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Políticas sociais dependem de Estado forte, diz Lula a jornal chinês

Ex-presidente destacou que a China foi bem-sucedida no combate à pandemia por contar com partido e Estado fortes

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que é preciso um estado forte para realizar as políticas sociais que o povo necessita. Contudo, as elites financeiras têm “muita ingerência” política nos países da América Latina, e estão “privatizando aquilo que deveria ser papel do estado”. Em entrevista recente ao jornal Gancha, de Xangai, transmitida pelaTVT nesta quarta-feira (7), Lula afirmou que a China foi bem-sucedida no combate ao coronavírus, porque tem um partido forte no comando do Estado.

“Muitas das políticas sociais que o povo precisa só podem ser feitas se o Estado for forte. E lamentavelmente nos países da América Latina, o Estado está cada vez mais fraco. Estão cada vez mais privatizando as empresas públicas e tudo aquilo que deveria ser papel do Estado”, disse Lula.

Ele também citou o gigante asiático como “exemplo de desenvolvimento” para o mundo. “A evolução que os chineses tiveram nos últimos 20 anos foi uma coisa extraordinária. E isso tudo só foi possível pela organização política chinesa. E com muita competência, muita cultura, muito investimento e com muito conhecimento científico-tecnológico”.

Pandemia no Brasil

Lula comemorou por ter sido imunizado com a vacina chinesa CoronaVac. Entretanto, ele atribuiu à “irresponsabilidade” do governo Bolsonaro as centenas de milhares de mortos causados pela pandemia no Brasil.

“Temos um governo que não acredita no coronavírus, que disse que era apenas uma gripezinha. Que passou o tempo inteiro recebendo ordem do ex-presidente (Donald) Trump dos Estados Unidos, desafiando os chineses, culpando os laboratórios chineses, dizendo que a vacina chinesa não valia absolutamente. E que não comprou nenhuma vacina durante muito tempo. Quando o Brasil começou a comprar vacina, o país já estava tomado pelo vírus”, disse Lula.

Relação Brasil-China

Ele destacou que, durante o seu mandato, as transações comerciais entre Brasil e China cresceram 16 vezes. De cerca de US$ 6 bilhões, em 2003, para US$ 76 bilhões ao final da primeira década do século 21. “E eu acho que isso incomodou os americanos”, acrescentou. “Incomodou, porque eles não aceitam, em hipótese alguma, que na América Latina tenha algum país com protagonismo. Eles acham que os países da América Latina têm que ficar subordinados às orientação do Departamento de Estado americano.”

Nesse sentido, Lula diz que “sonha” com a retomada dos Brics – bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Mais do que integração, o ex-presidente defende uma “parceria estratégica” entre esses países. Inclusive para contornar a dependência do dólar nas transações internacionais.

Golpe, Lava Jato e os EUA

Lula atribuiu o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, bem como a sua prisão pela Operação Lava Jato, à ingerência norte-americana. Segundo ele, foi o petróleo do pré-sal – a maior reserva descoberta no século 21 – que aguçou os interesses dos Estados Unidos. Além disso, os norte-americanos também estavam incomodados com o protagonismo internacional exercido pelo Brasil. E, em maior grau, pela própria China.

“Os Estados Unidos, na verdade, têm medo de perder a primazia de xerifes do mundo. Não querem competidor, nem na área econômica, na área tecnológica, nem na área militar. (…) E é por isso que a gente não pode aceitar o papel que os Estados Unidos tentam impor à humanidade”, criticou o ex-presidente.

De acordo com Lula, o Departamento do Justiça dos Estados Unidos orientou a atuação do ex-juiz Sergio Moro e dos procuradores da Lava Jato. “Nós temos gravado depoimentos de Procuradores americanos festejando a minha prisão”. A partir dessa cooperação internacional ilegal, o Judiciário brasileiro foi utilizado como arma política – o chamado lawfare.

“Nunca me preocupei, porque tinha consciência da minha inocência. E hoje eu estou aqui. Sempre tive minha consciência mais tranquila e um sono melhor do que aqueles que me acusaram e me julgaram. Espero que um dia toda essa gente que contou mentiras a meu respeito peça desculpa publicamente”. Aos 75 anos, Lula afirmou que tem “muita energia” para ajudar a recuperar a democracia brasileira nas eleições de 2022.

Assista à entrevista:

Redação: Tiago Pereira – Edição: Helder Lima

Fonte: Rede Brasil Atual

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