Arquivo da categoria: Opinião

ONG acusa EUA por mortes de 3 presos no Afeganistão

O grupo Human Rights Watch disse que três outros prisioneiros morreram enquanto estavam sob custódia americana no Afeganistão. Em carta aberta ao secretário de Defesa Americano, Donald Rumsfeld, a ONG afirmou que os EUA não investigam as acusações e nem punem os responsáveis por abusos contra prisioneiros. A organização também pediu para que os militares americanos publiquem um detalhado relatório sobre seus centros de detenção no Afeganistão que deveria ter vindo a público meses atrás. Leia na BBC Brasil.

Europa por Isaac Bigio (2004)

Nasce oca a ‘nova UE’?

LONDRES, 10/12/2004. Duhalde, promotor da Comunidade Sul-Americana, quer que ela se inspire na União Européia e tenha até um parlamento, mercado e moeda comuns.

A América do Sul tem quase o mesmo número de habitantes da UE, mas território e recursos naturais quatro vezes maiores. Não conhece guerras mundiais e há mais de um século nenhuma de suas capitais é invadida. Em relação à Europa, é mais homogênea em seu idioma, religião, cultura e história.

O grande nó sul-americano é o atraso de sua economia e sociedade. Suas 12 repúblicas nunca foram potências e comercializam mais com o Hemisfério Norte do que com seus vizinhos. Ainda são muito dependentes do dólar e de capitais e poderes estrangeiros.

O que deu força à UE foi o fato de ter começado como um acordo comercial, que logo se expandiu e deu ao bloco unidade política. A Comunidade Sul-Americana quer fazer o caminho oposto. Mas só avançará uniformizando taxas e políticas econômicas.

UE: Nova Constituição

LONDRES, 1/11/2004. Foi firmada a Constituição da União Européia. Com ela, a UE é mais do que um mercado comum — mas menos do que um Estado federativo.

Os Estados nacionais mantêm sua independência e suas autoridades, ainda que cedam certa soberania em áreas como pesca, agricultura, comércio interno e externo e ecologia. A UE se perfila, de certa forma, como contrapeso aos EUA. Não é uma confrontação direta como a que criou a Alemanha em 1914-1945, ou a URSS, até 1991. Mas diversos países da América Latina, África e Ásia poderão se valer da UE para renegociar melhores acordos comerciais ou relações com Washington.

A UE dificilmente poderá se constituir num novo Estado com uma só política exterior. A guerra no Iraque tem mostrado fortes divisões internas nas quais muitos sócios novos adotaram uma posição pró-Bush frente à do bloco anti-guerra dos fundadores. Alguns Estados não adotam o euro como moeda e poderão rechaçar a nova constituição em referendos.

A marcha anti-guerra

LONDRES, 30/10/2004. A apenas quinze dias das eleições presidenciais norte-americanas, mais de 100 mil pessoas sairam às ruas de Londres, a capital do maior aliado dos EUA, em uma manifestação contra Bush que também exigia a retirada das tropas britânicas do Iraque.

Com esta manifestação culminou o Fórum Social Europeu, que foi promovido pela prefeitura londrina e que reuniu cerca de 20 mil ativistas anti-guerra de todo o mundo durante três dias.

O protesto tem lugar em um momento difícil para Blair. Até o momento os quase nove mil soldados britânicos responderam a seus próprios chefes permanecendo ao sul do Iraque, mas agora Bush quer que algumas tropas inglesas passem a ficar sob o comando norte-americano nas zonas próximas à Bagdá. Muitos britânicos (incluindo setores pró-guerra) resistem à essa idéia pois temem parecer subordinados à estratégia dura do Pentágono, além do receio de que tal medida aumente as baixas entre seus soldados.

Bush quer mostrar ao eleitorado norte-americano que ele não está isolado internacionalmente. Blair pode querer não aceitar tal solicitação, mas se não seguir a pauta de Bush pode afetar seu sócio e passar uma imagem de desunião para a Coalizão.

Os falsos informes de Blair

LONDRES, outubro/2004. Na última conferência trabalhista, Tony Blair reconheceu como falsos os informes que indicavam que Saddam tinha armas de destruição em massa. Apesar de aceitar que o argumento principal para atacar o Iraque estava errado, Blair defendeu a invasão dizendo que ela era necessária para remover o ditador iraquiano do poder.

Com sua “auto-crítica”, o primeiro-ministro tentou salvar sua imagem e unir o partido para ganhar um terceiro mandato, mas esta atitude pode acabar afetando seus aliados Bush e Howard que estão no meio de suas campanhas para a reeleição. E também pode minar ainda mais sua autoridade frente suas próprias bases trabalhistas, que solicitarão um pedido de perdão por haver lançado o país nesta aventura.

Diferentemente de Espanha, Austrália e EUA, Blair não compete com um líder anti-guerra. Seus opositores conservadores estão desacreditados e são tradicionalmente mais duros na política externa.

A conferência demonstrou um Blair que deixou de lado os símbolos do “novo trabalhismo” para reviver o trabalhismo histórico. Ele tem elogiado Brown, seu rival interno, como o melhor tesoureiro britânico da história. A cumplicidade entre os dois tenta evitar um racha interno que acabe com as chances de seu partido permanecer no poder depois de 2005, o que não elimina a possibilidade de um futuro choque entre eles. Brown exige um peso maior no partido para logo poder substituir Blair na cadeira de primeiro-ministro.

Guerra contra a Fome

LONDRES, outubro/2004. Esta semana, que começou com a realização da I reunião da ONU contra a fome, terminou com um dia sagrado para os judeus: o dia em que eles jejuam como forma de pedir perdão.

O problema é que um sétimo da população mundial (cerca de 850 milhões de pessoas) jejuam involuntariamente. Com tanto avanço tecnológico, não se pode perdoar que a desnutrição persista e que cada ano mate 700 mil pessoas.

Da reunião citada acima não participou o presidente do país anfitrião, os EUA, mas sim 55 mandatários incluindo Lula, Chirac (França), Lagos (Chile), Zapatero (Espanha) e Annan (ONU). Para eles, a maior guerra a ser encarada não é contra o Iraque, mas contra o flagelo da fome, que deve ser erradicado em 11 anos.

A verba destinada para a batalha contra esta verdadeira “arma de destruição em massa” equivale a 10% do investimento bélico dos norte-americanos. Propostas para incrementar os fundos destinados ao combate à fome surgem sobre a forma de impostos sobre o comércio de armas, a cobrança de 0,01% sobre os bilhões de dólares produzidos em transações financeiras diárias e a redução do custo de envio de dinheiro de imigrantes do hemisfério Norte para o Sul (U$86 bilhões).

Guerra ilegal

LONDRES, outubro/2004. Kofi Annan tem afirmado categoricamente que a invasão do Iraque foi ilegal. O Secretário Geral das Nações Unidas tem tentado demonstrar que não é uma marionete nas mãos de Washington. E ele pode influir sobre as próximas eleições na Austrália e nos EUA.

Quando Aznar deixou o poder em Madri, a revista “The Economist” presumiu que havia caído o primeiro dos quatro “ases” que lideraram o ataque a Bagdá. Em 9 de outubro pode cair o segundo: Howard, primeiro-ministro australiano desde 1996. O terceiro “ás” (Bush) pode cair nas eleições presidenciais de 2 de novembro e o quarto (Blair) poderia ser defenestrado por seu partido se seu descrédito se aprofundar.

Kerry usa as declarações de Annan para atacar Bush e vai tirar proveito de uma possível derrota de Howard. Bush, que acredita ter o poder de intervir em outros países, poderia perder o poder devido à “intervenção” de distintas pressões externas sobre os EUA.

Violência animal

LONDRES, setembro/2004. Na quarta-feira (15/09), pela primeira vez manifestantes entraram no parlamento britânico, enquanto do lado de fora deste recinto correu muito sangue. Os manifestantes exigiam que fosse mantida a caça à raposa enquanto lá dentro se aprovava uma lei que a abolia.

Setores conservadores decidiram transformar a defesa desta aristocrática forma de recreação em sua principal arma para mobilizar massas e ativistas contra o trabalhismo. 75% dos britânicos apoiam vetar este sanguinário esporte, pois os ingleses são amantes dos animais. Todo bicho de estimação, antes de entrar no país, deve passar por uma quarentena a fim de evitar a transmissão de doenças. As touradas e brigas de galo, inclusive, estão proibidas e o único “terrorismo” nitidamente britânico que existe é o dos “defendores de animais”.

Abandeirar a preservação desta caça é algo que não permitirá aos conservadores uma sustentação popular, mas criará, isso sim, uma base militante no setor rural.

Rádios comunitárias: mais 15 emissoras fechadas

Mais 15 emissoras fechadas

Dia 25 de outubro, foram fechadas 15 rádios comunitárias na região de Belo Horizonte, capital mineira. Entre elas, a Rádio Constelação, que há sete anos vem atuando junto à comunidade e é formada em sua totalidade por portadores de necessidades especiais. No ato do fechamento, Roberto Emanuel, cego de nascença, foi algemado e levado preso até a Polícia Federal de Belo Horizonte...Brasil de Fato, 4/11/2004

Repressão às rádios comunitárias aumenta no Brasil

A repressão da Polícia Federal brasileira sobre as rádios comunitárias que funcionam no país tem sido cada vez maior e mais violenta. A denúncia é da Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc) no Brasil, que está debatendo e desenvolvendo ações para reverter o quadro..Adital, 12/11/2004

Rádios Livres, resistência no ar

Em abril deste ano, Cristiane Andriotti defendeu a tese “O Movimento das Rádios Livres e Comunitárias e a Democratização dos Meios de Comunicação no Brasil”, na Unicamp. Antes disso, a única pesquisa de pós-graduação sobre o tema conhecida pelos ativistas era a de Marisa Meliani: “Rádios Livres; o outro lado da voz no Brasil”, defendida na USP em 1995...CMI Brasil, 14/6/2004

Revista Consciência.Net apresenta alternativa em comunicação na UFRJ

É o Consciência.Net invadindo o meio acadêmico, mais especificamente a UFRJ, com o trabalho “Alternativas em Comunicação: unindo a teoria à prática numa perspectiva humanista e consciente”. O trabalho é coordenado por Renato Kress, Gustavo Barreto e Juliana Lanzarini e tem a orientação do professor Mohammed ElHajji, da Escola de Comunicação da UFRJ.

A Jornada de Iniciação Científica Artística e Cultural, promovida pela Sub-Reitoria de Ensino e Graduados e Pesquisa da UFRJ, têm como objetivo proporcionar ao aluno de graduação um espaço para exposição e discussão do seu trabalho de iniciação científica, artística e cultural.

Esta atividade visa uma troca de experiência entre alunos de graduação, de pós-graduação, bolsistas e docentes, envolvidos em atividades de pesquisa. Os interessados em participar da audiência do evento podem conhecer a Programação do evento a partir de buscas por Trabalhos, por sessões, Áreas de Conhecimento, nome de membros da equipe de apoio, entre outros.

Para conhecer a proposta, clique aqui e clique em ‘Divulgação de Trabalhos 2004’; depois digite código igual a… 964; e clique em 964. Parte do texto de apresentação pode ser lido na seção Apresentação.

Serviço: Painel da revista Consciência.Net na UFRJ; Local: Hall do Centro de Tecnologia – Bloco A; Data: Terça-feira, 23/11/2004, das 8hs às 13hs.

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Equipe Consciência.Net
http://www.consciencia.net

“Posso prometer que, para trazer o Guggenheim para o Rio, seremos ousados além do que recomenda a prudência”.

César Maia (PFL), prefeito do Rio de Janeiro, 14/01/2003, leia mais clicando aqui.

“O que eu fiz foi dar continuidade ao que ele começou. Não podia interromper um projeto internacional desta importância”.

César Maia (PFL), prefeito do Rio de Janeiro, sobre o mesmo projeto, no jornal O Globo (clique aqui) de hoje

Ninguém está em casa no mundo de hoje

Um dos principais teóricos da globalização, Zygmunt Bauman mostra que por trás da crescente sensação de insegurança do homem contemporâneo há uma idéia utópica de comunidade protegida dos perigos. Por Cristiane Costa, editora do caderno ‘Idéias’ (Jornal do Brasil).