Categorias
Rio de Janeiro

Saneamento: questão de prioridade

Apesar dos esforços da Nova Cedae, hoje, mais de 25 mil pessoas que moram no Recreio convivem diariamente com o mau cheiro e a presença de mosquitos. Isso sem contar as limitações técnicas do sistema, que impedem o tratamento conveniente do esgoto produzido na região. Por Pedro Paulo, deputado estadual no Rio de Janeiro

A Nova Cedae anunciou que, neste ano, vai priorizar a finalização das obras do emissário submarino da Barra e no Programa de Despoluição da Baía de Guanabara. Intervenções essenciais para os moradores do Recreio, como a construção de elevatórias e a ligação do sistema de esgoto do bairro ao emissário, serão realizadas a partir de 2008. Apesar dos esforços da Nova Cedae, hoje, mais de 25 mil pessoas que moram no bairro convivem diariamente com o mau cheiro e a presença de mosquitos. Isso sem contar as limitações técnicas do sistema, que impedem o tratamento conveniente do esgoto produzido na região.

Após oito anos de uma gestão irresponsável, o equipamento utilizado nas duas estações de tratamento de esgoto (ETE) que atendem ao bairro – localizadas na Avenida Gláucio Gil e na Rua Teotônio Vilela – é ultrapassado e inadequado. O processo químico que as ETE’s despejam nos canais e lagoas tem nutrientes que alimentam algas que, conseqüentemente, poluem os lagos da região. Além disso, ao não operar adequadamente, as ETE’s apenas retiram pequena parte de resíduos, o que não evita a poluição dos canais. O deficiente sistema de saneamento, que pouco investimento recebeu dos últimos governos, gera também, em primeira mão, uma demanda urgente pela recuperação do sistema lagunar da região. A reestruturação da Nova Cedae, que investe em um modelo original de gestão, tem sido essencial para que essas questões sejam revistas e solucionadas.

Para acabar de vez com o problema do esgotamento sanitário no Recreio, é preciso, antes de tudo, iniciar a implementação de um macro sistema, que inclui troncos e elevatórias para o transporte do esgoto até o emissário submarino. O governo estadual e a Nova Cedae estão cientes da urgência e da necessidade da interligação com o emissário. Na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), a luta é pela aprovação do orçamento necessário para a realização da obra. Ampliando o foco, a Comissão de Saneamento da Alerj realizará, ainda, uma audiência pública para discutir o saneamento de Jacarepaguá, rede que também tem o emissário da Barra como destino final.

A rede do Recreio tem 130 quilômetros, que atingem 2.500 unidades, mas somente 1.500 estão cadastradas, o que comprova um grande contingente de ligações clandestinas. É urgente também que, além do poder público, os cidadãos tomem consciência da importância do saneamento para o bem-estar de todos. A fiscalização e a elaboração de leis que punam as residências que não se ligarem à rede de esgoto são algumas das ações que devem ser intensificadas. Na Barra da Tijuca, a questão já está avançando e temos observado uma maior conscientização dos condomínios.

Para resolver todas as vertentes desse problema que já extrapolou os limites sociais e, agora, ameaça o meio ambiente, é fundamental a união da sociedade com o poder público – Legislativo e Executivo. Somente a partir do tripé investimento, fiscalização e cooperação social será possível garantir mais qualidade de vida para o bairro.

Pedro Paulo é deputado estadual pelo PSDB e presidente da Comissão de Saneamento da Alerj.

Deixe uma resposta Cancelar resposta

Sair da versão mobile