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“255 mil pessoas não conhecem sua sorologia e estão adoecidas com HIV!”

Coordenador do projeto Quero Fazer do RJ, Beto de Jesus atenta para a importância do primeiro serviço de testagem rápida de Aids em uma ONG

A Cerimônia aconteceu nesta sexta-feira (8/1) às 15h na sede do Grupo Arco-Iris e contou com a presença de autoridades e representantes de movimentos sociais, principalmente aqueles ligados a Aids e LGBT. A abertura foi marcada pelo otimismo dos coordenadores do projeto, que acreditam em novas possibilidades de enfrentamento da epidemia de HIV/Aids no Brasil. “É a primeira vez na história do país que organizações não governamentais abrem suas portas para este tipo de ação. O Grupo Arco-Íris e as demais ONGs não são apenas atores políticos, mas também são importantes consultores técnicos e de fomento”, afirmou o coordenador do Departamento de Gestão Hospitalar do Ministério da Saúde do RJ, Oscar Berro.

O programa Quero Fazer – iniciativa inédita no Brasil destinada à prevenção e à testagem voluntária para HIV/Aids entre gays, travestis e outros homens que fazem sexo com homens (HSH) – tem como meta realizar 4,7 mil testes rápidos anti-HIV, com entrega do resultado em menos de uma hora durante dois anos. Este serviço já é disponibilizado na região metropolitana do Recife e em 2010 passa também a ser oferecido no Rio de Janeiro e em Brasília. No Rio de Janeiro, inicialmente este serviço de aconselhamento e testagem voluntária será feito na sede do Grupo Arco-Íris, localizado na Rua do Senado, 230 – Cobertura.

Os interessados em fazer o teste rápido poderão comparecer na sede do GAI de quarta à sexta-feira, de 16h às 22h. Lá, a população passará por um pré-aconselhamento, onde receberá informações sobre a prevenção do HIV/Aids e sobre o teste rápido. Independentemente do resultado, que é sigiloso, a pessoa recebe pós-aconselhamento com esclarecimentos de dúvidas freqüentes e materiais informativos.

A ideia é que as atividades desenvolvidas no projeto sirvam de ponte para maior acesso do público-alvo da ação ao diagnóstico precoce e aos serviços públicos de saúde. As pessoas com resultado positivo serão encaminhadas para serviços especializados do Sistema Único de Saúde (SUS). O acompanhamento e tratamento conta com o suporte de profissionais de saúde das Secretarias Estadual e Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.

Público-alvo

A ação é dirigida para essa população, pois se baseia em dados epidemiológicos que mostram maior incidência de Aids entre gays, travestis e homens que fazem sexo com homens (HSH) do que na população geral. Estudos indicam que nesse segmento, a probabilidade de infecção pelo HIV é de 11 a 18 vezes maior do que nos homens heterossexuais. É importante destacar, contudo, que não há grupo de risco para o HIV/Aids, pois toda a população está suscetível à infecção.

Estima-se atingir para a realização do teste rápido no Rio de Janeiro 2,3 mil gays, HSH e travestis, para isso, serão utilizados diferentes produtos de comunicação para divulgar informações sobre a importância da prevenção e o diagnóstico precoce do HIV, entre eles: perfil e colunas em sites de relacionamento gay, blog http://www.pactbrasil.org/querofazer, comunidade Quero Fazer no Orkut, cartilha, folderes e mensagens de texto via celular.

O Quero Fazer é uma ação da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) em parceria com o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde e a Pact Brasil, contando com apoio das secretarias estaduais e municipais de saúde locais. O Departamento de Gestão Hospitalar do Ministério da Saúde do Rio de Janeiro disponibilizou seis unidades da Rede Hospitalar Federal no município carioca que contam com completo serviço ambulatorial integrado ao Programa de DST/Aids do Governo Federal, complementando a iniciativa do Governo de Reestruturação da Rede Hospitalar Federal, projeto que abrange investimentos da ordem de R$ 400 milhões para realizar melhorias físicas e estruturais nessas unidades e ampliar o atendimento à população.

O Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde é responsável pelo treinamento das equipes de profissionais que atuam junto ao público-alvo e pelo fornecimento dos testes e de preservativos. O programa “Quero Fazer” reforça os objetivos do Plano Nacional de Enfrentamento da Epidemia de Aids e das DST entre Gays, Homens que fazem Sexo com Homens (HSH) e Travestis, lançado pelo Ministério da Saúde, em março de 2008.

Serviço

Centro de Testagem Rápida Anti-Hiv

Sede do Grupo Arco-Íris

Rua do Senado, 230 – cobertura

Tel: (21) 2222-7286 (21) 2222-7286 | 2215-0844 / arco-iris@arco-iris.org.br / http://www.arco-iris.org.br

Programa DST de Aracaju é apontado como o mais eficaz do Brasil

O ano de 2009 foi de muito trabalho e grandes conquistas para o Programa DST/Aids da Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA). O resultado de todo o empenho nas ações executadas em 2009 foi o reconhecimento do Ministério da Saúde (MS). O Programa DST de Aracaju foi apontado como o número um no Brasil em eficácia na aplicação e gestão financeira dos recursos disponibilizados para a execução da política DST/Aids.

O sucesso alcançado pelo programa aracajuano no alcance das metas estabelecidas pelo MS é oriundo do processo de intersetorialização das atividades que desenvolve. Dentro desta coordenação atuam a Equipe de Promoção Prevenção e Proteção (EPPP) que trabalha com populações vulneráveis; o núcleo que abrange o público GLBT, prevenção em empresas e comunidades tradicionais; e o SPE e PSE, que trabalha com o público adolescente, levando noções de prevenção às DST/Aids a escolas públicas.

Fazendo uma avaliação geral das ações promovidas ao longo de 2009, o coordenador do Programa Municipal DST/Aids, Eudes Barroso, destaca que um dos maiores ganhos alcançados foi o de conseguir disseminar na população aracajuana a questão das pessoas vivendo com HIV/Aids. “Houve uma maior conscientização de que viver com Aids é possível. Aracaju começou a ver com mais solidariedade e repudiando o preconceito a necessidade de inserção das pessoas vivendo com HIV/Aids”, afirmou.

Eudes Barroso salienta ainda os avanços que ele julga terem sido fundamentais este ano. “A ampliação do número de pessoas que se submeteram ao Teste Rápido de HIV, o aumento do número de escolas participantes do PSE, a ampliação do trabalho de prevenção com pessoas em situação de vulnerabilidade e, por último, a capacitação de todos os médicos e enfermeiros da Rede de Atenção Básica em abordagem sindrômica das DST’s”, enumerou o coordenador.

Equipe de Promoção Prevenção e Proteção

Em 2009, a Equipe de Promoção Prevenção e Proteção (EPPP), conduzida pela assistente social Maria Telles estreitou o trabalho de saúde referente à mulher, focando a abordagem do enfrentamento as formas de violência que ela enfrenta. Durante este ano, uma série de oficinas, seminários e atividades de conscientização e valorização da mulher foram desenvolvidos com este objetivo. Mais de 1500 mulheres foram assistidas por este trabalho.

“Buscamos identificar grupos de mulheres em 12 comunidades periféricas através de ONGs direcionadas a esse gênero. Também inserimos aí as mulheres assistidas pelo Programa Federal Bolsa Família. O nosso objetivo maior foi tentar fortalecer a auto-estima destas mulheres para que elas saibam reconhecer o seu papel na estrutura familiar e a partir daí poder negociar o seu posicionamento diante do parceiro”, esclareceu Maria Telles.

GLBT, prevenção em empresas e comunidades tradicionais

Para Andrey Lemos, que coordena o Núcleo de Ações ao Público GLBT e as atividades de prevenção em empresas e comunidades tradicionais, 2009 foi um ano de atividades que contribuíram para enormes avanços nas políticas direcionadas a essas esferas. “No âmbito de prevenção em empresas tivemos a apresentação do trabalho do Conselho Empresarial Estadual de Prevenção às DST/Aids, além das capacitações de lideranças de Cipas, ações convencionais de prevenção em empresas e a Campanha do Dia Nacional de Prevenção a HIV/Aids no Ambiente de Trabalho, comemorado no dia 5 de Outubro”, lembrou.

Andrey também destaca algumas iniciativas importantes no tocante às comunidades tradicionais e grupo GLBT. “O primeiro Seminário em Saúde em Terreiros de Candomblé e a elaboração do primeiro plano de enfrentamento da epidemia HIV/Aids entre Gays, Travestis e Homossexuais foram momentos importantíssimos na construção de uma política de promoção a igualdade, no acesso aos serviços de saúde do SUS Aracaju”, acrescentou.

Prevenção e saúde escolar

A técnica em educação e saúde Jô Oliveira, da Frente em Saúde e Prevenção Escolar, é responsável pelo Núcleo de Saúde e Prevenção na Escola (SPE) e Programa Saúde Escolar (PSE). De acordo com ela, em 2009, o SPE realizou uma série de oficinas para trabalhar o protagonismo juvenil. “Além disso, realizamos o circuito de gincanas da prevenção e mais uma edição do Programa Por uma Geração sem Aids que reuniu mais de 200 adolescentes de escolas públicas para discutir a temática da prevenção”, destacou a técnica.

Já o PSE realizou em 2009 um amplo trabalho de avaliação das condições clínicas dos estudantes das escolas públicas desta capital. “Em parceria com outros programas municipais de saúde fizemos consultas oftalmológicas e odontológicas para estes alunos que participaram ainda de atividades diferenciadas de saúde e recreação”, disse Jô.

FONTE: Portal Vermelho