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Em busca de uma direção

Saudades? Tristeza? Melancolia? Desorientação?

Talvez um pouco de cada

Ou nada disso, apenas água

Buscando o mar

Esta tarde ando em busca de uma direção

Um sentido.

Como não me sentiria feliz, se sinto?

Sinto o meu corpo

Sinto o prazer de respirar e fazer parte de uma família

Sinto o alívio de ver se afastando o medo e o terror

Sinto o prazer de me sentir, e não apenas me usar para fazer isto ou aquilo

Muitas pessoas não sabem o que fazer com os seus sentimentos

Sinto a minha história

Passo a passo vou andando

Assim foi como cheguei até aqui

Não foi aos solavancos

Sentir é o meu forte

Me espero e espero

Sinto a vida nova nascendo a cada instante

Ano novo é agora

Natal é agora.

Não preciso reagir de imediato, nem falar sem saber o que estou a dizer, nem fazer mais do que posso

Posso me respeitar, e me respeito.

“A única anormalidade é a incapacidade de amar” (Anaïs Nin)

Duas frases. Duas imagens. É o suficiente. Encontrei Anaïs Nin em 1984: “Em busca de um homem sensível”. Agora retorno à escritora, em busca de algo que ela deixou aceso em mim.

Naquela época eu era professor na Escola de Sociologia e Politica de São Paulo. Lembro como se fosse agora. Ganhei o livro de presente de um meu aluno de então. Eram cursos noturnos.  Eu saía da casa onde morava no Brooklyn Velho, e lá começava este encontro. Encontro com gente que foi me fazendo gente. Risadas, sonhos, utopias.

Vinha eu de novo para a vida. Poesia é isto. Nascença. Nascer de novo, a toda hora. Assim reencontrei-me na arte. A arte de viver, tão necessária. Mas não fadigarei a quem esteja lendo. Quando a escritora diz que a única anormalidade é não amar, assino embaixo. Pode ser doído, doer amar. Mas não amar é não ser. É não ter-se tornado gente.

O Brasil está diante de uma encruzilhada, como então. Em 1984 era o processo de mobilização que acompanhou o fim do regime autoritário. Hoje é o fim de um outro regime direi mais do que autoritário, desumano.

Frases e sentimentos mobilizam. Uma palavra mobiliza, se for vivida. No diálogo com as minhas alunas e alunos, fui me inserindo em diversas linguagens, diversos mundos. Desfazendo o pretenso monopólio do saber acadêmico. Daí agora partilhar esta outra reflexão da autora, sobre o escrever. A ver se derrotamos o analfabetismo de vez.

Juntar os cacos

Juntar os cacos.
Foi o tema escolhido na roda virtual de Terapia Comunitária Integrativa de hoje. A mulher tinha seus já muitos anos. Mas tinha uma vitalidade e uma energia, uma disposição e um sentimento intensos.
Valorizar a família, o afeto dos filhos e filhas. A vida que temos. O dia a dia. Mais um dia. Como será o amanhã? Ninguém sabe. Aqui está tudo bem. Me acostumar com isto: aqui está tudo bem.
Algo muito interno e muito precioso em mim se refaz em cada um destes encontros. A minha fé. O amor que me sustenta. A confiança em mim mesmo. O pertencimento a esta rede humanizadora.