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Americanos e palestinos: cooperação para a tortura e o assassinato de palestinos

Barack Obama foi eleito presidente dos EUA prometendo, entre outras coisas, proibir a prática de tortura pelos agentes americanos. Sabemos que ele mentiu e continua mentindo. Como acreditar nas palavras de um assassino? A CIA (Agência Central de Inteligência) continua torturando e assassinando mundo afora os supostos inimigos do poder americano. Este sempre foi, aliás, o procedimento operacional padrão especialmente durante o governo W. Bush, antecessor de Obama, época em que o uso da tortura, por muito pouco, não foi legalizada inclusive contra cidadãos americanos.

 

Obama continua a tradição “bushiana”, terceirizar a tortura, com a cumplicidade de governos pró-EUA. Este é o caso do quase governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP). Desde 1995, há rumores de que agentes de segurança da ANP recebiam armas e treinamento de Israel e dos EUA. Estes agentes de segurança palestinos tentaram tomar o poder na Faixa de Gaza, no verão de 2007, após a vitória eleitoral do Hamas para o parlamento palestino. O partido islâmico reagiu e expulsou o Fatah (principal milícia da Organização Para a Libertação da Palestina, OLP, e líder da ANP) e agentes da Organização Preventiva de Segurança (OPS) e do Serviço Geral de Inteligência (SGI) da região bloqueada por Israel desde 2005. Com a derrota do Fatah, a ANP passou a controlar, com apoio ocidental, somente a Cisjordânia, região invadida, ocupada e dominada militarmente pelos israelenses. Desde então, o Fatah (assim como setores da sociedade palestina) passou a considerar de fato que o Hamas, e não Israel, é seu verdadeiro inimigo.

 

Durante o Massacre de Gaza, no inverno de 2009, quando Israel exterminou mais de 1400 palestinos em 23 dias de ataques, o jornalista David Rose, do diário britânico DailyMail, relatou que os agentes de segurança da ANP, OPS e SGI, eram armados e financiados pela Ingleterra para prenderem, torturarem e assassinarem simpatizantes do Hamas ou simples manifestantes na Cisjordânia contra o massacre israelense na Faixa de Gaza.

 

Agora, mais uma vez a imprensa britânica denuncia a cooperação entre os agentes da OPS e SGI com a CIA na prisão, tortura e assassinato de supostos militantes pró-Hamas e demais oponentes da política pró-Israel de Mahmoud Abbas e do Fatah, partido que comanda a ANP, na Cisjordânia, ocupada pelos israelenses.

 

Enquanto isto, Israel prossegue seu bloqueio, por terra, ar e mar, à Faixa de Gaza, iniciado após a retirada dos “colonos” israelenses, em agosto de 2005, mantendo mais de 1,5 milhão de palestinos sem acesso a alimentos, medicamentos, eletricidade e água. É o genocídio racionalizado. A Cisjordânia também continua ocupada pelos israelenses, enquanto o premier israelense, Bibi Netanyahu, promove a mais recente limpeza étnica de Jerusalém, expulsando milhares de palestinos de suas casas e da cidade. Desnecessário dizer que a sucessão destas atrocidades acontece com a cumplicidade daqueles que supostamente deveriam proteger os palestinos, a própria ANP.

 

Os governos árabes (ditaduras em sua maioria) são, quase sem exceção, um ultraje e uma desgraça para todos os árabes.

B’Tselem – Israel exterminou 7.400 palestinos entre 1989 e 2009

Os dados são estarrecedores. Segundo a ONG de direitos humanos israelense, B’Tselem, que aniversariou em novembro de 2009 seus 20 anos, Israel exterminou, neste período, entre 1989 e 2009, cerca de 7.400 palestinos, dos quais 1.537 tinham menos de 18 anos, ou seja, 1 em cada 5 palestinos exterminados era menor de idade. Ainda de acordo com a ONG, os palestinos assassinaram, em revide, cerca de 1.483 israelenses, dos quais 139 eram menores de 18 anos.

 

Os dados sobre os crimes israelenses não param por aí. Israel, nos últimos 20 anos, demoliu mais de 4.300 casas palestinas, não incluindo os números de casas arrasadas pelos ataques israelenses. Cerca de 3.500 casas foram demolidas durante o Massacre de Gaza, na virada de 2008 para 2009, além das 2.700 destruídas antes da invasão durante o último inverno.

 

Estas informações estão disponíveis a qualquer pessoa pelo B’Tselem e são o resultado de mais de 61 anos de uma ocupação criminosa de territórios árabes pelo Estado de Israel que tem o apoio das ditaduras árabes e dos regimes da Turquia e do Irã. Sem este apoio regional, tácito ou não, os israelenses não teriam sido tão “bem-sucedidos” em suas campanhas de limpeza étnica e genocídio contra os palestinos.

 

Ainda segundo o B’Tselem, os invasores de terras israelenses, chamados de colonos (sic), na Cisjordânia em 1989, eram 69.800; e no setor leste de Al-Qods (Jerusalém Oriental), 118.100. Hoje, os invasores de terras israelenses somam mais de 300 mil na Cisjordânia e no setor leste de Al-Qods, somam 190 mil.

 

Até quando as ditaduras árabes serão colaboracionistas do terror israelense?

 

O fato é que, com todo o terror que Israel impõe aos moradores que vivem na Faixa de Gaza e na Cisjordânia e com o abandono total de seus supostos aliados árabes ou não, os palestinos não abandonam seus lares, a não ser quando são expulsos. O grande temor dos israelenses, com a continuidade desta política, é a reivindicação, por parte dos palestinos, de um Estado bi-nacional, na impossibilidade de criação de um Estado nacional. Para Israel, o ideal seria que os palestinos fossem expulsos em definitivo dos territórios invadidos e ocupados e partissem para o Egito e a Jordânia, cuja monarquia é apoiada por militares beduínos, inimigos seculares dos palestinos, desestabilizando, desta forma, os únicos regimes árabes aliados oficialmente aos israelenses.

 

O mais chocante é a posição da Autoridade Nacional Palestina, liderada pelo Fatah. Durante a primeira fase da Guerra Civil Libanesa, entre 1975 e 1977, os massacres contra os cristãos (unicamente por serem cristãos) perpetrados pelo Fatah, na liderança da OLP, eram considerados “atos revolucionários”. O Fatah realmente teve momentos heróicos ao combater a invasão síria do Líbano em 1976 e, praticamente sozinho, as devastadoras invasões israelenses, em 1978 e em 1982. Mas, a derrota em Beirute, em 1982, fez da aguerrida milícia uma burocracia autocrática e corrupta, muito longe dos reais problemas dos palestinos e muito próxima dos péssimos hábitos das ditaduras árabes. Com os Acordos de Oslo, em 1993, OLP abandou todos os princípios da luta pela auto-determinação palestina, capitulando e transmutando-se na Autoridade Nacional Palestina, que mal esconde o caráter de administração colonial, explicitado, finalmente, em 2007, quando tentou destruir o Hamas, apoiado pelos EUA e Israel, numa mini-guerra civil na Faixa de Gaza, sendo expulsa da região pelo grupo islâmico. Há vários informes, pela imprensa israelense e árabe, que Mahmoud Abbas (Abu Mazen) exigiu que Israel destruísse o Hamas, durante o Massacre de Gaza, no inverno de 2009. Abu Mazen chegou até pedir ao presidente do Brasil, Lula, em recente visita ao país, para que convencesse o presidente iraniano parar de apoiar o Hamas.

 

Abbas, assim como toda a ANP, é apoiado pela Arábia Saudita, aliado estratégico dos EUA no Oriente Médio. O regime saudita, baseado na ultra-ortodoxia wahabita, considera o Irã, regime islâmico xiita sectário, como seu maior inimigo regional. Lembremo-nos que o wahabismo é uma corrente extremista do salafismo e considera o xiismo uma seita não muçulmana. O salafismo também deu origem à Irmandade Muçulmana no Egito, cuja uma das ramificações na Palestina, originara o Hamas, em 1988. O grupo islâmico palestino teve o apoio de Israel, durante sua fundação, para que combatesse o nacionalismo laico da OLP, liderado pelo Fatah. Pelo visto, o “dividir para reinar” de Israel está dando resultados, pois com esta divisão (permanente) entre os palestinos, o expansionismo israelense tem mãos livres para fazer o que quiser nos Territórios Ocupados.

 

Não há dúvidas que os 7.400 palestinos exterminados por Israel nos últimos 20 anos devem ser motivo de orgulho para muitos israelenses.

Países ricos mantêm guerra permanente no Congo

Na imprensa internacional, a República Democrática do Congo, em raras aparições televisivas, é retratada como um país de bárbaros e de mulheres atordoadas, enquanto a China é rotineiramente retratada como um país do futuro, com uma economia mista e cada vez mais integrada ao “mercado”. Nada sobre as armas que patrocinam o genocídio na África Central. Estados Unidos, Rússia e outros país fazem aliança tática pelo livre comércio de armas, motor do moderno genocídio globalizado. Por Gustavo Barreto. Leia aqui.