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Sociologia para a vida

Tinha-me dado a mim mesmo a missão de ocupar este espaço da maneira mais criativa possível. Isto significava ao mesmo tempo a possibilidade de agir no plano artístico criativo e no mundo do cotidiano. Duas esferas que sempre busquei integrar na minha vida, e, em especial, na minha atuação profissional como sociólogo.

Nunca separar os conceitos, as ideias, as imagens, do sentido, dos sentimentos, da vivência. Era a minha forma de permanecer inteiro num meio em que um certo intelectualismo pseudo-racionalista imperavam, lado a lado da mediocridade corporativista. Na volta deste percurso, estou outra vez no começo.

As minhas cores, a minha sensação e sentido de mundo, me interpelando para um retorno ao lugar de onde nunca me fui. A literatura é o lugar onde com mais facilidade exerço esta atividade unificadora.

A reunião de peças como de um quebra-cabeças minucioso que congrega tudo sem exceção, vai se exercendo na costura de trechos do dia a dia colhidos em crônicas, memórias, mesmo de instantes. Uma ciência de coisas, era o que se propunha desde os postos de poder da cidadela sociológica.

Deixar o sujeito, a subjetividade, do lado de fora do afazer científico. É impossível. Ciência é feita por gente. E há de servir para que as pessoas se reconheçam, se reencontrem, vivam melhor. Arte e ciência se confundem, sem se confundirem. São esferas coincidentes.

Meu livro Max Weber: ciência e valores, expõe os resultados desta busca. Acredito que hoje mais do que em outras épocas, a nossa ciência deve urgentemente recuperar seu posto de combate. Refazer o tecido social, ressignificar a vida na confluência com outros saberes, tanto científicos como populares.

Por Rolando Lazarte

Escritor. Terapeuta comunitário. Doutor em Sociologia. Membro do MISC-PB, Movimento Integrado de Saúde Comunitária da Paraíba. Professor aposentado da UFPB. Vários dos meus livros estão disponíveis online gratuitamente: https://consciencia.net/mis-libros-on-line-meus-livros/

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