Radialista ameaçado de morte pede apoio aos órgãos governamentais, mas continua desassistido

Depois de tanto recorrer à proteção do Estado Brasileiro e de organismos de direitos humanos, radialista Wilton de Andrade relata que as políticas de proteção de direitos humanos do governo são insuficientes….

Radialista Wilton de Andrade em frente a sua casa logo após o atentado. Foto: arquivo pessoal

Tudo começou quando o radialista Wilton Andrade, proprietário da Rádio Milenius FM, localizada na cidade de Itaporanga D’Ajuda (município de Sergipe), sofreu um atentado na madrugada do dia 17 de dezembro do ano passado. Na ocasião o seu veículo, que estava estacionado dentro da garagem da residência, foi incendiado por um coquetel molotov lançado por homens que ocupavam duas motos.  Mas antes deste crime Wilton e sua família já vinham recebendo ameaças que, segundo ele, eram dos mandarinos do prefeito de Itaporanga D’Ajuda, César Mandarino. O radialista acredita que este crime e as ameaças que vinha recebendo são respostas às constantes denúncias que a Milenius FM estava fazendo contra a administração do município.
A partir deste atentado, o radialista foi buscar ajuda em órgãos do governo e começou a travar uma espécie de luta burocrática encontrando dificuldades para o esclarecimento dos fatos e  a segurança de sua família. Primeiro Wilton buscou apoio da OAB/SE para acompanhar as apurações. No Palácio da Cidadania, o radialista foi recepcionado pelo presidente da OAB/SE, Carlos Augusto Monteiro Nascimento, e pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da entidade, Cláudio Miguel Menezes de Oliveira, que demonstraram preocupação com o caso. Ele foi orientado a encaminhar elementos de prova para que a OAB/SE pudesse analisar a questão e adotar as medidas cabíveis, cobrando à Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) rigor nas apurações. Em seguida o radialista denunciou a morosidade da SSP, e até o momento nada foi esclarecido.
“O secretário de Segurança Publica é compadre e amigo do prefeito. O Advogado do prefeito é irmão do secretário de segurança pública de Sergipe. Já o Governador do estado de Sergipe não conseguiu falar comigo porque precisa do partido do prefeito, que dá sustentação na Assembléia Legislativa aos projetos dele. Eu acho que por parte deles não existe nenhum interesse que o caso venha ser elucidado”, afirmou Wilton ao Fazendo Media.








Carro incêndiado . Foto: arquivo pessoal







Por falta de efetivo policial no estado de Sergipe Wilton teve que pedir proteção à Força Nacional de Brasília e recorreu ao Programa Nacional de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos (PNPDDH), da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, no qual obteve a escolta para ele e sua família até que as investigações pudessem ser esclarecidas. Isto, no entanto, ainda não aconteceu.
De acordo com a ata de reunião da Equipe Técnica Federal do PNPDDH , (Relatório do dia 6 de julho) foi comentado por seu responsável que “a investigação via esfera federal é muito mais demorada do que a esfera estadual, que é um processo muito difícil, e que pelo que lembra [o técnico responsável]  apenas um caso houve mudança”. De acordo com o mesmo documento, Wilton informou “que o SSP e o Ministério Público (MP) nunca o receberam e que antigamente estes agentes sempre usavam espaços na rádio”.
No decorrer da sua árdua luta burocrática por segurança, recentemente a coordenadoria do PPDDH orientou o radialista que em setembro a escolta teria que deixá-lo. Em vista disto ele preferiu renunciar ao programa por concluir que ele tinha pouco a oferecer. “Eu sai do Programa no dia 12 de agosto de 2011, por concluir que ele não tinha muito a oferecer, somente a escolta  da Força de Segurança Nacional, que era por tempo determinado. A coordenadora do Programa disse que em setembro deste mês era para eu ir me organizando, que a Força iria me deixar. No decorrer de minha proteção, a escolta me informava que se eu perdesse a proteção do Estado o pior ia acontecer comigo. Os órgãos de direitos humanos e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República não têm muito a oferecer a não ser uma tortura mais profunda, pois eles ficaram me monitorando sem condições de sobrevivência. Fui aconselhado pelo presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) para que não ficasse no Brasil, pois já existem 47 comunicadores [ jornalistas e radialistas] que eles conseguiram retirar do país porque sabem que a impunidade aqui impera”, concluiu.

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