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Alerta laranja

Imagem: www.otempoeoplacar.blogspot.comEstá ficando realmente muito feia a coisa. A perda de credibilidade do jornalismo brasileiro – muito por causa dos próprios jornalistas – está começando a passar para o desrespeito puro e simples.

Ontem, não vi o jogo em que o Fluzão assumiu a liderança do Brasileiro. Chegando em casa tarde, liguei a TV para ver como tinha sido a partida. Não deu, mas assisti, em três minutos, duas cenas constrangedoras para a “catchigoria”:

1. Entrevista coletiva do Felipão: “vocês ficam tentando induzir o jogador a falar bobagem de cabeça quente. Não vou mais permitir isso. A partir de amanhã, vou determinar que quem falar com jornalista sem ordem, vai pagar 5 mil, 10 mil para caixinha. Aí acabou”.

2. Entrevista coletiva de Wagner Mancini, treinador do Guarani. Ele é perguntado, de maneira educada, porque Fabinho, bom ponta e ídolo da torcida, não tem ficado nem no banco nos últimos dois jogos: “Já vi que vocês gostam muito do Fabinho…” começou ele, exsudando sarcasmo.

Péssimo, né? Mas tem pior. “Isso aconteceu mesmo ou é invenção de jornalista?”, perguntou o apresentador de um programa de rádio, que a cara-metade ouviu no táxi, hoje de manhã.

Esse desrespeito tem raízes lá atrás. No fim dos anos 90, escrevi aqui, na Coleguinhas (na época um site até bem taludo e não um simples blog), que o constante insulto à inteligência do público perpetrado pelos jornalistas ainda ia proporcionar sérios problemas não apenas aos veículos – com queda de audiência -, mas também aos próprios profissionais.

De lá para cá, os insultos multiplicaram praticamente ao infinito, como se pode observar, literalmente todos os dias, apenas folheando jornais (sem contar rádios, TVs e internet). A ação de pessoas truculentas como Felipão e Mancini (e Leão, mas esse é caso patológico mesmo) é resultado do escárnio diário dos profissionais de jornalismo em relação à capacidade de julgar do distinto público. Em reação, este passa a ficar indiferente à violência (pelo menos a verbal) contra os jornalistas (você lembra que houve significativo apoio ao Dunga quando ele destratou o Alex Escobar de público durante a Copa?). Aí felipões e mancinis se sentem autorizados a atacar quem faz perguntas das quais não gostam e “comunicadores” ficam à vontade para chamar jornalistas de mentirosos em seus programas.

Vai melhorar? Dificilmente. Afinal, para haver reversão desse quadro, em primeiro lugar, é necessário que aqueles que trabalham se dêem ao respeito. Uma atitude em direção da qual não se vê nenhum sinal.

(Outros textos em www.coleguinhas.wordpress.com)

Para O Globo, somos todos funcionários públicos

Para 'O Globo', 105% da população brasileira depende do governo
Estou tentando entender até agora a manchete de ontem do Globo – “Cem milhões de brasileiros vivem com dinheiro público”. Para chegar a esse número, o Raul Velloso, o especialista consultado (especialista, como se sabe, é aquele sujeito que dá tinturas imparciais às teses que o jornal não tem coragem de bancar) juntou todos os que, direta ou indiretamente, pagam pelo parte de suas contas com dinheiro proveniente, de alguma forma, do governo federal (o que, dentro da estrutura mental dos responsáveis pelo Globo, quer dizer que são vagabundos parasitas). O total, ainda de acordo com Velloso, é de 48,8 milhões de pessoas, número esse dobrado, já que a família brasileira – ainda conforme o especialista – é composta por duas pessoas.

Para argumentar, vou considetar a premissa correta. Assim sendo, o raciocínio apresenta um problema sério – a família brasileira, para esse tipo de cálculo, de acordo com o IBGE, é formada por quatro pessoas, dois adultos e dois jovens que não tenham participação econômica. Dessa maneira, seguindo o raciocínio do jornal dos Marinho, o número seria de 200 milhões de pessoas dependendo do governo federal. Como a população brasileira, estimada pelo PopClock do IBGE, estava em 193.237.483 hoje, segue-se que todos habitantes do Brasil (incluindo os jornalistas do Globo) estão na folha de pagamento do governo.

Ivson Alves
[http://coleguinhas.wordpress.com/]