Reitor da Uerj notifica judicialmente jornalista e sindicalista

Durante o período da ditadura, eram restritas as liberdades individuais, coletivas, políticas e sociais. Os anos de chumbo tentaram calar as vozes de oposição ao sistema autoritário, arrogante e retrógrado imposto pelos militares. Dizer a verdade, denunciar a truculência do regime militar, enumerar os problemas sociais brasileiros ou, simplesmente, ter uma opinião contrária a dos dirigentes do país era sinônimo de prisão, atentados contra a vida, tortura ou até mesmo a morte.
Esse período foi superado graças às mobilizações sociais e populares realizadas pelo País. Um dos espaços de luta e denúncia foi justamente a universidade. Mesmo espaço que, hoje, reflete atitude autoritária do reitor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Ricardo Vieiralves. Isso porque no dia 24/6 o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Estaduais do Rio de Janeiro (Sintuperj), Jorge Luís de Mattos, o “Gaúcho”, e a jornalista da entidade, Silvana Sá, foram notificados judicialmente pelo reitor.
Em 18 de dezembro do ano passado, Vieiralves colocou na pauta do Conselho Universitário uma minuta que pode abrir a possibilidade de privatização do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), por meio das Fundações Estatais de Direito Privado. Comprometido com a defesa de uma universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada, o Sintuperj elaborou boletins eletrônicos e impressos denunciando este passo que pode abrir as portas da Uerj rumo à privatização e convocando a comunidade universitária a se mobilizar contra esta possibilidade.
O caso foi denunciado no Jornal do Brasil e mobilizou centenas de trabalhadores para as sessões do Consun e audiências públicas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Praticamente ignorando a história deste país, as lutas do movimento sindical, a liberdade de expressão, a liberdade de opinião e a liberdade de não se render às vozes autoritárias, Vieiralves – mesmo com inúmeros apelos – insiste em notificar os companheiros de luta. Defender a democracia significa não se sujeitar às forças que querem calar as vozes discordantes. Defender uma história de luta significa impedir novos ataques à história.
Silvana Sá, jornalista comprometida com a luta dos trabalhadores, sabe de sua responsabilidade e atuou de acordo com seu Código de Ética: “A prestação de informações pelas instituições públicas, privadas e particulares, cujas atividades produzam efeito na vida em sociedade, é uma obrigação social”. Ao contrário, Vieiralves não respeita os limites de sua responsabilidade enquanto gestor de uma universidade estadual que já foi palco de tantas e tantas lutas.
Exigimos a retirada da notificação judicial da jornalista Silvana Sá e do sindicalista “Gaúcho” para impedir que novos ataques à nossa história se repitam.  Silvana Sá busca construir uma sociedade justa e democrática, que respeite a diversidade de opiniões e ideias. O respeito à história, à diversidade de opiniões, às críticas é elemento indissociável de qualquer sociedade que queira construir um futuro melhor.
Nós, que aqui nos manifestamos, repudiamos a arrogância e o autoritarismo do reitor da Uerj, Ricardo Vieiralves.
Assinam:
Camila Marins – jornalista do Sintuperj e da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros
Mariana Gomes – estagiária do Sintuperj

2 comentários sobre “Reitor da Uerj notifica judicialmente jornalista e sindicalista”

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  2. Esse reitor da UFRJ faz parte da elite creola sócia do imperialismo dos EUA, que insiste com a privataria neoliberal …
    É questao de sobrevivencia prá estes …
    Fora reitor!!!

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