás, voltar ao passado, recuar dois anos, então vamos recuar oito”.

Percebam uma condição implícita neste discurso. A única forma de conseguirmos ter uma real apuração do que ocorreu nos anos FHC é achando atos irregulares no PT-Governo. Se ninguém ameaçar, estamos quites.

Este tipo de imprensa, meus amigos, é quase tudo o que nós temos. Os políticos, nossa escolha. E o PT, nosso partido da ética.

Bom carnaval.