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O potencial transformador do exercício interconectivo, da memória, das ações e no compromisso, entre nossas organizações de base

Registramos nossa satisfação em constatar, mesmo em uma conjuntura tenebrosa e de refluxo, as ações desenvolvidas por nossas organizações de base, em especial, pelos movimentos sociais populares, nas correntezas subterrâneas. Vibramos com diferentes iniciativas que vêm sendo assumidas por várias dessas organizações. Nestes tempos de crise sanitária (além de tantas outras), vimos como várias destas organizações de base – entre elas, o MST, a CPT, e outras – se portaram solidárias às vítimas da fome, por meio de fornecimento de cestas básicas distribuídas nas favelas e a outras comunidades do Brasil.

Enche-nos, também de alegria, acompanhar as ações de vários segmentos de nossa sociedade civil, a exemplo dos coletivos feministas, dos movimentos negros, dos movimentos indígenas, entre outros. Trata-se, em verdade, de um esforço importante, especialmente para a manutenção e o crescimento destas organizações de base. A despeito destas constatações, perguntamo-nos: um movimento social popular, qualquer que ele seja, cumpre satisfatoriamente sua pauta organizativa, formativa, e de mobilização, apenas desenvolvendo “ad intra”, isto é, ações internas, por mais que isto também seja importante? O propósito das linhas que seguem, é o de problematizar nossas organizações de base, em especial os movimentos sociais populares que lidam com uma pauta alternativa de ações contra o atual modo de produção, de consumo, e de gestão societal. Neste sentido, tratamos, inicialmente, de explicitar o que entendemos por exercício interconectivo da memória, das ações e dos compromissos de nossas organizações de base. Em seguida, passamos a questionar nossos movimentos sociais populares, quando desenvolvem uma agenda respeitável de iniciativas, voltadas para o interno desta organização. Mais adiante, buscamos recuperar a experiência da experiência da “Delegação”, muito presente em nossas organizações de base, entre os anos 60, 70 e 80. Concluímos estas linhas, chamando a atenção de nossas organizações de base, no sentido de buscarem potencializar suas tarefas organizativas, formativas, e de lutas, de maneira conectiva, isto é, de modo a se associarem, em suas diversas instâncias, marcando presença nos encontros e nas lutas dos nossos parceiros e aliados.

Por um exercício conectivo da memória, das ações e dos compromissos dos movimentos sociais populares

Tem sido uma praxe a sensação de que, a cada movimento social popular, basta desenvolver uma agenda de atividades organizativas, formativas e de lutas, apenas ao interno desta organização. Não negamos a importância do desenvolvimento destas ações. Por outro lado, avaliamos serem insuficientes estas ações, à medida que não se faz claro o entendimento de que as mudanças sociais almejadas – principalmente nossa luta de superação da barbárie capitalista -, não se faz apenas pela ação de um movimento social popular, por mais organizado e avançado que seja. Tem que ser obra do conjunto de nossas organizações de base, sem o que nossa luta por uma nova sociedade permanecerá muito a quem do que desejamos.

Ao longo da história, temos conhecimento de diversas mudanças sociais, na idade antiga, na idade média, na idade moderna e sobretudo na idade contemporânea. Todas estas grandes mudanças sociais, em especial as experiências revolucionárias – a da Revolução Francesa, a da Comuna de Paris, a Revolução Russa, a Revolução Chinesa, a Revolução Cubana, entre outras – só se deram, graças ao protagonismo dos movimentos sociais populares, entre outras organizações de base. Com efeito, estas forças se mostram essenciais, indispensáveis a todo processo que se queira revolucionário. Neste sentido, entendemos importante o esforço organizativo, formativo, e de mobilização, desenvolvido por cada umas destas organizações de base, ao mesmo tempo em que avaliamos insuficiente quando tais atividades não se fazem de forma associada, conjugada, tornando bem mais forte sua organização, além de permitir uma ação de maior potencial transformador.

De fato, observamos o esforço hercúleo em várias de nossas organizações de base. Tomemos o caso dos movimentos feministas, como ilustração. Sabemos das conquistas relevantes que vêm sendo feitas pelos movimentos feministas (marcha mundial das mulheres, marcha das margaridas, entre outros). Por outro lado, lamentamos, não apenas em relação ao movimentos feministas, como também aos movimentos negros, movimentos indígenas, movimentos camponeses, movimentos operários, certa teimosia em atuarem isoladamente. Daí resulta um lamentável desperdício, se atuassem de forma orgânica, certamente colheríamos resultados mais promissores. O isolamento de um movimento popular constitui, sob vários aspectos, um equívoco, por mais que reconheçamos os frutos de sua luta. Por exemplo, em um movimento de natureza etnica-indigina, quilombola, cigano…, há não raramente a tendência a um desenvolvimento isolado, voltado apenas para os interesses do movimento. Sucede que, assim agindo, o próprio movimento padece de alguns equívocos. Por exemplo, a luta ao interno dos movimentos negros, quando e se realizada em função dos interesses exclusivos deste movimento resulta enfraquecido, por várias razões:

  • Como não entender que, em um movimento negro, os participantes e as partipipantes, além de serem negros, pode ser também camponeses/camponesas, operarias/operarios, indentificados com a população lgbtqia+, pode ser formado por jovens, por adultos, por pessoas idosas, pode ser formado por pessoas de diferentes regiões. Cada uma dessas dimensões, quando não devidamente tomada em conta quanto ao seu significado, quanto ao seu limite e potencialidades, acaba não recolhendo as lições mais potencializadoras de avanços para o próprio movimento.

 

A prática da Delegação como fator conectivo em e das organizações de base e suas respectivas instâncias organizativas

 

A experiência da Delegação constitui uma marca relevante dos processos revolucionários mais reconhecidos, a exemplo do caso da Comuna de Paris. O princípio da Delegação consiste, como se sabe, na eleição democrática de pessoas, no caso delegados e delegados, cuja missão é de relatar com fidelidade os processo deliberativos tomados pela base, junto a outras instâncias organizativas desta força. O princípio da Delegação (assim como o princípio da alternância de cargos e funções, entre outros) constitui uma marca de nossas experiências organizativas, no final dos anos 70 e 80. Naquela conjuntura, coincidindo com o surgimento de novas forças populares, dentre as quais o Movimento Pró-PT (1979), A CUT (1984), o Movimento do MST (1984-85), além de grupos pastorais progressistas, correspondem a sujeitos históricos que experimentaram, em seus processos organizativos, o princípio da Delegação, este se distingue do princípio de meros representantes, pelo fato de que enquanto os representantes assumem um compromisso meramente formal de  “representarem” suas bases organizadas, com frequência não correspondem às tarefas de que foram incubidos. Os delegados, as delegadas, por outro lado, assumem o compromisso formal e material de serem fiéis portadores das decisões tomadas pela base nas ocasiões de participação orgânicas, o princípio da organização cumpriu um papel decisivo naquela conjuntura, a despeitos de suas lacunas.

Naquela conjuntura, estas forças que surgiram, tinham uma avaliação extremamente crítica em relação ao papel do Estado, entendendo-o como componente essencial do modo de produção capitalista e da organização de toda a sociedade de classe, à medida que as classes dominantes de ontem e de hoje sempre se valeram e se valem do Estado ao lado do seu mercado, o mercado capitalista para imporem de suas políticas econômicas, de tal modo que sem a figura de seu Estado não teriam sucesso em suas políticas econômicas, já que o mercado sozinho não dá conta da implementação de tais políticas.

A medida, contudo, que a maioria destas forças que rodeiam aquela conjuntura dos anos 80, se deixaram fascinar pelo processo eleitoral e pelos sucessos eleitorais alcançados, passaram também a desprezar ou a subestimar o mecanismo da delegação, passando a substituí-lo pelo mecanismo da mera representação formal. O resultado não tardou a aparecer: estas forças iam envolvendo-se progressivamente na engrenagem da máquina estatal, de sorte que passaram a ser coadjuvantes do próprio sistema que diziam combater.

Como se percebe, a experiência da delegação desempenha um papel fundamental sob vários aspectos da consciência de classe e do compromisso dos protagonistas sociais – das organizações de base, dos movimentos populares e pastorais sociais – como meios principais de transformação social. Uma vez abandonado ou mitigado estes caminhos, as classes dominantes e dirigentes passam a exercer influência decisiva sob estas mesmas forças populares, de tal modo que, mesmo ascendendo a relevantes espaços estatais ou governamentais, inclusive o espaço da presidência da república, passam a ser administradores do próprio sistema que dizem combater.

 

Quais exemplos ilustrativos poderíamos rememorar, para comprovarmos a eficácia transformadora do princípio da Delegação?

Alguns exemplos bastam para comprovarem sua eficácia transformadora. Um primeiro exemplo é a consciência da força conectiva da Delegação. Os núcleos, as células, os círculos de cultura, as pequenas comunidades ou algo semelhante, não se limitam a reunir-se de forma isolada. Com certeza, não bastando a mera criação destes espaços nucleares, estes precisam ser continuamente alimentados, por meio de reuniões regulares e outros encontros. A diferença de beneficiar o princípio da Delegação consiste em conter o isolamento destes núcleos, celulas ou círculos de cultura ou que outro nome tenham, no sentido de induzi-los, a uma ligação orgânica não apenas a outros núcleos, como também diferentes instâncias organizativas, em âmbito municipal, estadual, nacional (sem esquecer a necessidade da organização também do âmbito internacional),

Os delegados/delegadas constituem preciosos elementos de conexão, no sentido de entender-se que as transformações buscadas e desejadas não se fazem apenas com a boa organização de um núcleo ou mesmos de vários núcleos mantidos isoladamente, mas como sua conexão com outras instâncias. Portanto, trata-se de se entender que os processos revolucionários comportam múltiplos sujeitos com o mesmo projeto de sociedade, alternativo ao capitalismo e a toda sociedade de classes.

 

João Pessoa, 18 de julho de 2022.

#SOSPetropolis: sociedade mobilizada para apoiar moradores atingidos

Temporal já provocou a morte de pelo menos 58 pessoas e deixou centenas desabrigadas. Grande parte da cidade está sem energia elétrica e sem água

A população do Rio de Janeiro está mobilizada para ajudar as pessoas e famílias atingidas pelo temporal que já provocou a morte de pelo menos 58 pessoas e deixou centenas de desabrigados. Lideranças populares, comunitárias, sociais, religiosas e políticas estão empenhadas na convocação e na organização de campanhas de apoio.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, o número de mortos passou de 50 e há muitos desabrigados. Ainda não há informações sobre o número de desaparecidos. Outras regiões também foram atingidas, como 24 de Maio, Caxambu, Sargento Boening, Moinho Preto, Vila Felipe, Vila Militar e as ruas Uruguai, Whashington Luiz e Coronel Veiga.

O PT-RJ e os Comitês Populares de Luta Miguel Pereira e Paty de Alferes, no Rio de Janeiro, por exemplo, imediatamente organizaram uma campanha para ajudar o povo da Região Serrana, que foi atingida por uma forte tempestade na tarde desta terça-feira, 15. Os comitês foram criados para organizar a mobilização de todas as pessoas dispostas a contribuir para transformar a vida do povo brasileiro.

As doações para ajudar as vítimas da tragédia serão encaminhadas aos moradores de Petrópolis. Grande parte da cidade está coberta de lama, sem água e sem energia elétrica. As contribuições podem ser feitas em alimentos, água potávels, cobertores, roupas, itens de higiene pessoal e de limpeza.

secretária Nacional de Movimentos Populares do PT, Lucinha Barbosa, expressa solidariedade às vítimas e alerta sobre a importância na prevenção de riscos e sobre a falta de antecipação do governo.

Mobilizaremos todos os esforços, como temos feito, em outros estados e cidades, em ações de solidariedade, para diminuir o sofrimento do povo de Petrópolis. Conclamamos aos nossos governantes no atendimento e cuidado às vitimas, abrigo, saúde, alimentação, mas principalmente, de soluções que recoloquem em segurança a população atingida a sua vida cotidiana.”

Doações

As doações podem ser entregues no endereço abaixo:

  • O que doar: água, leite em pó, roupas, cobertores
  • Onde: na sede do Comitê que fica no prédio do Gargarulho, sala 201 em Miguel Pereira; e no Barbatimão, na Avenida Osório Duque Estrada, 120 no Centro de Paty de Alferes.
  • Email: comitepopulardelutapatymiguel@gmail.com

“Vamos ajudar, minha gente!”

A deputada federal Benedita da Silva (T-RJ), o presidente Lula e a presidenta do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann, manifestaram solidariedade em suas redes sociais. O presidente Lula apelou para a união da sociedade, autoridades e servidores públicos para reconstruir a cidade, auxiliar os desabrigados e reparar os danos causados pela chuva. “Vamos ajudar, minha gente”, convocou Benedita.

 

 

 

 

Fonte: PT, com informações do G1

(16/02/2022)

Centrais Sindicais mobilizam classe trabalhadora contra a fome

Presidentes de 10 centrais anunciam participação na campanha do MST destinada à montagem de cestas básicas para famílias em situação de insegurança alimentar

No período de 10 de dezembro a 6 de janeiro de 2022, as centrais sindicais estarão participando diretamente da campanha nacional “Natal Sem Fome: cultivando a solidariedade“, que é impulsionada pelo MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra com o objetivo de arrecadar recursos financeiros e alimentos para a montagem de cestas básicas que serão distribuídas às famílias em situação de insegurança alimentar.

As cestas básicas, que terão alimentos da agricultura familiar, também serão doadas para apoiar o trabalho das cozinhas comunitárias e na distribuição das marmitas solidárias que atendem pessoas desempregadas e a população em situação de rua.

Em nota assinada pelos presidentes de 10 centrais sindicais, os sindicalistas denunciam o grave quadro social vivido pela população mais pobre do país. “O Brasil sob o desastroso governo de Jair Bolsonaro chega ao final de 2021 em meio à sua mais grave crise social e econômica, o pior momento da história recente para a classe trabalhadora”, diz um trecho do documento.

Mais da metade (59,3%) da população – 125,6 milhões de brasileiros – sofrem hoje algum grau de insegurança alimentar. Desse total, pelos menos 20 milhões acordam e dormem sem ter o que comer, ou seja, passam fome”, alertam os dirigentes sindicais.

Leia abaixo a íntegra da nota:

Centrais sindicais mobilizam sindicatos e trabalhadores contra a fome

As Centrais Sindicais unem-se a movimentos populares e organizações da sociedade na luta para garantir alimentos, neste final de ano, à população vulnerável, desempregada e em insegurança alimentar, um contingente que já ultrapassa 125 milhões de brasileiros e brasileiras. De 10 de dezembro a 6 de janeiro, CUT, Força Sindical, UGT, CTB, CSB, NCST, CSP-Conlutas, Intersindical Central da Classe Trabalhadora, Intersindical Instrumento de Luta da Classe Trabalhadora e Pública Central do Servidor e seus sindicatos filiados irão se somar à campanha nacional “Natal Sem Fome: cultivando a solidariedade”, impulsionada pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

O objetivo é arrecadar recursos financeiros e alimentos para montagem de cestas básicas com produtos da agricultura familiar para distribuição às famílias em situação de insegurança alimentar e apoiar as cozinhas comunitárias e marmitas solidárias que atendem desempregados e população de rua.

O Brasil sob o desastroso governo de Jair Bolsonaro chega ao final de 2021 em meio à sua mais grave crise social e econômica, o pior momento da história recente para a classe trabalhadora.

Mais da metade (59,3%) da população – 125,6 milhões de brasileiros – sofrem hoje algum grau de insegurança alimentar. Desse total, pelos menos 20 milhões acordam e dormem sem ter o que comer, ou seja, passam fome. O desemprego recorde, a pandemia da Covid-19 negada por Bolsonaro e a alta geral nos preços empurraram o Brasil de volta ao Mapa da Fome, de onde o país havia saído em 2014, por meio de programas e ações exitosas adotadas nos governos de Lula e Dilma.

Além de negar a pandemia, incentivar o uso de tratamentos ineficazes, boicotar o isolamento e a vacina, o governo Bolsonaro, ao acabar com o Programa Bolsa Família e o Auxílio Emergencial, deixou 29,4 milhões de brasileiros pobres sem nenhum apoio. Essa é a diferença entre o número de pessoas atendidas pelos programas que terminaram e aquelas que terão acesso ao Auxílio Brasil.

As Centrais Sindicais, desde o início da pandemia, convocaram e mobilizaram os seus sindicatos de base a realizar campanhas de doação de alimentos e itens essenciais à sobrevivência da população em situação vulnerável, em especial, trabalhadores desempregados. Em todo o Brasil, o movimento sindical atendeu o chamado, arrecadou e distribuiu milhares de toneladas de alimentos, produtos de limpeza e de higiene, vendeu gás de cozinha e combustível a preço justo, usando as estruturas dos sindicatos. Não trata-se de assistencialismo, mas sim de ação solidária no momento em que falta comida e falta governo ao Brasil.

A proximidade das celebrações de fim de ano e o agravamento da crise social exige que nossas ações sejam intensificadas. Não bastasse a fome e o desemprego, vemos, nas últimas semanas, intensificarem-se as ameaças de despejo de famílias em ocupações no campo e na cidade.  A solidariedade da classe trabalhadora nunca foi tão necessária e o movimento sindical responderá como sempre tem respondido, junto ao povo e pelo povo.

Brasil, 06 de dezembro de 2021

Sérgio Nobre, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores)

Miguel Torres, presidente da Força Sindical 

Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores) 

Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) 

José Reginaldo Inácio, diretor da NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores) 

Antônio Neto, presidente da CSB, (Central dos Sindicatos Brasileiros) 

Atnágoras Lopes, secretário Executivo Nacional da CSP-Conlutas

Edson Carneiro Índio, secretário-geral da Intersindical (Central da Classe Trabalhadora) 

José Gozze, presidente da Pública, Central do Servidor

Emanuel Melato, coordenação da Intersindical Instrumento de Luta

 

Fonte: PT

(07-12-2021)

ABRATECOM participa de eleições no Conselho Nacional de Saúde 2021-2024

No mês de novembro a Abratecom participou ativamente de todas as atividades do Conselho Nacional de Saúde, que culminou no dia 11/11/2021 nas Eleições 2021-2024.

Foram intensas as vivências e articulações neste período e optamos por não estar entre o titular e suplentes, neste momento, mas conseguir 1 vaga na Comissão Intersetorial de Promoção, Proteção e Práticas Integrativas e Complementares em Saúde do CNS, o que será muito estratégico para a Terapia Comunitária Integrativa.

Estivemos no segmento dos USUÁRIOS, no subsegmento ENTIDADES OU MOVIMENTOS SOCIAIS E POPULARES de USUÁRIOS DO SUS.
Este é o VÍDEO que nossas queridas Malu e Greice fizeram para nossa divulgação no CNS:

https://www.youtube.com/watch?v=8dlH2wqYY5c

Agradecimentos especiais:

@Malu @Maria Filha – Nossa titular e suplente
@Sarah por ter ajudado em todo o processo!

Fonte: ABRATECOM

Movimentos populares discutem alternativa para os dilemas da humanidade

Por Gabinete de Comunicação do Encontro Mundial de Movimentos Populares
Para Página do MST

A primeira parte do IV Encontro Mundial de Movimentos Populares terminou com um diálogo aberto sobre os dilemas da humanidade e o documento final será entregue ao Papa Francisco em setembro

Por pouco mais de três horas, mais de duzentos representantes de movimentos populares da América, Europa, Ásia e África, representando uma diversidade de trabalhadores humildes, marginalizados e excluídos de 54 países; trabalhadores rurais sem-terra; e trabalhadores sem teto e suas famílias, de bairros populares e favelas; trabalhadores de vários ofícios, que além de sofrerem as injustiças deste sistema lutam contra eles, reuniram-se no anseio comum por um planeta que garanta terra, moradia e trabalho para todos e em todos os lugares. Nesta primeira parte do encontro, como uma forma prática de construir uma cultura de encontro e caminhar juntos, discutiu-se o impacto da pandemia e os dilemas que a humanidade enfrenta hoje a partir da perspectiva dos movimentos populares.

Também participaram o Cardeal Peter Turkson, o Prefeito do Dicastério para o Serviço de Desenvolvimento Humano Integral; o Cardeal Michael Czerny, o Subsecretário do mesmo Dicastério; Marcelo Sánchez Sorondo, Chanceler da Pontifícia Academia de Ciências Sociais, juntamente com uma delegação de membros do Vaticano.

Gloria Morales, trabalhadora norte-americana, foi responsável por abrir e dinamizar este “espaço de grande importância para dialogar juntos sobre soluções para os dilemas da humanidade, diante da falta de terra, moradia e trabalho, para construir um novo mundo”. Um debate que “será compilado em um documento que será entregue ao Papa Francisco”.

Protagonizar a mudança e responder com solidariedade

O Cardeal Peter Turkson, lembrando das três reuniões anteriores “que nos fazem avançar”, enfatizou a necessidade de liderar os processos de mudança, com os direitos sagrados à terra, à moradia e ao trabalho para todos, “que são universais”, para superar as injustiças e responder aos problemas globais com o protagonismo dos movimentos populares.

“Esta reunião é uma fonte para os protagonistas da mudança, para aqueles que estão em contato direto com os que sofrem injustiças e desigualdades. As pessoas pobres nos convidam a resolver os problemas da desigualdade” que começam por cada um de nós. A conversão integral de cada pessoa, a luta comunitária contra a injustiça, “mudará as estruturas da sociedade”.

“Os desafios não podem ser resolvidos por um grupo ou individualmente, as estruturas do mal são respondidas com solidariedade”, que penetra na vida do povo das periferias, e neste esforço está o Papa Francisco. Precisamos de “coragem, compaixão e tenacidade, sem violência”, propondo como método para realizar esta luta “a cultura do encontro”, cultivando e promovendo “a agenda comum que temos” e revitalizando a própria democracia, que a estrutura econômica atrofiou, “para avançar em direção a um mundo de justiça e igualdade e fortalecer estruturas mais justas”, conclui o Cardeal.

Nosso compromisso é necessário: não deixem a dignidade ser usurpada

Charo Castelló, do Movimento Mundial de Trabalhadores Cristãos (WMCW-HOAC Espanha) falou sobre o processo de diálogo com o Papa Francisco, que se desenvolveu “em cada um de nossos povos, países e continentes. Continuamos com nosso ‘método’, que é tão importante quanto o resultado, para ver a realidade de nossos irmãos e irmãs, para sentir o sofrimento, para acompanhar o trabalho diário, as esperanças e as lutas pela sobrevivência; discernir à luz dos grandes valores e princípios éticos e cristãos das contribuições que o Papa Francisco compartilha conosco e, a partir daí, desenvolver ações organizadas e populares em linha com este programa dos três T”, disse Charo.

Castelló pediu para “termos um olhar crítico que nos permita continuar com o compromisso organizado, defendendo a terra, a moradia e um trabalho digno”. As perguntas que podem ajudar a termos esse olhar crítico é pensar no “quanto avançamos como protagonistas da ação sociopolítica” e nos permitindo construir mais democracia. “Quanto e como temos acompanhado nossos irmãos e irmãs mais pobres, imigrantes e pessoas marginalizadas? Quanto e como temos protegido a Mãe Terra com nossos estilos de vida e nossas propostas?”, questiona. Castelló terminou seu discurso com um chamado para continuar com nossa dedicação “para fazer esta mudança de paradigma econômico, político, cultural… porque sabemos que as coisas podem mudar. Por sermos irmãos e irmãs, não podemos deixar que roubem a nossa dignidade”, insistiu.

Escutem-nos

Sonia Fadrigo, da Slum Dwellers International (SDI-Filipinas), um movimento popular de pessoas que vivem em assentamentos informais, interveio para levantar alguns desafios essenciais para os trabalhadores mais pobres, tais como “o acesso a serviços básicos, como moradia, água, saneamento, o impacto da mudança climática e agora a pandemia da COVID-19” que estão sendo respondidos com uma atitude comprometida, de solidariedade e cuidado “entre os participantes”. Neste sentido, ela apontou as lutas que estão sendo desenvolvidas com governos, autoridades etc., para a busca de soluções e para liderar as mudanças “conjuntas”.

Defender os ensinamentos do Papa Francisco

Juan Grabois, do Movimento de Trabalhadores Excluídos (MTE-UTEP Argentina) discursou, focando em duas vertentes. Ele denunciou a situação socioambiental e econômica, alertando que, assim como quando a natureza é atacada e “há consequências, a exclusão social também terá”. Neste sentido, ele falou sobre as enormes desigualdades existentes e insistiu em “reafirmar nossas propostas e os mandamentos do Papa Francisco” a partir das três bandeiras compartilhadas: a terra, a moradia e o trabalho. “E a cada uma corresponde uma missão: quando falamos de terra, temos que falar de reforma agrária; quando falamos de moradia, temos que pensar em uma profunda reforma humana (onde vamos viver segundo critérios humanos); quando falamos de trabalho, precisamos desenvolver uma economia popular e social”.

Grabois lembrou o pedido do Papa Francisco para “unir nossos povos, colocar a economia a serviço dos povos e defender a Mãe Terra”. Neste sentido, ele advertiu que “a covardia nesta defesa é um pecado grave”. Além disso, lembrou também os riscos nesta missão para os militantes populares. “Não devemos nos limitar a nossos projetos, mas também devemos ter uma visão política de transformação em um nível abrangente”. O outro risco é o da corrupção, especialmente quando temos acesso a questões de poder, para não cair nestas tentações”, perdendo o contato com a realidade. “Não devemos perder o contato com a luta pela terra, pela moradia e pelo trabalho”, disse ele.

Por fim, realizou uma autocrítica ao reconhecer uma certa fragilidade na extensão e difusão dos “ensinamentos do Papa Francisco” e, nesse sentido, criticou “a Igreja que renegou e domesticou os ensinamentos dele. Não podemos ser frágeis”, concluiu ele.

Pensar em comunidade como uma alternativa aos dilemas atuais

O encontro continuou com o discurso de João Pedro Stédile, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST-LVC Brasil), que expressou sua solidariedade com todos os povos em luta, especialmente os do Haiti e da Palestina, e lembrou as milhares de pessoas e ativistas que morreram por causa da pandemia.

Stédile apresentou o debate sobre Os dilemas da Humanidade, que mais tarde foi debatido em grupos de trabalho, lembrando a crise mundial que continua provocando este sistema econômico “organizado apenas para o lucro e não para a vida”. O capitalismo “não produz nem organiza a economia para resolver as necessidades do povo”; promove “o egoísmo e o consumismo”. Diante desta realidade que fere as pessoas, os povos e o planeta, os movimentos populares são chamados a “pensar como sair da crise através dos dilemas da humanidade, com uma saída que supere o capitalismo que não pode mais ser suportado”.

Este pensamento coletivo que estamos discutindo nesta reunião deve favorecer “um programa, uma saída” sobre as mudanças que devem ser feitas. Neste sentido, ele apontou que as mudanças estão relacionadas “à boa vida, a salvar a natureza, à Mãe Terra, a defendê-la como um bem comum” e a prevenir qualquer agressão. O método que ele sugeriu para o diálogo foi agir cultivando a “solidariedade” como uma prática de igualdade social. O processo de mudança, embora difícil, virá “do povo organizado. As mudanças sempre foram o resultado da luta do povo”, enfatizou ele.

Em setembro, haverá a II Parte do IV Encontro

Gloria Morales explicou o calendário e o procedimento para as contribuições ao documento final que foi debatido nos grupos de trabalho. Este documento sobre os dilemas da humanidade é uma reflexão coletiva dos movimentos populares e será entregue ao Papa Francisco na segunda quinzena de setembro. Nesta segunda parte do encontro, um vídeo das ações dos movimentos populares durante os momentos mais difíceis da pandemia também será compartilhado. A reunião terminou com uma música de Rose Molokoane, “juntos, nós conseguimos”.

*Editado por Maria Silva

Fonte: MST

(11-07-2021)