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Oriente Médio: o sopro extremista do Ocidente

Chefes de Estado da Rússia, Turquia e Irã durante reunião sobre a Síria. Foto: ADEM ALTAN/AFP/GETTY IMAGES
Chefes de Estado da Rússia, Turquia e Irã durante reunião sobre a Síria. Foto: ADEM ALTAN/AFP/GETTY IMAGES

Enquanto o governo dos EUA continua promovendo atrocidades diplomáticas no Oriente Médio, países que nos acostumamos a ver como inimigos no noticiário internacional mostram que mesmos regimes extremamente problemáticos podem colaborar para o equilíbrio geopolítico de nosso conturbado mundo.

Veja por exemplo a reveladora aproximação estadunidense com o antes aliado, depois inimigo, e agora novo amigo no Afeganistão – o Talibã. Os EUA estão há algum tempo em contato com este grupo com o objetivo autodeclarado de derrotar… o extremismo (agora, os terroristas do ISIL).

Não é preciso ser um gênio das relações internacionais para entender o quão problemáticas são essas iniciativas unilaterais.

Nesta semana, os EUA correram para saudar o anúncio das Nações Unidas acerca de um novo acordo entre o governo e a oposição da Síria, expressando gratidão aos membros da comunidade internacional que tornaram esse acordo possível – exceto o Irã.

O anúncio da ONU trata da criação de um comitê constitucional liderado pelos sírios – todas as partes –, e facilitado pelas Nações Unidas em Genebra.

“Aprecio o envolvimento diplomático dos governos da Rússia, Turquia e Irã em apoiar a conclusão do acordo”, disse o secretário-geral António Guterres, “bem como o apoio dos membros do Conselho de Segurança”, além do apoio de um grupo composto por Egito, França, Alemanha, Jordânia, Arábia Saudita, Reino Unido e EUA.

Em um comunicado enviado à revista estadunidense Newsweek, o Departamento de Estado americano classificou o anúncio de “um passo encorajador para alcançar uma solução política para o conflito sírio”.

As autoridades americanas também “apreciam o trabalho do secretário-geral da ONU, do enviado especial da organização (Geir Pedersen), da Turquia, Rússia e dos membros [deste grupo] em alcançar esse resultado”.

O comunicado não menciona o papel central do Irã.

Pode ser apenas mais um comunicado de um governo recheado de fake news, claro. Mas, para o bom entendimento do tema, a simples recusa em aceitar fatos pode ser decisiva na tênue linha que separa ficção e realidade.

Há que se mencionar ainda que o Irã não tem um histórico de participação em conflitos – desde a guerra contra o Iraque, encerrada em 1988, não se envolveu em nenhuma investida militar. A recente participação na guerra da Síria, em apoio a Assad, foi a primeira em mais de 30 anos. Não é preciso mencionar em quantas guerras, desde então, os EUA tiveram papel primário ou secundário. O histórico de ataques a regimes de todo tipo pelo mundo é público e notório.

É importante lembrar que o combustível para a radicalização de grupos opositores dentro da Síria – independente da real validade da maioria das demandas – contou com financiamento ou participação dos EUA e de aliados regionais – Israel, Catar, Arábia Saudita e Turquia, principalmente.

A Rússia, igualmente, é a potência diplomática na região – a única que mantém uma relação amistosa com todos os principais países da região, incluindo Israel e Irã.

A União Europeia, que se afirma poderosa apoiadora da solução negociada, continuou a manter – com honrosas exceções – seu cemitério a céu aberto no Mediterrâneo e nos campos de refugiados, alguns similares a campos de concentração nazistas.

Todos os países possuem problemas graves de direitos humanos em suas agendas nacionais – não só nesta região –, mas apenas alguns os alimentam para além de suas fronteiras.

Suez: 'ONU não consegue parar guerra'; Diretor da ONU no Brasil justifica remoção de tropas de paz

A ONU se defende: “Se os entendimentos foram falhos, foi por culpa dos próprios entendimentos, e não do secretário-geral U Thant”.

“O diretor do Centro de Informações da ONU no Brasil, Raul Trejos, afirmou ontem que não foi apressada ou intempestiva a decisão da Organização das Nações Unidas de retirar as tropas de emergência do Oriente Médio, mas conseqüência de ser proibida sua permanência em território egípcio.”

O registro é do Correio da Manhã de 8 de junho de 1967, que estampa em sua primeira página: “URSS ameaça romper com Israel; ONU não consegue parar guerra”1.

Desde que as tropas foram introduzidas no país, em 19562 – lembrou o diretor do UNIC Rio –, foi garantido aos representantes da República Árabe Unida (RAU), por meio de acordo entre o então secretário-geral Dag Hammarskjold e o presidente Nasser, que o pedido de retirada seria aceito pela ONU. “Portanto” – frisou o diretor do UNIC Rio – “U Thant apenas cumpriu um acôrdo”.

Cerca de 6 mil membros do Exército brasileiro participaram do chamado Batalhão Suez3, em revezamento, por meio de 20 contingentes. Esta foi a terceira força de paz na história das Nações Unidas, de um total de 69 até hoje4.

O diretor do UNIC Rio afirmou ao Correio da Manhã que o secretário-geral da ONU tinha “desde o início da crise atual receios quanto às consequências que adviriam da retirada da FENU [a sigla usada pelo jornal para as Força de Emergência das Nações Unidas]”.

Nos últimos relatórios anuais à Assembleia Geral, o secretário-geral afirmava que a existência da missão estava ameaçada “pela incerteza de fundos, cada vez mais minguados”.

Página 2 da mesma edição

A retirada da ONU causou críticas, a mais agressiva sendo a de que a crise foi provocada principalmente pela própria retirada das forças de paz – acusação classificada pelo diretor do UNIC Rio como “ignorância quanto aos fatos políticos que sempre existiram”.

Citando o pronunciamento do primeiro-ministro do Canadá, em maio de 1967, que dizia “não criticar o secretário-geral porque, após examinar os documentos, ninguém hesitaria em concluir de que o que êle [fez] foi acertado”, completa o diretor do UNIC Rio: “Se os entendimentos foram falhos, foi por culpa dos próprios entendimentos, e não do secretário-geral U Thant”.

O jornal informa que “inicia-se hoje a retirada das tropas brasileiras no Oriente, que serão transportadas até o pôrto de Gaza, onde embarcarão no Soares Dutra”, citando em seguida nominalmente todos os integrantes brasileiros da missão.

NOTAS

2 Mais sobre a UNEF I, como é conhecida atualmente, em http://www.un.org/en/peacekeeping/missions/past/unefi.htm

4 A lista completa está disponível em http://www.un.org/en/peacekeeping/documents/operationslist.pdf

Tanques israelenses matam quatro pessoas em Gaza e deixam outras 25 feridas

Tanques israelenses mataram quatro palestinos e feriram outros 25 na Faixa de Gaza neste sábado (10), após um aparente ataque de uma patrulha do exército israelense ao longo da fronteira entre Israel e Gaza. O relato foi dado por médicos palestinos e testemunhas locais à agência Reuters.

O número é um dos mais altos em um único incidente em Gaza nos últimos meses.

Ambulâncias e veículos particulares levaram os feridos para o hospital, testemunhas locais disseram. A identidade dos feridos ainda não é conhecida.

O exército israelense não quis comentar de imediato o incidente.

O ataque ocorreu durante um período de aumento da tensão na fronteira Israel-Gaza, com militantes disparando foguetes contra Israel e este lançando, por sua vez, ataques aéreos.

A Faixa de Gaza, um território costeiro com mais de 1,5 milhão de pessoas – muitas delas refugiadas –, é controlada pelo grupo islâmico Hamas, que rejeita a existência de Israel.

(Com informações da Reuters, http://reut.rs/VZCE8K)

Israel invade e fecha duas estações de TV na Palestina

Ataque aconteceu de madrugada e incluiu destruição e confisco de computadores, transmissores e outros equipamentos. Matéria de Baby Siqueira Abrão, correspondente do jornal ‘Brasil de Fato’ no Oriente Médio.

Às duas da manhã de quarta-feira, 29 de fevereiro, sob uma temperatura abaixo de zero, soldados do exército israelense entraram na cidade de Ramala, onde fica a sede da Autoridade Nacional Palestina, e invadiram duas estações de televisão, Al-Watan, canal privado, e Al-Quds Educacional, operada pela Universidade de Al-Quds (nome árabe de Jerusalém).

Além de prender quatro funcionários da Watan, incluindo jornalistas – liberados mais tarde –, os soldados levaram computadores, arquivos financeiros, todos os equipamentos de transmissão, arrasaram escritórios e redação e finalmente fecharam as estações de TV. De acordo com a jornalista palestina radicada em Viena Kawther Salam, a incursão foi aprovada pelos ministros israelenses da Defesa, Ehud Barak, das Comunicações, Moshe Kahlon e pelos generais Avi Mizrahi e Motti Almoz.

“Fomos surpreendidos pelos soldados”, disse um dos funcionários da Watan à agência palestina de notícias Ma’an. “Eles nos prenderam e promoveram uma enorme bagunça nos escritórios. Ficaram particularmente furiosos quando viram a foto de Khader Adnan (prisioneiro político que fez greve de fome durante 66 dias, até a Suprema Corte de Israel decidir por sua libertação, em 20 de fevereiro) na parede da nossa sala.”

Lideranças palestinas criticaram com veemência a ação israelense. Mustafá Barghouti, secretário-geral do partido político Iniciativa Nacional Palestina, emitiu uma declaração condenando o ato, que “não é apenas uma violação de direitos humanos e da lei humanitária mas também uma quebra do acordo que proíbe às forças militares israelenses a entrada ou a realização de operações na área A”. A área A, segundo os acordos de Oslo, compreende as cidades palestinas e está sob a responsabilidade administrativa e policial da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

Abdel Nasser Al-Najjar, presidente do Sindicato dos Jornalistas Palestinos em Ramala, denunciou a ação israelense como “crime contra a mídia palestina, para impedir que a verdade chegue ao mundo”. O primeiro ministro Salam Fayyad, além de condenar a incursão nas estações de TV, esteve na Watan assim que soube do ataque. Mahmoud Abbas, presidente da ANP, condenou a ação do exército israelense como “um assalto flagrante contra a liberdade de expressão e da mídia”. Apesar do discurso, fontes palestinas denunciaram à jornalista Kawther Salam que o exército de Israel avisou a ANP sobre a ação antes que ela fosse realizada. “Segundo essas fontes, o comando militar da ANP em Ramala ordenou a suas tropas que não ficassem no caminho do exército israelense, para não interferir, de modo nenhum, no ataque às estações de TV”, disse ela. “Isso mostra de que lado a lealdade da ANP está”, completou.

O governo israelense alegou que a ação se deveu ao fato de a frequência de ambos os canais interferir nas comunicações do aeroporto de Tel Aviv e da rede sem fio do país, o que foi desmentido por Mashoor Abu Dakka, ministro palestino das Telecomunicações e da Tecnologia da Informação. “As frequências das emissões de TV não são as mesmas do aeroporto ou da rede sem fio de Israel”, afirmou ele em entrevista coletiva na quinta-feira, 1º. de março. “O Ministério das Comunicações israelense jamais se queixou desse tipo de interferência por parte da Watan e da Al-Quds Educacional”, disse Dakka, o que, de acordo com ele, levanta dúvidas sobre os verdadeiros objetivos do ataque.

“O governo de Israel quer controlar as frequências UHF das TVs palestinas para usá-las em telefones de quarta geração, que utilizam as ondas [eletromagnéticas] das televisões e precisam delas para funcionar”, denunciou o ministro. “Acreditamos que Israel quer construir um sistema digital baseado nessas frequências”, acrescentou, e manifestou a preocupação de que a ação israelense possa expandir-se para outras estações de TV e rádio palestinas.

Ainda na quinta-feira (01), jornalistas, sociedade civil e o primeiro-ministro Salam Fayyad participaram de uma manifestação em frente à Watan, em protesto contra a invasão e o fechamento das duas emissoras.

Esse não foi o primeiro ataque de Israel às duas estações de TV. Em 2002 o exército invadiu ambas e confiscou seus transmissores. Em 2008, soldados do exército e da polícia, bem como funcionários da Administração Civil e do Ministério das Comunicações israelense, destruíram e vasculharam as rádios Wan FM, BBC e Freedom Radio Al-Huryyah, e a TV Al-Majed, de Hebron.

A invasão, postada no Twitter:

Tradução:

  1. Estou na Watan agora, muitos jornalistas aqui, o principal aparelho de transmissão [foi] roubado pelo exército.
  2. Salam Fayyad (primeiro ministro da Palestina) também está aqui na Watan.
  3. Jornalistas relatam que cerca de 20 soldados arrombaram a estação de TV e roubaram o equipamento. Não deram os motivos [para isso]. Cerca de 7 veículos também estão aqui.
  4. O principal satélite foi roubado, muitos computadores e aparelhos foram quebrados ou roubados aqui na TV Watan.

A ‘paquera’ do G1

Comentário de Cecília Olliveira:

Só hove vi que o que o G1 chamou de ‘paquera’ na notícia – ‘Polícia ouve testemunhas para apurar morte de jovem após paquera‘ – foi o cara metendo a mão na menina. Ela não gostou da abordagem e levou um tiro. G1 é bom em prestar desserviço, hein? Só faltou escrever lá “ela estava de saia curta e mereceu”…

É mole?

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QUANDO A JUSTIÇA TARDA, E FALHA. Na próxima terça-feira (28/2) vence o prazo do recurso que Lúcio Flávio Pinto, jornalista independente do Pará, poderia apresentar ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) no processo por danos morais movido por um grande empresário acusado de grilagem de terras. Sem recursos o jornalista decidiu não recorrer mais.

Em seu Jornal Pessoal, o jornalista disse não ter mais recursos para para sustentar uma representação desse porte, bem como para arcar com a indenização que foi imputada a ele. ‘Eu teria ainda de me submeter outra vez a um tribunal no qual não tenho mais fé alguma’.

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ISRAEL, CONTRA A PAZ MAIS UMA VEZ. Israel dá mais uma demonstração de que não quer o diálogo, tampouco a paz.

Mais uma vez, na contramão de tudo o que tem sido negociado a nível internacional, contra qualquer recomendação internacional que não seja a sua e a dos EUA, o país dá prosseguimento aos assentamentos ilegais.

“O anúncio de hoje [22/2] feito por Israel para aprovar um grande número de novas unidades no assentamento de Shilo, no interior do território ocupado palestino, e retroativamente legitimar outras centenas em um posto próximo é deplorável e nos move para longe do objetivo de uma solução de dois Estados”, afirmou o Coordenador Especial para o Processo de Paz no Oriente Médio, Robert Serry, em um comunicado de imprensa.

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, visitou a região no início do mês e também criticou o avanço de Israel sobre a Palestina. “A questão dos assentamentos, que são ilegais e ferem a perspectiva de uma solução negociada, claramente possui uma dimensão econômica. Os assentamentos e sua infraestrutura restrigem severamente o acesso à terra e aos recursos naturais pelo povo palestino”, disse Ban.

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INDEFINIÇÃO EM GAZA. Hamas e Fatah mantiveram esta semana um impasse político que já dura cinco anos.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o líder do Hamas, Khaled Meshaal, adiaram nesta quinta-feira (23/2) as conversações sobre a formação de um governo unificado, afirmou uma autoridade do Fatah, em mais um atraso das negociações.

O oficial citado como fonte pela agência de notícias AFP disse que as negociações foram adiadas “porque o Hamas continua a impedir que a comissão eleitoral registre eleitores em Gaza”.

Ele acrescentou que o Hamas, que está dividido internamente sobre se concorda ou não com a unidade do governo com o Fatah, ainda “não informou [a Abbas] sobre sua aprovação formal para acabar com disputas internas sobre a formação do governo”.

Ainda não está claro quando o novo governo será anunciado e quando as eleições serão realizadas.

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ITÁLIA CONDENADA POR POLÍTICA ANTIREFUGIADOS. A Corte Europeia de Direitos Humanos decidiu nesta quinta-feira (23/02) que a Itália violou a Convenção Europeia de Direitos Humanos ao interceptar e retornar, em 2009, um grupo de cidadãos somalis e eritreus à Líbia sem examinar se isso implicaria risco a suas vidas.

Durante pronunciamento na corte, o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) sublinhou a obrigação dos Estados de não retornar forçosamente as pessoas a países onde enfrentam perseguição e sérios riscos. No direito internacional, essa prática é conhecida como “princípio de não devolução”.

A agência ainda defendeu que o julgamento do caso, conhecido como “Hirsi Jamaa e Outros X Itália”, representa um ponto de virada em relação às responsabilidades dos Estados e à administração dos fluxos migratórios.

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CAMPANHA CONTRA MINAS ANTIPESSOAIS. A Colômbia tem a segunda maior taxa de vítimas de mina antipessoal no mundo. São mais de 9 mil pessoas, sendo cerca de 3.400 civis e 870 crianças. A Colômbia deu um exemplo ao mundo enfrentando a questão.

Um documentário relata o drama das minas antipessoais e suas vítimas:

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SATCHITA, música do projeto ‘Playing for change’.

Paulo Vannuchi comenta sobre Pinheirinho

Paulo Vannuchi, que foi ex-secretário nacional de direitos humanos, fala sobre Pinheirinho nesta reportagem.

Os ex-moradores estão disposto a ir a Brasília para tentar reaver o terreno. (via Ana Helena Tavares)

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TRABALHO ESCRAVO. O Ministério do Trabalho lançou esta semana o Manual de Combate ao Trabalho em Condições Análogas às de Escravo.

O documento tem o objetivo de orientar os ficais do ministério, padronizando o combate, para que não haja uma ação subjetiva, mas sim uma política de governo. A ideia também é tirar as dúvidas da sociedade sobre o tema. Saiba mais aqui.

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TRAGÉDIA NO RIO. Após o desabamento, o Hemorio (Frei Caneca, 8) informou que precisa de doação de sangue para vítimas.

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PERGUNTA PERTINENTE. E você? Conhece a situação estrutural do prédio onde trabalha ou mora?

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ALIÁS. Bombeiros do Rio: salário baixo para muito, muito trabalho.

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NÃO É BRINCADEIRA. O Rio de Janeiro está se tornando uma cidade internacional. Até cenário de hollywood tem.

João Carlos Caribé: “Veja a foto do prédio que desabou no centro ao lado do Muncipal, marquei em uma foto que tirei durante as obras”.

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‘NORMALMENTE’. Comentei após a tragédia que o Metrô iria “funcionar normalmente” no dia seguinte.

O professor Amaury Fernandes, sempre atento, lembrou: “Ou seja, vai fechar estações, deixar passageiros presos entre estações, derrubar velhinhas em escadas rolantes…”

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SADIA: DENÚNCIA GRAVÍSSIMA. Os trechos são de reportagem da BBC Brasil em Brasília: ‎”Nas fábricas, executava uma única tarefa: com uma faca afiada, degolava cerca de 75 frangos por minuto pelo método halal, selo requerido pelos países de maioria islâmica que importam a carne brasileira. “Não dava nem para enxugar o suor”, ele conta, referindo-se à alta velocidade com que tinha de executar os cortes na linha de abate. Pelo trabalho, recebia cerca de R$ 700 mensais.”

Um refugiado desabafa: “(…) Disseram que no Brasil eu encontraria paz, mas virei um escravo e, hoje, vivo como um mendigo.” O Ministério do Trabalho disse que apurará as denúncias de abusos, ocorridas em Samambaia (DF), e que prepara uma nova regulamentação para o trabalho em frigoríficos. (leia aqui na íntegra)

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INACREDITÁVEL. A 1ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho do RJ decidiu que a Estácio de Sá terá que pagar uma indenização de R$ 5 mil por dano moral a um empregado que foi colocado “de castigo” pelo seu superior hierárquico.

Isso mesmo. Segundo a vítima, a expressão foi utilizada pela sua chefe imediata em 2009, “quando a mesma informou que ele deveria permanecer sentado em uma cadeira estudantil, incomunicável, sem receber trabalho, por determinação do diretor da instituição”.

O trabalhador relatou ainda que tal situação perdurou por quase dois meses e, depois disso, não teve mais acesso ao sistema de informática da universidade, “o que passou a inviabilizar a execução de suas tarefas”.

A desembargadora Elma Pereira de Melo Carvalho negou recurso da defesa e afirmou que a testemunha ouvida comprova, “de forma perfeitamente convincente”, não só o tratamento vexatório imposto ao trabalhador com relação ao castigo e à ausência de acesso ao sistema, mas também a humilhação e os constrangimentos por ele sofridos. Segundo a relatora, a repercussão no ambiente de trabalho foi tanta que o empregado foi apelidado pelos colegas de “enfeite de bolo”.

Uma colega da área alerta: “Infelizmente isso é muito comum. Já assisti a sessões no Tribunal de Minas em que a Coca-Cola teve que pagar indenizações pois penalizava funcionários gordinhos com abdominais que tinha que fazer em frente aos colegas”.

Em outra empresa, um funcionário que não conseguia atingir as metas teria ganho um “troféu framboesa” de pior vendedor, com direito a solenidade e tudo.

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ONU COBRA FIM DA TORTURA NA LÍBIA. A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, expressou ao Conselho de Segurança da ONU na última quarta-feira (25/1) sua “preocupação extrema” com as condições de detenção das pessoas envolvidas em conflitos revolucionários.

Segundo a ONU, Pillay observou que o Comitê Internacional da Cruz Vermelha visitou mais de 8.500 detidos em cerca de 60 lugares entre março e dezembro do ano passado. A maioria dos detidos é acusada de serem partidários do líder deposto assassinado Muamar Kadafi e inclui um grande número de cidadãos da África subsaariana.

Ela cobrou também investigações sobre possíveis mortes de civis resultantes de operações da OTAN no país durante os recentes conflitos.

Em protesto contra a tortura, até a organização ‘Médicos sem Fronteiras’ anunciou a suspensão de suas operações nos centros de detenção da cidade líbia de Misrata.

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JUVENTUDE DE LUTA NO EGITO. Jovens egípcios acamparam nesta quinta-feira na Praça Tahrir, no Cairo, e prometeram ali ficar até que o Exército entregue o poder em mãos civis, um dia após uma manifestação em massa marcar um ano desde o levante que derrubou Hosni Mubarak.

Segundo a agência Reuters, dezenas de milhares de egípcios foram à praça e às ruas de outras cidades para o aniversário de 25 de janeiro, dia do início da revolta em 2011.

Vídeo da AFP em português:

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SEGURANÇA ALIMENTAR NA ÁFRICA. Uma ampla região da África conseguiu significativos avanços na luta para erradicar a fome e a pobreza extremas. Gana, Libéria, Malauí, Ruanda, Serra Leoa e África do Sul são algumas das nações destacadas no tema.

Isto ficou evidente em um sistema de pontuação para medir a segurança alimentar na África, elaborado pela ActionAid International, organização não governamental que trabalha contra a pobreza. Os resultados coincidiram com os de uma pesquisa da Associação para Operações Cooperativas de Pesquisa e Desenvolvimento (Acord), considerada uma autoridade em temas de segurança alimentar na África. Saiba aqui.

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FAMÍLIAS REMOVIDAS NO RIO. Gizele Martins dá o recado: “Moradores de comunidades, comunicadores e militantes,

Vocês já viram algum vídeo contando as histórias das famílias que estão sendo removidas de suas casas por causa das obras da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016?

Com o intuito de catalogar e registrar a luta de comunidades e favelas que estão sendo removidas em todo o Rio de Janeiro, pedimos aos companheir@s indicações de vídeos (links ou arquivos) que denunciam violações ao Direito à Moradia no Rio.

São dezenas de comunidades em toda a cidade que estão sendo atingidas por conta dessas obras. A política de remoção forçada – por diversas vezes, sem negociação com as famílias atingidas – adotada pelo governo viola o Direito à Moradia. Comunidades como: Restinga, Vila Recreio II, Vila Harmonia e Favela do Metrô, por exemplo, infelizmente já foram extintas do mapa.

Por favor, mande suas sugestões até o dia 10 de fevereiro. Envie para o email: remocoes.videos@gmail.com

Obrigada!
Gizele Martins e Glaucia Marinho”

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LUTA CONTRA A HANSENÍASE. O Rio de Janeiro é a cidade escolhida pela Organização das Nações Unidas para a inauguração de um ciclo de seminários internacionais sobre hanseníase e direitos humanos. O 1º Seminário Internacional de Hanseníase e Direitos Humanos acontece no próximo dia 1º de fevereiro, em alusão ao Dia Mundial de Combate à Hanseníase, lembrado sempre no último domingo de janeiro.

O Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) comemora progressos, mas lembra que luta pelo reencontro de famílias que sofreram com políticas de isolamento compulsório ainda continua. Detalhes de evento aqui.

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QUESTÃO DE COERÊNCIA. A imagem é direta:

Acompanhe o debate aqui.

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CULPA CRISTÃ. Comentando sobre os estranhos costumes de nossos tempos, o sempre atento Sérgio Domingues comenta:

“Onan é um personagem bíblico que estava obrigado pelos costumes a deitar com sua cunhada. Ele precisava engravidá-la porque seu irmão havia morrido e a descendência tinha que continuar. Ele não concordava com a ideia. Parece que se sentia culpado em relação ao falecido. Na hora do ato sexual ejaculou “na terra”. Deus não gostou. Era desperdício de sêmen. Matou o pobre coitado. Vem daí a condenação à masturbação como pecado de onanismo.”

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PREOCUPAÇÃO PERTINENTE. O site de humor ‘Sensacionalista’ é o autor da ironia:

“O governador do Rio, Sérgio Cabral, está entre os cerca de 20 desaparecidos na tragédia que atingiu três prédios no Centro da cidade. Desde o anúncio do acidente, o governador não foi visto, nem deu declarações. Assessores do governador não confirmam qual foi o último contato feito com ele. As buscas seguem no local. Boatos indicam que Cabral pode estar no Canadá.”