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Minha fé

Nestes já quase dez anos de escrever e publicar na chamada imprensa alternativa ou de esquerda, tenho tido dois ou três episódios desagradáveis, de editores que por algum motivo, decidiarm, de uma hora para outra, que os meus escritos não eram mais desejáveis. Não vou citar aqui os nomes, mas os atos. Os nomes não são ditos, mas aludidos, já que o que importa aqui não é assinalar vilões, mas condutas erradas do meu ponto de vista, uma vez desdizerem os pressupostos libertários que me animam. Nunca fui um esquerdista, se por isto se tem os adeptos desta ou daquela corrente seguidora do pensamento de Karl Marx, a quem considero, no entanto, um dos grandes benfeitores da humanidade, que nada tem a ver com as ditaduras erigidas no seu nome, e menos ainda com o controle da opinião e censura que vigoram em sites e publicações ditas “de esquerda” e aqui as aspas são imprescindíveis, já verão os leitores por que.

Quando digo que não sou de esquerda, isto significa que eu não me alinho com nenhuma das correntes chamadas socialistas nem comunistas ou anarquistas, embora seja um simpatizante do socialismo, entendido como uma forma de vida em que as pessoas se tratam umas às outras como tais, como pessoas, como gente, e não como coisa ou mercadoria. Ao longo da minha vida, e isto já é dizer várias décadas de história da humanidade e da Argentina, Brasil, América Latina, mundo, estive sempre do lado esquerdo dos acontecimentos, do lado dos oprimidos, e seguirei estando, não como um “libertador”, mas como alguém que com eles se liberta. Discordei na minha já distante juventude, do esquerdismo por ser ateu, por materialista, e, muito mais ainda, por ser torpe e míope em relação à humanidade, ao subjetivo, ao lado interior da pessoa humana.

Sou espiritualista, e isto está evidente nos meus livros e, mais, na minha vida diária, desde o começo da minha existência social. Isto não me faz propagandista de alguma doutrina ou crença, mas um praticante ou aprendiz, constante, do mistério do viver. Nunca pensei que a mudança de partidos no poder, de ideologias dominantes, pudesse fazer nada a não ser piorar as coisas, enganar mais ardilosamente os oprimidos para se deixarem submeter sem resistências. Tudo isto é para dizer, em tom de desabafo, que se publiquei ou ainda publico em algum site ou lugar virtual ou real, é somente enquanto posso dizer o que penso. A partir do momento em que começa a haver sugestões, advertências, coações, para me alinhar com esta ou aquela postura, caio fora.

Não necessito de nenhuma publicação, e a qualquer momento estou disposto a ficar com meu meio direto de comuncação e ação, que é a minha própria vida, sem necessidade de espaços que depois de algum tempo, parecem querer se tornar donos da verdade. Não abro mão das causas que dão sentido à minha existência. São elas, em ordem de importância: o amor, a vida, a paz. Tive o destino de sobreviver a um extermínio executado na Argentina pelo nazismo local, financiado e apoiado por Estados Unidos, a pela Igreja católica, e a intelectualidade venal, isto sem contar, obviamente, os empresários e banqueiros, jornalistas, e outros.

A vida torna-se muito preciosa para um sobrevivente. Sou um deles. Nada devo a alguma organização ou partido, embora serei sempre grato às pessoas e entidades que apoiaram a minha sobrevivência a partir de 1977. Tudo isto para dizer que estou a postos na minha trincheira de paz, de construção de um mundo melhor, sem subserviência a nada nem a ninguém. Acreditando que a liberdade de imprensa, sempre mais proclamada do que praticada, não é patrimônio de nenhuma ideologia ou seita, por mais de “esquerda” que se queira. E aqui se faz necessário dizer algo sobre estas aspas. Não vou entrar nesta distinção, apenas quero dizer que existe fascismo de esquerda, contrário à livre expressão das idéias, embora camouflado de estridências verbais, “anticapitalista”, o que é algo como não dizer nada. Quando a última publicação ou site dito progressista, de esquerda ou coisa que o valha tiver fechado as portas aos meus escritos, continuarei escrevendo como sempre fiz, com a minha vida, com meu modo de ser.