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Sonhos

Hoje está sendo um grande dia para mim. Hoje reencontrei meu grande sonho, ou, melhor dizendo, hoje me re-encontrei no meu grande sonho.

Um grande sonho é o que nos dá vida. É o que nos alimenta, é o que faz leve o peso do existir. Um grande sonho é sempre um sonho coletivo, são sonhos multiplicados.

Creio que tenhamos sempre muitos sonhos, uns maiores outros menores, mas todos são sonhos positivos, sonhos construtivos, sonhos de amor, de paz, de justiça, de realização daquilo que de melhor tem o ser humano.

Um grande sonho, esse sonho coletivo que nos dá a vida, que é a própria vida, é o que nos faz respirar, o que nos faz saber que para mais além da nossa morte, outros seres prosseguirão com esta mesma caminhada, aprimorada.

Da mesma forma como o nosso caminhar construtivo de hoje, é a continuação de esforços positivos de gente de bem que nos alentou a seguir esta direção na nossa vida.

Um grande sonho é o que te faz estar no lugar certo do modo certo, fazendo o que é certo, o que é necessário. Hoje me encontrei no meu grande sonho, um sonho coletivo, multiplicado, sempre renascido.

Sonhos que tive quando jovem, sonhos de muitas gerações de jovens pelo mundo afora. De um mundo sem violência, sem fome, sem dominação. 

Um dia a gente acorda e vê que é esse sonho, somos esse sonho multiplicado, renascido, re-costurado, aperfeiçoado que segue e prossegue como as águas do rio.

Não importa quantos anos você possa ser, habita uma terra sem tempo, eterna, imortal, quando se descobre no seu grande sonho.

Hoje de manhã me vi no meu sonho, no meio de pessoas que trabalham por coisas como as que me movimentam: educação, saúde, trabalho.

Causas eternas da humanidade, sonhos multiplicados. Creio ter dito o que queria dizer, e sinto alegria de poder partilhar estes sentimentos com quem possa estar desse lado da folha, lendo estas palavras.

Os sonhos não morrem, renascem, sempre, se são sonhos bons, se são sonhos construtivos. 

Construyendo

Muchas veces vengo a la hoja con la única intención de estar aquí. Estar en la hoja, un lugar donde me siento bien. Aquí estoy a mis anchas, sin presiones ni internas ni externas.

¡Es curioso como algo tan sencillo puede tener, y tiene, un efecto tan saludable! Aquí me enraízo, me siento dueño de mí mismo, de mi tiempo. Y, al mismo tiempo, me siento integrado con el movimiento general de la vida. Me siento participante de mi familia, de mi círculo de amistades y colegas.

Aquí se han ido desvaneciendo y se siguen desvaneciendo las sombras que ya me ocuparon casi por completo en otros períodos de mi vida. Aquí se ha venido haciendo, y se sigue haciendo la luz. Aquí es como si me encontrara, y de hecho me encuentro, en mi lugar. Creo que no hay mejor sensación que ésta, la de estar en el propio lugar.

Saber que uno forma parte de una humanidad en movimiento, una humanidad que no se satisface con la crítica, sino que se esfuerza por vivir de una manera digna. Construyendo y reforzando vínculos saludables entre las personas. Trabajitos de hormiga, podríamos decir.

Esta expresión le era muy cara a Dom Antonio Fragoso el obispo católico que vivió tantos años en João Pessoa, en un barrio pobre. Él mismo, ya jubilado, hacía su parte en estas tareas casi invisibles, de rescate de la persona humana.

En la medida en que me fui integrando en esa red de cristianos y cristianas que vivían y viven en barrios pobres, me fue volviendo una conciencia antigua. Yo también tuve un origen humilde. Después conocí al Padre José Comblin, cuya vida y obra inspira y moviliza a tanta gente no solamente aquí en el nordeste brasileño, sino en todo el mundo.

Comblin también vivía en un barrio pobre de João Pessoa, y reunía a su alrededor, numerosos movimientos sociales que encontraban en él una luz, un impulso, más claridad y fuerza para seguir trabajando en la línea de la justicia, los derechos humanos, la educación popular, la salud mental comunitaria.

Los libros de Comblin me siguen iluminando e inspirando, hacia una lectura del evangelio que va más allá de la religión, las doctrinas y las ideologías. Creo que mi incorporación a este tejido humano, me viene enseñando muchas cosas, cosas que siento necesidad de compartir.

Estos trabajitos de hormiga, a los cuales se agregan, en este ancho mundo, muchísimas otras iniciativas, tienen la virtud de ser tareas que uno mismo puede hacer, y de hecho hace. No dependen de gobiernos ni partidos, ni de otras instituciones.

Son cosas que se hacen con la gente pobre, no para la gente pobre. Uno se ve como alguien que está en proceso de crecimiento y descubrimiento de su verdadera identidad, en medio de personas que tienen sus propias trayectorias de vida que, al sumar, crean un espacio solidario confiable y positivo, constructivo.

Digo estas cosas porque me parece que es necesario cada vez más, ir valorizando lo pequeño. Las actitudes y gestos positivos, lo que de hecho hacemos, cada uno y cada una, en pro de una humanidad más sana y más saludable.

Meu eixo. Meus eixos


Não sou petista. Mas sou menos ainda anti-PT. Se sou anti, é anti-imbecilidade, anti-idiotice. Tenho retirado da minha lista de amizades, aquelas pessoas que postaram na minha página manifestações de ódio de classe. Não vivo de ódio. Trato de erradicar do meu coração aquele ódio que foi se infiltrando ao longo da vida e dos acontecimentos. Transformar a merda em flores. Esta é a minha tentativa, como terapeuta comunitário, como ser humano.

Tenho descoberto que o eixo do meu existir está em um mundo ao meu alcance. Pessoas com quem posso interagir cara a cara, diretamente. Amigos e amigas que embora possam estar distantes fisicamente, formam parte do meu ser. Estão em mim. Minha ênfase está na construção, sempre esteve e sempre estará. Inclusive foi assim quando as circunstâncias da vida me obrigaram a resistir à violência e ao arbítrio, de 1966 a 1973. Sou a favor. Sempre fui de construir. De fazer juntos. E não vou me distanciar deste rumo. Este é o meu rumo.

Este é o meu eixo: construção. Fazer juntos. E não é por acaso que estas reflexões surgem em momentos em que o Brasil vem sendo sacudido por uma desestabilização mediática que quer fazer com que as pessoas se movimentem pelo medo, pela irracionalidade. Estou fora disto. Meu eixo, minha sina, meu destino, está no amor, no construir, no fazer juntos. Sempre esteve e sempre estará. E isto implica em liberdade e responsabilidade. Por isso fiz a limpeza do meu Facebook. Tentando fazer com isto também, uma faxina na minha alma.

Raíces

Escribo para tener un lugar donde vivir. Aquí puedo ser yo. Aquí soy, de hecho, yo mismo. No importan mis errores, que no deben ser tantos ni tan graves. Importa estar donde debo estar, haciendo lo que me gusta hacer.
Aquí soy feliz. Hoy estuve con mi padre, mientras él tomaba sol en el patio. Trato de aceptarme como soy, lo cual no es muy fácil. No porque me rechace, sino por lo cambiante que soy. Me sorprendo a mí mismo. María. Jesus. Terapia Comunitaria Integrativa. Amor. Poesía. Literatura. No sé si publicaré estas anotaciones, pero ya cumplieron su cometido.
He estado con mis hermanos como hacía tiempo que no estábamos. Juntos, compartiendo la raíz y el follaje de una historia y una familia. Padre. Madre. Paz.

Reconstruindo

Chegara do segundo curso de formação de terapeutas comunitários na Argentina, realizado em Valle María, Entre Ríos. Os rostos das pessoas, os abraços. As falas. O ambiente de fraternidade. O clima de integração, de enraizamento, de unidade no meio às diferenças.
A casa de retiro “Stella Maris”. As borboletas nas plantas de lavanda. O cachorro que nos acompanhava nas caminhadas pela estrada dos pinheiros. O assovio do vento nas copas destas árvores. Os milharais secos em volta do local do encontro.
As cantorias à noite. Os relatos que repõe o triunfo da criança interior. Resiliência, a carência que gera competência. As companheiras e o companheiro da Bolivia. A Pacha-Mama. O passarinho que Adalberto Barreto recolheu depois da tormenta.
Os novos projetos, o reforço dos vínculos. As desculpabilização. A herança trans-geracional. Um banho de humanidade. Alguma coisa na gente se completa nestes encontros. Algo recuperamos de muito precioso, individual e coletivamente.

Teologia da Libertação

Tenho me surpreendido comigo mesmo, ao ler alguns textos de Teologia da Libertação. Confesso que cheguei meio desconfiado, ou muito desconfiado, mas aos poucos, vou compreendendo o por que desta denominação. Por que Teologia da Libertação.

Por que pode haver, e há, de fato, esta Teologia que liberta, e como e que liberta. Por que liberta. Como tem libertado e continua nos libertando, a tantas pessoas pelo mundo afora.

Creio que a minha maior experiência nesse sentido, tem sido, e continuam sendo, os textos do Padre José Comblin, a quem tive a graça de conhecer e acompanhar, em várias reuniões do grupo que ele animava em João Pessoa, Paraíba.

A leitura destes livros, individualmente e em grupo, foi me abrindo para a compreensão de que há, de fato, um saber teológico ancorado na história, na perspectiva de humanização da vida, e que Teologia, na perspectiva do Padre Comblin, é aberta, como a comunidade cristã. Não é sectária, não é reduzida aos crentes ou professadores de uma certa religião.

Fui me sentindo incluído nas palavras deste teólogo e sociólogo que falava de Jesus e do seu caminho, o caminho do amor. Não falava apenas desde o intelecto, mas desde o coração.

Na medida que fui me incorporando ao estudo das suas obras, fui sentindo, como sinto agora, uma leveza. De fato, uma libertação, uma sensação de liberdade. E o que pode ser mais apreciado para nós, humanos, do que a liberdade, a libertação?

Os textos de Comblin são um convite para uma vida renovada pelo amor, o centro e a razão de ser do existir humano. Isto para mim era novidade, achava que os padres cuidavam das coisas do céu, afastadas do dia a dia, muito longe da existência individual de cada pessoa. No caso de Comblin, não é assim, ao contrário.

A leitura dos textos de Comblin vai nos trazendo para mais perto de um Reino de Deus que se encontra no aqui e agora, que pode ser habitado concretamente por cada um de nós, se nos abrirmos para o amor, se fizermos do amor o centro, o eixo e a razão da nossa vida.

Não se trata de virar as costas para a realidade de que fazemos parte, mas, ao contrário, o desafio é tratar de nela encontrar, na situação e realidade que nos toca viver, sementes do reino de Deus, sementes de eternidade, elementos que nos conduzam ao encontro de nós mesmos.

Por isto, agora posso dizer que entendo por que esta Teologia se chama da Libertação. Traz-nos para a vida, nos resgata da inexistência, do isolamento, da vacuidade. Centra-nos na nossa condição de sujeitos individuais, não genéricos, únicos, não repetidos, autônomos e responsáveis, capazes de sermos os construtores da nossa própria vida individual e coletiva.

Entendo que há várias vertentes desta Teologia da Libertação, mas a minha pretensão é operacional. Serve-me o que serve. Pego o que liberta de fato. Não pretendo me tornar um especialista nisto e nem em outra coisa qualquer. Quero a vida, a vida nova, e ela vem chegando.