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Remoções: Prefeitura do Rio diz que dialoga, mas vídeo mostra o contrário. Vila Autódromo resiste

Na última quarta-feira (19/10) cerca de 30 funcionários da Prefeitura do Rio de Janeiro (Secretarias de Assistência Social e de Habitação) foram até a comunidade Vila Autódromo, localizada na Barra da Tijuca, realizar o cadastro e marcações das casas para dar início à implantação do projeto de remoção. A proposta desse vídeo é registrar a forma como a Prefeitura estabelece seu “diálogo” com os moradores.

Prefeitura do Rio diz que dialoga, mas vídeo mostra o contrário. Vila Autódromo resiste
Coletivo de Comunicação do MNLM

Na última quarta-feira (19/10) cerca de 30 funcionários da Prefeitura do Rio de Janeiro (Secretarias de Assistência Social e de Habitação) foram até a comunidade Vila Autódromo, localizada na Barra da Tijuca, realizar o cadastro e marcações das casas para dar início à implantação do projeto de remoção. A proposta desse vídeo é registrar a forma como a Prefeitura estabelece seu “diálogo” com os moradores.

Durante a atividade tentei conversar com alguns funcionários sobre os procedimentos da ação e os mesmos foram evasivos, dizendo que nada poderiam falar. Em conversa com o assessor de comunicação Gabriel Caroli, ninguém – nem mesmo ele – estavam autorizados a dar entrevistas.

Em uma tenda armada na entrada da Vila Autódromo o projeto da “reassentamento” foi apresentado à comunidade na manhã do último domingo (16/10) pelo Secretário de Habitação do RJ, Jorge Bittar. Quando questionado porque não direcionar o uso da verba para melhorias da comunidade e não sua remoção, o secretário alega que seu papel é a de implantação do projeto, não podendo responder qual o motivo da inclusão da comunidade no espaço do Parque Olímpico.

A proposta de remoção dos moradores para apartamentos de 40m², a serem construídos num terreno localizado na Estrada dos Bandeirantes, encontra-se agora comprometida. Na última terça-feira (15/10) o prefeito Eduardo Paes cancelou a compra do terreno após denúncias de que a empresa proprietária, “Tibouchina Empreendimentos”, é controlada pela “Rossi Residencial” e “PDG Realtypor”, construtoras que fizeram doações à campanha de Eduardo Paes na campanha de 2008.

Tentativa de remoção da comunidade por parte do Estado não é algo novo

Em 1992 os moradores passaram pela mesma experiência sob o argumento de “dano estético e ambiental”. Processo que deixou visível seus rastros com a pichação “SMH” em azul nos muros das casas.

Uma comunidade com mais de mil moradores que se desenvolveu sem nenhum recurso do Estado. Inúmeros comércios, templos religiosos, atividades e uma história de mais de mais de 40 anos que não cabem em apartamentos nem condizem com tal realidade.

Citações do vídeo aqui e aqui. Versão em inglês – with english subtitles, click here.

Atentem-se que os logotipos de empresas que aparecem no vídeo são as patrocinadoras das Olimpíadas, ou seja, direta ou indiretamente financiam os projetos de remoção da comunidade.

A produção do vídeo foi feita pelo Coletivo de Comunicação do MNLM com apoio da WITNESS.

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