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Por que resistir?

Era uma vez um grupo de pessoas que no dia 07 de Setembro de 1994 davam uma entrevista radiofônica sobre uma entidade recém fundada na cidade. Era uma ONG/AIDS, a primeira da Paraíba que estava divulgando seu trabalho de apoio às pessoas afetadas pelo HIV/aids de Campina Grande. Esta entrevista seria a primeira de muitas. O grupo foi fundado em 12 de Março de 1994.

Os objetivos dos Estatutos estavam claros e logo que se espalharam pela cidade a notícia da fundação do Grupo, os portadores começaram a sair de suas casas e a mostrarem-se, pelo menos nas reuniões. Quando um portador, em Junho de 1994, foi expulso de um dos hospitais da cidade fazendo com que este fato chegasse à imprensa campinense, o Grupo tomou impulso e consolidou-se tomando partido público em defesa da vida e pelo fim do preconceito social e médico contra as pessoas que vivem com HIV/aids.

Cerca de trinta voluntários estavam imbuídos de lutar institucionalmente contra a AIDS em Campina Grande e se reuniam sempre às sextas-feiras, no bairro do Centenário, na paróquia São Cristóvão.

O que o Grupo queria em 1994 era apenas estudar. Isso mesmo. Com pouco mais de 30 militantes, o grupo se recusava a fazer militância externa sem antes estudar a síndrome. Mas, pela força dos fatos, o GAV surgiu para a sociedade de modo inegável incomodando muita gente, pois o portador deixou de ser uma inutilidade pública. Com o passar dos tempos, a sede mudou-se para o bairro da Prata, no Edifício São Paulo, ano de 1995. Lá o GAV consolidou-se nacionalmente ao participar do VII Encontro Nacional de ONGs/Aids em São Paulo-SP.

Em 1996 o GAV estava no Bairro da Liberdade e consolidou-se mais ainda nacionalmente, quando conduziu mesas e oficinas no VIII Encontro Nacional de ONGs/Aids e no Vivendo no Rio de Janeiro-RJ, onde inclusive encerrou o evento com um monólogo.

Os anos de 1997-1998 significaram para o GAV mudanças internas e reflexões. Paralelo à militância nacional, o Grupo preocupava-se com a militância local e com um aparato de preocupações administrativas inerentes a qualquer ONG.

O GAV já chegou ao número de 50 voluntários sem falar nos voluntários rotativos. O GAV fez trabalho de parceria com entidades de base e de classe e chamou à responsabilidade da luta contra HIV/aids, a sociedade civil campinense.

A partir de 1999 a sede foi instalada no Centro da cidade e com a implementação sistematizada de projetos através de convênios com agências nacionais e internacionais financiadoras, exigiu-se do Grupo uma formação mais especializada com um corpo técnico de profissionais hábeis para desenvolver e implementar programas de prevenção e assistência às pessoas vivendo com HIV/aids.

Hoje, em 2022, reconhecidamente, já não podemos deixar de existir em Campina Grande. Estamos localizados à Avenida Almirante Barroso, 672 – Liberdade, contando com 10 voluntários e acompanhando 250 pessoas vivendo com HIV/aids e seus familiares que recebem atenção de todos os nossos serviços.

O Grupo de Apoio à Vida – GAV chega aos seus 28 anos de muita luta e resistência. Estamos sempre juntos, vivenciando, experimentando e refletindo sobre a vida, reunidos nos encontros das pessoas vivendo com HIV/aids. Uma vida cheia de fluxos e refluxos, vínculos, relacionamentos que se fazem, se desfazem, se negam, se misturam, se dão em momentos únicos, mas cheios de alegrias, felicidades, entusiasmo, surpresas e encantamentos.

PARABENS A TODOS QUE FAZEM O GRUPO DE APOIO À VIDA – GAV

A Coordenação Geral
12 de Março de 2021

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