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Perspectivas

Temos mantido desde o começo, uma linha editorial em favor dos valores superiores da humanidade.

Não iremos nos afastar desta perspectiva.

Por momentos vimo-nos obrigados a repudiar o avanço do neonazismo.

No entanto, é imprescindível que mantenhamos a visão positiva.

O que é condenável está condenado. Buscamos a luz, uma que é acessível a toda pessoa humana, por se encontrar dentro de nós mesmos e à nossa volta.

Não nos move afã propagandístico nem doutrinário.

Privilegiamos textos que abram a percepção, que nos despertem dos pesadelos e dos extravios.

Mais ênfase nas pessoas, nas comunidades, na vida vivida em primeira mão. Este espaço está aberto.

Partilhe suas experiências!

Acolhimento. Solidariedade. Aprendizado contínuo

Escrever é uma necessidade. É um movimento que busca se expressar. Algo nosso que quer vir à tona.

Não pode ser algo forçado. Neste momento, não forço nada. Apenas deixo com que venham algumas palavras.

Alguns sentimentos que quero partilhar. Estive em Café do Vento, município de Sapé, na Paraíba. Era uma jornada teológica sobre o tema “A fé e o evangelho na vida cotidiana.”

Umas vinte pessoas. A conversa fez parte da XII Semana Teológica Padre José Comblin. Acolhimento. Acolher não apenas as pessoas próximas, mas também a nós mesmos/as.

Para mim foi a recuperação de um fazer em comunidade. Solidariedade. Escuta e diálogo. Aprender constantemente.

Escutando as pessoas presentes e a mim mesmo, fui recuperando uma sensação muito alegre. Podemos construir coletivamente. Não necessitamos pensar igual.

Aliás, são as diferenças as que nos enriquecem. Uma sensação antiga e atual. De volta em João Pessoa, a vontade de descansar.

Deixar com que o dia vá se indo. Na espera de que a luz encontrada e partilhada, siga nos guiando. Podemos desfazer a opressão social desde dentro, e em volta.

Viver cada momento com aquela ternura especial de saber que a vida é tão preciosa!

A vida tem algum sentido?

Poder dizer o que nos acontece tem efeito sanador. Falar de nós mesmos, de nós mesmas. Partilhar a nossa experiência. Como está sendo a nossa vida? O que temos aprendido com o confinamento? A vida tem algum sentido? Qual o sentido da minha vida?

A pandemia tem exposto a céu aberto o sistema em que vivemos. O dinheiro é mais do que a vida, no atual sistema. Hoje é recordada a data em que foi dado o golpe de estado de 2016 no Brasil.

Uma eleição viciada conduziu à presidência da república alguém sem qualquer qualidade. Um setor significativo da cidadania colaborou com a quebra da ordem institucional. Pessoas indiferentes à dor alheia. Gente que não têm qualquer sentimento com relação às demais pessoas.

Os mortos vivos. As mortas vivas. Gente que não quer saber de nada. Não querem se dar ao trabalho de ver qual é o seu lugar na sociedade. Aceitam qualquer cousa que ouvem. Não refletem.

Morrerão como você e eu. A diferença é que alguns de nós fazemos de tudo por honrar a vida. Dar um sentido às horas do dia. Ninguém é mais do que ninguém.

Somos todos, todas, parte do tecido cósmico. Podemos nos integrar a essa textura tênue que sustenta tudo e contêm tudo. Esse é o tesouro que nenhum ladrão pode roubar.

Identidade

Escrevo. Gosto de escrever. Escrevo como quem vêm para o que lhe é próprio. Meu lugar é numa folha em que escrevo e leio, e também no mundo lá fora e aqui dentro. Não me preocupa repetir. Não escrevo para dizer algo novo, necessariamente, mas apenas para estar no meu lugar. Quando estou aqui, passado e presente se juntam, todos os dias se tornam um só.
Tudo que li e vivi e escrevi ficam sendo uma única coisa, uma única substância que sou eu mesmo. Se desfaz a dissociação entre o que faço e o que sou. Sou o que faço. O que faço é isso, vir para a folha, estar na folha.
Fazer aqui meus sonhos reais. Nascer de novo. Ficar belo e radiante. Comunidade que dissolve a distância. A solidão torna-se plena pois aqui estão todos meus seres queridos. Não há frustrações, pois tudo que desejo se torna realidade.
Aqui sou o mago que detêm as guerras e bloqueia a injustiça. Aqui não há impunidade nem imunidade. Apenas humanidade. Humanidade em busca de si mesma, em incessante vai vem, e onde recolho de cada pessoa que encontro, alguma faísca que trago para mim. Perco a vã expectativa de perfeição que me afasta de mim mesmo tanto quanto das demais pessoas. Admiro o arco-íris que espreita no meio das nuvens cinza.

Recomeço

Sempre é tempo para recomeçar.

Ontem à noite, passei um par de horas no Café Em Cena, na beira-mar de João Pessoa. Conversando com familiares, em uma mesinha do lado de fora, de frente para o luar.

A lua brilhando lá no alto, por cima das nuvens, e, no mar escuro e prateado, aquele contraste belo. No caminho, o habitual desgosto: carros atravessados no meio da calçada, cortando a passagem dos pedestres, obrigando a gente a andar pela rua ou a se esquivar dos motoristas que usam as calçadas como estacionamento.

Um descaso e um abuso. No caminho também, lembranças dos tempos da ditadura de Onganía, dos anos 1966 em diante. Repressão, tortura, assassinatos de estudantes e operários. Essa lembrança me acompanhou por um bom tempo.

Pensava: o que fazer com estas recordações? O que a gente faz com as recordações? Olha para elas, como fiz, e tenta tirar algum proveito do fato daqueles acontecimentos violentos estarem já tão longe no tempo.

Aqui, agora, este luar, esta noite em família, esta mesa em frente ao mar noturno. Este Café em Cena, onde estive pela segunda noite consecutiva, é um sonho realizado por um casal amigo, batalhadores de muitas lutas, em vários âmbitos. Admiro as pessoas que são capazes de superar as adversidades e dar a volta por cima. Recomeçar. É isto.

Ser y formas de ser

Es importante saber quién somos. Pero creo que es más importante aún, saber cómo somos. Saber quién soy puede ser o parecer algo muy distante, inalcanzable tal vez, o abstracto. Saber cómo soy, está más a mi alcance, aunque no es una tarea fácil o imediata.
Hay algunos obstáculos con los cuales me enfrento al tratar de conocer como soy. Son las ideas equivocadas acerca de mí mismo y de la forma como funciono. ¿Cómo vencer este obstáculo? Prestando atención. Viendo como actúo. Cómo pienso. Cómo acostumbro sentir.
De qué formas me impresionan los acontecimentos. Atención a mis formas de ser. El ser que se va manifestando a través de los hábitos y costumbres. Esta es una tarea muy atractiva, porque de a poco o de golpe, vamos teniendo cada vez más, ideas concretas sobre nosotros mismos.
Una ayuda valiosísima en esta tarea, es llevar un diario. Anotar constantemente lo que vamos viendo y vivendo. Nuestros pensamientos y sentimientos se van mostrando, así, tanto en su variedad como en su constancia y repetición.
Así iremos conociendo nuestra naturaleza. E iremos aprendiendo también, como consecuencia, a diferenciar lo que es nuestro y auténtico, de lo aprendido. Hay otra pregunta que ayuda en esta búsqueda: ¿como estoy?
Esta pregunta me sitúa en el momento actual. Es lo que ocurre, no lo pensado. Es el aquí y ahora, en el que empiezo a reencontrarme otra vez. Cuando me pregunto cómo estoy, me viene otra pregunta: ¿como debería estar? ¿El debería es mío o ajeno? ¿Es mío o impuesto? También me pregunto: ¿como me gustaría estar? ¿Cómo quiero estar? Pero aún aquí, diferenciar lo mío y lo ajeno, lo propio y lo aprendido.