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Papa compartilha a alegria de reencontrar jovens na JMJ de Lisboa em 2023

Por Andresa Collet

O desejo veio durante a Audiência Geral e justamente na saudação aos peregrinos de língua portuguesa: “a alegria de nos encontrarmos e a vontade de estar juntos são sinais fundamentais para o mundo de hoje, dilacerado por confrontos e guerras. Que Nossa Senhora guarde o nosso desejo de comunhão e de paz”. O Papa também recordou do Dia Mundial da Juventude em nível diocesano celebrado no último domingo (20).

A exatamente 250 dias da Jornada Mundial da Juventude que acontece no início de agosto de 2023, o Papa Francisco compartilhou a alegria do reencontro no evento mundial em Lisboa, em Portugual. Ao saudar os peregrinos de língua portuguesa na Audiência Geral desta quarta-feira (23), especialmente os provenientes de Chapecó, do Estado de Santa Catarina, e também de Portugal, o Pontífice afirmou:

“No domingo passado foi celebrado nas dioceses o Dia Mundial da Juventude, com o pensamento dirigido para o encontro de jovens que se realizará no próximo ano em Lisboa. A alegria de nos encontrarmos e a vontade de estar juntos são sinais fundamentais para o mundo de hoje, dilacerado por confrontos e guerras. Que Nossa Senhora guarde o nosso desejo de comunhão e de paz. Deus vos abençoe.”

No último final de semana, o Papa esteve na região italiana do Piemonte, de onde presidiu à missa no domingo, 20 de novembro, Solenidade de Cristo Rei, data em que também se celebra a Jornada Mundial da Juventude em nível diocesano. A partir da Catedral de Asti, o Pontífice deixou uma palavra especial aos jovens presentes na celebração e aos jovens de todo o mundo:

“Desde o ano passado, a Jornada Mundial da Juventude é celebrada nas Igrejas particulares precisamente na Solenidade de Cristo Rei. O tema, o mesmo da próxima JMJ, em Lisboa, para a qual renovo o convite para participarem, é ‘Maria levantou-se e partiu apressadamente’ (Lc 1,39).”

Francisco reforçou que “o segredo para permanecer jovem” está precisamente nestes dois verbos – levantar e partir. Dirigindo-se aos jovens, pediu para que “não fiquem parados pensando em si mesmos, desperdiçando a sua vida em busca de conforto ou da última moda”, mas que “se façam à estrada, saiam dos seus medos para estender a mão a quem precisa.”

“Hoje precisamos de jovens que sejam verdadeiramente transgressores. Não conformistas. Que não sejam escravos dos celulares, mas mudem o mundo como Maria, levando Jesus aos outros, tratando dos outros, construindo comunidades fraternas com os outros, realizando sonhos de paz”, afirmou o Papa.

Fonte: Vatican News

Atualização

O discurso de Lula em 30 de outubro, quando foi conhecido o resultado oficial das eleições presidenciais, me tocou profundamente. Depois de muito tempo escutei até o fim, alguém que é o que diz. É o que é. É o que está lá, à vista. Isso tem um efeito sanador.

Ele não era alguém tentando convencer, tentando provar algo, ou se exibir. Era o que eu estava ouvindo. Enquanto eu ouvia Lula, algo em mim estava se juntando, estava se reunindo. E estou certo de que continuará a se juntar e reunir.

Acompanho a trajetória de Lula desde o início da luta pela democratização do Brasil. E o Lula que vi e ouvi é um florescimento, o resultado consistente e coerente, impactante, de um processo de crescimento. Confesso que tenho dificuldades em acompanhar alguém tão singular. Foge do padrão.

Nisso nos parecemos. E em muitas outras coisas. O que mais me tocou, o que mais me toca nesse nordestino, nesse pernambucano, nesse brasileiro de coração sem limites, é sua capacidade de não se trair, de não se curvar, de não ser o que não é. A força do ser é imparável. E foi isso que Lula demonstrou nestas eleições. Está tão inteiro como nunca.

Para um garoto como eu, que amava a Argentina como Lula ama o Brasil, é uma grande lição. Se pode. Sim, é possível. Obrigado, Lula, por me lembrar que é possível. É possível ter um sonho do tamanho de um país. Eu tive esse sonho na Argentina dos anos 1960 e 1970, e ainda o tenho. Agora num país ampliado.

Lula me lembrou vivamente disso, e isso me traz de volta sensações juvenis que continuarão a me acompanhar. A palavra é mais do que um meio. É o que somos. A morte não é a derrota. Derrota é o falseamento, o autoengano, a simulação, a mentira, a força bruta.

Tudo que foi derrotado pelo povo brasileiro em 30 de outubro de 2022. O que não devia prevalecer foi enterrado. Lula renasceu cada vez que tentaram destruí-lo, e ele voltou melhorado. Isso é o que euacho que ninguém devia esquecer. Eu não esqueço.

Não preciso citar Paulo Freire, exibir algumas frases desse outro pernambucano que iluminou minhas tentativas por uma Argentina sem fome, sem violência nem dominação. O que brilha com luz própria não precisa de artifício. Brilha e ponto.

Paulo Freire e Lula. Brasil. Eu sou o que eu faço. Eu sou essas palavras que vão adiante iluminando meu caminho. Faço parte dessa vasta humanidade que não se dobrou, não se quebrou, não se perdeu. Uma semente me servirá, lemos nas Escrituras. Agora eu sei que é verdade. Adiante!

Por que eu voto em Lula-Alckmin?

Por Henriqueta Camarotti*

Queridos e queridas, Terapeutas Comunitários e simpatizantes da causa: Por que eu voto em Lula-Alckmin?

Vivemos um momento singularmente difícil em nosso país. Como Terapeutas Comunitários, creio que temos responsabilidades especiais neste caso, um tanto diferentes daquelas que assumimos quando coordenamos grupos de TCI. Refiro-me à necessidade de nos posicionarmos, como cidadãos, frente ao momento atual. Assim eu, Henriqueta Camarotti, acima de tudo cidadã, mas também médica e Terapeuta Comunitária não poderia deixar de me manifestar neste momento tão importante para o destino do povo brasileiro. Assim, vejamos alguns fatos atuais, não meras opiniões minhas ou de alguma outra pessoa, que demonstram, sem sombra de dúvida, que nosso país vem caminhando, nos últimos quatro anos, literalmente para o fundo do poço, em todos os setores, mas principalmente naqueles dos quais dependem a segurança, a saúde, a educação e o bem-estar de nossa gente.

1- Na saúde, ocorreu abandono total e irresponsabilidade por parte do governo federal e seus aliados com a pandemia de Covid, acarretando não só catastróficas centenas de milhares mortes, como também atraso e cancelamento de cirurgias, tratamentos de câncer, controle de doenças crônicas, cuidados a crianças em estado de risco, além de desmobilização social nas vacinações, precarização da atenção em saúde mental, gerando um estado de  autêntico caos na saúde pública e forte desinvestimento no SUS, como nunca visto até então.

2- Na educação, ausência de projetos de melhoria e intenso corte de verbas, levando ao sucateamento de escolas, queda da oferta de vagas para crianças e jovens, abandono por parte de jovens estudantes, desestímulo aos professores, além de militarização das escolas, com a atenção em tempo integral abandonada como projeto de governo, em troca da militarização e do incentivo ao desacreditado home-schooling, fazendo com que, na prática, as crianças fiquem na rua ou entregues aos programas sensacionalistas ou violentos de TV, enquanto os pais estão trabalhando para ganhar minimamente para seu sustento.

3- Na área social, volta da fome, retornando o país a uma situação de décadas atrás, com favelamento, aumento de moradores de rua e precarização cada vez maior da vida nas cidades e no campo.

4- Na segurança individual e pública, índices de criminalidade crescentes, com o crescimento do fenômeno das milícias, das execuções sumárias, da arbitrariedade e da violência policial, além do terror gerado por indivíduos fora da lei nas comunidades mais pobres.  Aumento da violência com mulheres e crianças e crescente aumento da violência nas ruas.

5- Nos costumes e relações sociais, manifestações e incentivos, por parte de certas autoridades, a atitudes de preconceito, ódio, desrespeito às mulheres e aos diferentes em termos religiosos, raciais, étnicos, regionais e de classe social.

Por estas e outras razões, que são hoje de conhecimento amplo da sociedade e que só não vê quem ficou cego e surdo aos anseios da sociedade, é que comunico aos meus amigos e amigas, em especial à valorosa turma de propagadores da Terapia Comunitária Integrativa, venho de público MANIFESTAR MEU VOTO, NO DIA 30 PRÓXIMO EM  LULA e ALCKMIN, porque vejo nisso a única forma de evitar ou pelo menos atenuar a verdadeira interrupção e mesmo destruição de um processo civilizatório, que mesmo com dificuldades diversas, vinha sendo empreendido no nosso país.

Chega de mentiras, de violência, de desrespeito aos diferentes, de truculência, de fazer com que nós brasileiros continuemos a passar vergonha perante outros povos.

*Neuropsiquiatra , homeopata, gestalt terapeuta e terapeuta comunitária. Criadora da abordagem Terapia Transessencial.

Papa ao Movimento Equipes de Nossa Senhora: sejam jovens com asas e raízes

Por Jane Nogara

“Jovens com asas para voar, sonhar, criar, e com raízes para receber dos mais idosos a sabedoria que eles dão”. No encontro o Papa refletiu sobre as três palavras que compõem o nome do grupo: Nossa Senhora e jovens. O encontro foi realizado neste sábado, 6 de agosto no Vaticano

Na manhã deste sábado (06) o Papa Francisco recebeu as jovens do Movimento Católico “Equipes de Nossa Senhora” em audiência no Vaticano. O Papa iniciou afirmando: “Vocês queriam ouvir, dos meus lábios, que a santa Mãe Igreja ama e conta com cada um de vocês. E assim é! A Igreja ama o que Jesus amou”. E disse que gostaria de refletir um pouco sobre as três palavras que compõem o nome do grupo: equipe, Nossa Senhora e jovens.

Equipe

“Vocês vivem a experiência de equipe, de grupo – disse o Pontífice -. Isto é um dom, não é um dado adquirido! Fazer parte de uma comunidade, de uma família de famílias que transmite uma fé vivida é um grande dom! Ninguém pode dizer: ‘Salvo-me sozinho’. Estamos todos em relação, para aprender a fazer equipe. Deus quis entrar nesta dinâmica de relações e atrai-nos a si em comunidade, dando à nossa vida um sentido pleno de identidade e de pertença”.

“Não tenham medo de se abrir, de correr riscos; e não tenham medo dos outros”

O Papa recordou que embora existam abusos, mentiras e traições, o problema não é se defender dos outros, mas a preocupação deve ser a de defender as vítimas. “Neste tempo do virtual e da consequente solidão em que se deixam cair muitos dos seus coetâneos, vocês escolheram crescer em equipe. Sigam em frente, construam pontes, joguem em equipe!”

Nossa Senhora

O segundo componente é Nossa Senhora. “Como se lê no Preâmbulo dos Estatutos,  – afirmou – vocês são jovens que ‘se caracterizam por uma forte devoção a Nossa Senhora, com o consequente desejo de, ao seguir o seu exemplo e colocando-se sob a sua maternal proteção, compreenderem o lugar privilegiado de Maria, no Mistério de Cristo e da Salvação’. E assim é!”.

“Quando se acolhe Maria, a Mãe, na própria vida, nunca se perde o centro, que é o Senhor. Porque Maria nunca aponta para si mesma, mas para Jesus e para os irmãos”

“Encorajo todos vocês a viver numa consagração diária à Virgem Maria e Ela ajudará a crescer em equipe, partilhando os dons recebidos em espírito de diálogo e mútuo acolhimento”.  Recordando a Jornada Mundial da Juventude de 2023, o Papa disse:

“Aqui, entre vocês, há vários jovens portugueses! Levantar-se para servir, sair para cuidar dos outros e da criação: estes são valores típicos dos jovens. Exorto todos a praticá-los enquanto se preparam para a JMJ de Lisboa”.

Os Jovens

Em seguida ao falar sobre a terceira palavra: os jovens Francisco afirmou:

“O futuro é dos jovens. Mas – atenção! – jovens com duas qualidades: jovens com asas e jovens com raízes. Jovens com asas para voar, sonhar, criar, e com raízes para receber dos mais idosos a sabedoria que eles dão”

Francisco recordou a todos para que se perguntem: “como estão as minhas asas? O meu olhar volta-se para baixo, dobra-se sobre mim mesmo, ou sei olhar para o alto, para o horizonte? No meu coração abundam sonhos, projetos, grandes desejos, ou abundam lamentações, pensamentos negativos, julgamentos e preconceitos?” E se referindo às raízes: “como estão as minhas raízes? Penso que o mundo começa comigo ou sinto-me parte de um grande rio que percorreu um longo caminho? Se tenho a felicidade de ainda ter avós, como me relaciono com eles? Falo com eles? Sei ouvi-los? Peço-lhes, por vezes, que me contem algo de importante sobre a sua vida? Valorizo a sua sabedoria?”.

Por fim o Santo Padre saudou os adultos, casais e sacerdotes assistentes que estavam presentes:

“Para os jovens presentes vocês são testemunhas, com humildade e simplicidade. Testemunhas do amor a Cristo e à Igreja, testemunhas da escuta e do diálogo, testemunhas do serviço desinteressado e generoso, testemunhas da oração”.

Fonte: Vatican News

(06/08/2022)

Pensar o impensável? A vida e o tempo

Foi-me solicitado escrever alguns pensamentos sobre a vida e o tempo, destinados aos jovens de hoje. Eis o que escrevi:

“Meus caros jovens,

Considerem a vida, o valor supremo, acima do qual só há o Gerador de toda vida,aquele Ser que faz ser todos os seres.Os cientistas,especialmente o maior deles que se ocupou do tema da vida, o russo-belga I.Prigogine afirmou: podemos conhecer as condições físico-químico-geológicas que permitiram o irromper a vida há 3,8 bilhões de anos. O que ela seja, no entanto, permance um mistério.

Mas podemos seguramente dizer que o sentido da vida é viver, simplesmente viver, mesmo na mais humílima condição. Viver é  realizar, a cada momento, a celebração desse evento misterioso do universo que pulsa em nós e quiçá em muitas olutras partes do universo.

A vida é sempre uma vida com e uma vida para. Vida com outras vidas, com vidas humanas, com vidas da natureza e com vidas que por acaso existirem no universo e que um dia puderem se comunicar conosco. E vida para dar-se e unir-se a outras vidas para que a vida continue vida e sempre se perpetue.

Mas a vida é tomada por uma pulsão interior que não pode ser freada. A vida quer irradiar, se expandir e se encontrar com outras vidas. A vida é só vida quando é vida com e vida para.

Sem o com e sem o para a vida não existiria como vida assim como a conhecemos, envolta em redes de relações includentes e  para todos os lados.

A pulsão irrefreável da vida faz com que ela não queira só isso e aquilo. Quer tudo. Quer até a Totalidade, quer o Infinito. No fundo, a vida quer ser eterna.

Ela carrega dentro de si um projeto infinito. Este projeto infinito a torna feliz e infeliz. Feliz porque encontra, ama e celebra outras vidas e tudo o que está ao seu redor, mas é infeliz porque tudo o que encontra, ama e celebra é finito, lentamente se desgasta, cai sob o poder da entropia e acaba desaparecendo. Apesar dessa finitude em nada enfraquece a pulsão pelo Infinito e pelo Eterno.

Ao encontrar esse Infinito repousa, experimenta uma plenitude que ninguém lhe pode dar, mas que só ela pode  desfrutar e celebrar. O infinito em nós é o eco de um Infinito maior que sempre nos chama e nos convoca.

A vida é inteira, mas incompleta. É inteira porque dentro dela está tudo: o real e o potencial. Mas é incompleta porque o potencial ainda não se fez real. E como o potencial é ilimitado, o nosso tipo limitado de vida  não comporta o ilimitado. Por isso nunca se faz completa para sempre. Permanece como abertura e espera para uma completude que quer e deve, um dia, acontecer.É um vazio que reclama ser plenificado. Caso contrário a vida não teria sentido.Como disse alguém:”a vida é oceânica demais para caber num doutrina petrificada no tempo”. Não seria a morte o momento de encontro do finito com o Infinito?

Eis que com a vida,  surge o tempo. Que é o tempo? O tempo é a espera daquilo que pode vir a acontecer. Essa espera é a nossa abertura, capaz de acolher o que pode vir, fazer-nos mais inteiros e menos incompletos.

Viva intensamente cada momento do tempo! O passado já não existe porque passou, o futuro não existe porque ainda não veio. Só existe o presente. Viva-o com absoluta intensidade, valorize cada momento, ele traz o futuro para o presente e enriquece o passado.

Cada momento é a irrupção do eterno. Só pode ser vivido. Não pode ser apreendido, aprisionado e apropriado. Só ele é. Um dia foi (o passado) e um dia será (o futuro). Do tempo nós  só conhecemos o passado. O futuro nos é inacessível porque ainda não é. Nós, no entanto, vivemos o “é” do presente que nunca nos é concedido prendê-lo.Ele simplesmente passa por nós e se vai. Ele possui a natureza da eternidade que é um permanente “´é” O tempo assim significa a presença fugaz da eternidade. Nós estamos imersos na eternidade.

Viva esse “é” como se fosse o primeiro e o último. Assim você mesmo se eterniza. E eternizando-se participa Daquele que sempre é sem passado nem futuro. Um é eterno.

Podemos falar do tempo, mas ele é impensável. Esse é  eterno está vinculado ao que as tradições espirituais e religiosas da humanidade designaram como Mistério, Tao, Shiva, Alá, Olorum, Javé, Deus, nomes que não cabem em nenhum dicionário e estão para além de nosso entendimento. Diante dele afogam-se as palavras. Só o nobre silêncio é digno.

Mesmo assim cada um deve dar-lhe o nome que é o nome de sua participação nEle e de sua total abertura a  Ele. Esse nome fica inscrito em todo o seu ser temporal, mas principalmente pulsa em seu coração. Então o seu coração e o coração dAquele que eternamente é, formam um só e imenso coração”.

Dedico este texto ao prof. Wilian Martinhão que organizou um livro “O tempo, o que é? Uma história dos tempos” para o qual eu fiz  a Apresentação que me permito publicá-la antes de a  obra vir à lume.

Lula: “Não se pode governar sem ouvir o povo brasileiro”

Para erradicar a fome, gerar renda e emprego, petista defende retomada de diálogo nacional: “A sociedade está ávida a participar da governança”, afirmou Lula, em entrevista a youtubers e mídia independente

Com o Estado praticamente reduzido a pó na sua capacidade de fomentar o desenvolvimento com inclusão social, o Brasil precisa agora articular um amplo movimento de reconstrução nacional. Para recuperar a democracia atacada pelo bolsonarismo, é necessária a retomada de uma plataforma de diálogo que envolva todos os segmentos da sociedade, defende o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma longa entrevista para youtubers e jornalistas da mídia independente, nesta terça-feira (26), Lula argumentou que o caminho de volta à cidadania passa por um aprofundamento dessas plataformas, popularizadas nos governos petistas pela Democracia Participativa e capazes de mudar o país, como nas gestões dele e de Dilma Rousseff.

Segundo Lula, o desmonte das estruturas do país foi agravado por Bolsonaro e apenas um governo de união nacional será capaz de implementar políticas para combater a fome, com crescimento econômico, renda e emprego. “A sociedade está ávida a participar do processo, não apenas para ganhar uma eleição, mas para ajudar na governança desse país, participando das principais decisões”, disse, entusiasmado. “É preciso acabar com a tese que se pode governar sem ouvir o povo brasileiro. É preciso criar mecanismos em que a sociedade organizada, através das suas entidades e organizações, possa dizer como quer as coisas”, defendeu.

 

Na conversa, Lula explicou que o modelo de consulta sobre os principais temas do país começou a ser testada pelo partido no início da década de 80, por meio do orçamento participativo municipal. Ampliada para a esfera federal, o mecanismo seria, inclusive um antídoto ao orçamento secreto de Bolsonaro.

“Nós não conseguimos criar o orçamento participativo no primeiro período do nosso governo, mas criamos a chamada democracia participativa”, explicou Lula. “O que era isso? A gente conseguia fazer conferências municipais, estaduais e nacionais, em que vários setores da sociedade diziam como e o que queriam”, apontou.

Lula lembrou das primeiras experiências com o modelo, em 1982. “Era o povo que dizia, se ele queria uma rua, uma escola, uma praça, uma creche. A ONU adotou inclusive o orçamento participativo como um modelo para os países em desenvolvimento”, disse Lula.

“Foi assim na questão da política nacional de saúde da pessoa com deficiência, em 2003,  na política nacional de educação especial, na perspectiva da educação inclusiva, em 2007, no programa brasileiro de acessibilidade urbana, em 2008”, enumerou Lula, citando várias áreas de atuação do governo, cujos conselhos foram desmontados por Bolsonaro, a exemplo do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea).

“Bolsonaro nunca se reuniu com ninguém, ele vive da mentira que ele criou”, criticou Lula. “Estamos tentando criar um movimento hora restabelecer a democracia. Esse país precisa ser cuidado, nossa floresta tem de ser cuidada, nossa água, nossas riquezas minerais, nossos índios, o povo negro, nossas mulheres têm de ser respeitadas. Ou seja, [precisamos] de um governo com o mínimo de tradição humanista, democrática, que tenha sentimento de fraternidade e solidariedade, palavras que o atual governo não quer ter relação”, lamentou.

Fome e recuperação

Lula detalhou que a missão de recuperar o país não será uma tarefa fácil, dado o tamanho da crise pós-golpe, mas fez questão de assegurar que o PT sabe como fazê-lo. “O Brasil esta numa situação econômica muito difícil, acho que o Brasil estará mais quebrado que o de 2003, teremos mais inflação, mais desemprego, menos massa salarial, menos aumento de salário mínimo, temos muito menos credibilidade interna e externa e uma coisa mais grave, o desmonte das coisas que funcionavam no Brasil”, enfatizou.

“A carne está proibida para uma grande parcela do povo brasileiro, está tudo caro. O salário cada vez menor, cada vez se ganha menos, há uma informalidade muito grande, tentam passar a ideia de que entregador de comida é empreendedor, são pessoas que foram levadas a acreditar em uma forma de emprego que os tornam praticamente escravo e um patrão que ele não conhece”, alertou.

 

Desigualdade

“A desigualdade não é um fenômeno da natureza, mas da incapacidade das pessoas que governam o país de cuidar do povo como ele merece. Temos fome, não pela falta de produção de alimento, mas pela falta de recursos para as pessoas comprarem o que comer”, justificou.

“Nós precisamos convencer a sociedade brasileira de que não não precisamos ter ninguém dormindo na sarjeta, embaixo de uma ponte. Isso não é bom para a classe média, não é bom para o povo mais rico”, opinou Lula.

“Tenho dito, sem bravata: é preciso incluir o povo pobre no Orçamento da União e o rico no imposto de renda. Quando estiverem pagando imposto justo, de acordo com o que ganham, pagando sobre lucros e dividendos, podemos ter mais recursos para aplicar em mais políticas públicas, sociais, de investimento em educação e saúde”, emendou.

Lula criticou o que considera “a falta de um olhar humano” dos países mais ricos sobre os mais pobres, em especial diante de mais de 900 milhões de famintos. “Se a Declaração Universal dos Direitos da ONU, se nossa Constituição diz que todos têm direito de comer, temos de garantir. Já provamos que é possível, e tenho dito sempre: não é possível que o Brasil, terceiro produtor de alimentos no mundo tenha gente com fome, que seja o maior produtor de proteína animal e tenha pessoas correndo atrás de carcaça de frango, de osso”.

“Se quando eu terminar meu mandato, cada brasileiro esteve tomando café, almoçando e jantando, eu terei realizado a obra da minha vida. É possível acabar com a fome no planeta, é possível que nenhuma criança morra de desnutrição”, garantiu.

Petrobras e Eletrobras

“Tudo o que eles querem fazer no Brasil é vender”, reclamou Lula. “Querem vender a Petrobras, que não é apenas uma empresa de petróleo, mas uma extraordinária empresa de investimento em pesquisa. Quando aprovamos fazer plataforma, sonda e navio, aprovamos uma lei que [estabelecia] que 65% dos componentes tinham de ser nacionais. Para quê? Para a gente produzir aqui, gerar emprego aqui. Eles acabaram com isso”.

“Por que o preço da gasolina está tão caro? Porque acabaram com a BR e temos quase 400 empresas importando gasolina dos EUA. Importando em dólar, livre de pagamento de imposto. É por isso que o preço está R$ 7, R$ 8 em vários lugares. Não existe nenhuma explicação para os preços da gasolina serem em dólar”, demonstrou Lula.

“Se a Eletrobras for privatizada, você não tem como fazer um programa como o Luz para Todos, porque não tem nenhuma empresa que queira ser socialista a ponto de querer levar luz de graça para as pessoas”. Lula lembrou dos investimentos das gestões petistas no programa, da ordem de R$ 20 bilhões.

Pandemia, papel do SUS e teto de gastos

Lula se solidarizou com as famílias das vítimas da Covid-19 e voltou a condenar a atuação letal do governo na crise. “Bolsonaro deve ser responsabilizado por menos metade das mortes nesse país. Ele não respeitou cientistas, médicos, o SUS, os laboratórios brasileiros”.

O petista também reforçou a importância da atuação do Sistema Único de Saúde (SUS), a despeito do subfinanciamento causado pelo Teto de Gastos de Temer e Bolsonaro. “A história não termina com o fim da pandemia, esse país sempre foi respeitado por sua capacidade de vacinação. Vamos ter de tratar, se voltarmos, a questão da saúde como prioritária. Tiraram 12 mil médicos do Mais Médicos, que estavam nos ligares mais longínquos, atendendo pessoas que antes não conseguiam médicos por muito anos”.

Sobre o teto, foi taxativo: “Não aceitamos a lei do teto de gastos, que foi feito para garantir que os banqueiros tivesse o deles no final do ano. Queremos garantir que o povo tenha o seu todo dia, todo mês e todo ano. Fazer política social não é gasto, é investimento”, insistiu Lula, adiantando que, em um novo governo seu, “a Saúde terá um capítulo especial, um tema que será levado à sério”.

 

Geração de empregos

Lula apontou para medidas cruciais adotadas nos governos do PT e que tiraram 36 milhões de pessoas da extrema pobreza e geraram mais de 22 milhões de empregos formais. E apontou para os desafios do trabalho na era digital. “Quero fazer mais. Como vamos gerar mais empregos?”, questionou. “Não vamos gerar como nos anos 80, porque a política industrial brasileira, que tinha 30% do PIB nacional, só tem 11% hoje. Uma indústria como a Wolksvagen, que no meu tempo de metalúrgico, tinha 44 mil trabalhadores, hoje só tem 7 mil. A Ford foi embora, a Toyota mudou não sei para onde”, comparou.

O petista provocou os participantes, afirmando que a sociedade precisa debater que tipo de modelo quer no país. “Qual é o novo mercado de trabalho? Qual o emprego vamos oferecer para a juventude, que dissemos que tinha de estudar para vencer na vida? A gente quer qualificá-los melhor. Mas para qual emprego? Trabalhar com uma bicicleta no iFood?”, indagou.

Para Lula, se o brasileiro sonha em ser empreendedor, é preciso dar condições reais e dignas para o sonho de um pequeno negócio e esse caminho não passa pelo atual modelo dos aplicativos. “Precisamos ter uma forte política em defesa do empreendedorismo no país. O Estado tem que dar oportunidade. O cara que montar uma loja, uma pizzaria.. é preciso criar condições, ter crédito”, sugeriu.

“Se tem uma coisa que o povo quer é viver bem. Todo ser  humano gosta de se vestir bem, comer bem, dormir bem. Esse é papel do Estado, garantir, não é luxo, é tornar a sociedade mais igualitária”.

Ser candidato

Lula falou que se for para ganhar a eleição, terá de ser para fazer mais e melhor do que em gestões anteriores. “Só existe um motivo para disputar uma eleição presidencial, é a crença de que podemos consertar esse país, de que podemos restabelecer a harmonia entre os Entes da Federação, na relação com o empresariado, com governantes de outros países, de que a sociedade vai ajudar a reconstruir o país”, conclamou.

“Tenho uma missão, que é provar que o país pode voltar a crescer, com política de transferencia de renda. Temo de gerar emprego de todas as formas possíveis”, observou o petista, citando algumas medidas urgentes, caso chegue à Presidência.

Um novo Brasil

“A primeira coisa a fazer será reunir os 27 governadores e estabelecer o que iremos fazer em obras de infraestrutura, retomar obras paralisadas e fazer as que precisam ser feitas”, disse Lula.  “Tudo na perspectiva de gerar empregos e renda. Se a economia começar a crescer, se as pessoas começaram a ter credibilidade, se começar a voltar investimento externo, não de venda de estatal, mas para construir o que a gente não tem, dá certo”.

“Ninguém pode falar que o PT não tem responsabilidade fiscal, que não cuida das coisas. Quando chegamos no governo, em 2003, o país tinha US$ 30 bilhões de dívida. Nós pagamos e fizemos uma reserva que hoje está em US$ 370 bilhões, que é o que tem salvado o país desde que deixamos o governo”, pontuou. “E fizemos tudo isso com a maior política de inclusão social que esse país já conheceu”.

Juventude

Lula discorreu ainda sobre a importância do voto da juventude de como a política é o único instrumento capaz de transformar a realidade. “Ao invés de desistir e fazer biquinho, vá fazer política, vá defender suas ideias, vá para o debate. Assim você vai construir o novo político, não é se afastando”, provocou Lula.

“Acho que temos tido um apoio considerável da juventude. Acho que jovens de até 26, 28 anos, têm tido uma participação muito grande no compartilhamento das coisas que queremos discutir”, comentou.

“Temos de continuar falando mais. Essa é uma eleição em que a mulher tem um peso excepcional, Não só porque é maioria, mas porque está sendo empoderada para muitas coisas, temos que trabalhar com carinho a questão da mulher e da família, e a questão da juventude. Se o jovem é futuro na nação, vamos tentar fazê-lo participar desde cedo, temos de conversar muito com essa juventude”.

“Essa é a nova tarefa. Por isso é que no PT tentamos fazer uma campanha para as pessoas tirarem o título e começar a votar.

Fonte: PT