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Polícia hondurenha entra em greve

A polícia de Honduras decidiu entrar em greve alegando “excesso de trabalho”. Os porta vozes policiais mostram-se preocupados com as manifestações diárias pela volta do presidente constitucional do país…

A polícia de Honduras decidiu entrar em greve alegando “excesso de trabalho”. Os porta vozes policiais mostram-se preocupados com as manifestações diárias pela volta do presidente constitucional do país, Manuel Zelaya, deposto por um golpe militar de ultradireita e querem aumento salarial.
Manuel Zelaya que já entrou e saiu do território hondurenho em diversas oportunidades em entrevista hoje na embaixada de Honduras em Manágua disse estar iniciando a volta definitiva ao seu país. Vai percorrer o caminho entre a capital nicaragüense e a fronteira em companhia do guerrilheiro sandinista Éden Pastora.
O presidente constitucional de Honduras disse também que confia numa atitude democrática dos militares em respeito a vontade popular. O governo golpista ampliou o toque de recolher na fronteira com a Nicarágua e determinou a prisão de Zelaya assim que o presidente pisar em território hondurenho.
O país viveu hoje um dia de manifestações em todos os pontos praticamente. A capital Tegucigalpa foi palco de protestos defendendo a volta de Zelaya.
Confirmando todas as informações negadas pela chamada grande mídia em países de quase todo o mundo, principalmente nos Estados Unidos e Brasil, considerados chaves no processo de retomada democrática em Honduras, organizações internacionais de direitos humanos deram conta de execuções extrajudiciais nos primeiros dias do golpe, durante as manifestações em todo esse período de protestos e suspensão dos direitos fundamentais assegurados pela constituição.
A confirmação das execuções foi feita por 15 delegados da Federação Internacional de Direitos Humanos, do Centro pela Justiça e o Direito Internacional, além do Serviço Paz e Justiça. A Cruz Vermelha também noticiou excessos e violência por parte dos militares e policiais na repressão.
Enrique Santiago, da Federação de Associações de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos da Espanha, “identificou a existência de graves violações dos direitos humanos ocorridas no país após o golpe de estado”.
A missão divulgou um relatório de 14 páginas e menciona quatro assassinatos. Esse relatório não cita a morte de Isis Murilo, executado por soldados no dia 5 de julho em manifestação próxima ao aeroporto de Tocontín. O relatório aponta entre as vítimas Vicky Hernández Castillo, membro da comunidade GLS. Foi morto com um tiro no olho e em seu corpo havia marcas de estrangulamento. Outra vítima mencionada e não identificada estava com uma camisa denominada “quarta urna”, alusão ao referendo convocado por Zelaya; As demais vítimas foram o jornalista Gabriel Fino Noriega, Ramón Garcia e o sindicalista Roger Iván Bastos.
O governo golpista enfrenta uma greve de professores e servidores públicos. Os policiais em greve, além de reclamarem do excesso de trabalho reivindicam melhores salários. A todo esse conjunto de pressões internas somam as pressões externas contra o golpe. Observadores internacionais afirmam que o governo de Michelletti conta apenas com apoio das elites empresariais, militares e da cúpula da Igreja Católica.
Nos Estados Unidos o presidente Barak Obama ainda não conseguiu, ou então não quer, neutralizar a ação da CIA – Agência Central de Inteligência – e de setores empresariais ligados ao senador John McCain, candidato derrotado nas eleições do ano passado, que sustentam o golpe e segundo denúncia de lideranças de oposição estaria enviando dinheiro para o governo golpista através das máfias de traficantes de droga de Miami.
Essas máfias costumam lavar dinheiro em empresas de países da América Central governados pela direita e na Colômbia, principal base dos EUA na América Latina. Em várias oportunidades foram usadas pela extrema-direita norte-americana e grupos de judeus sionistas para ações dessa natureza.
A expectativa agora está em torno da entrada de Zelaya em Honduras. Não sendo descartada a hipótese de guerra civil. Muitos analistas acham que o governo dos EUA está pronto para intervir se entender que seus interesses serão contrariados ou afetados. Nesse caso a intervenção se daria com o velho pretexto de garantir a democracia.
O embaixador de Washington em Tegucigalpa é ligado aos golpistas.
Agora à noite as organizações de direito humanos presentes em Honduras informaram que as mortes anunciadas, cinco, são apenas aquelas que conseguiram apurar. Mas as ações de assassinatos de lideranças de oposição permanecem e o número de mortos e desaparecidos é certamente muito maior.
O presidente da Costa Rica Oscar Árias admitiu o fracasso da tentativa de negociação e deixou claro que o governo golpista não aceitou nenhuma sugestão para recompor a vida normal de Honduras.
Organizações sindicais e movimentos sociais hondurenhos estão se preparando para conflitos na sexta-feira e temem que os 500 soldados dos EUA numa base localizada no país sejam usados pelos golpistas. Todo o apoio logístico ao golpe está saindo de militares norte-americanos em Honduras.
Manuel Zelaya foi claro hoje em sua entrevista ao declarar que o golpe só sobrevive pela indecisão do governo de Obama que não consegue enfrentar seus adversários internos e se omite, não tomando decisões que reflitam, na prática, suas palavras. Para Zelaya a secretária de Estado Hilary Clinton aposta num conflito e assim num pretexto para uma intervenção dos EUA.
Com isso Michelletti deixaria o poder, mas Zelaya não voltaria. E o principal objetivo norte-americano e dos golpistas estaria alcançado. O de impedir uma consulta popular e a adesão de Honduras ao movimento bolivariano criado pelo presidente Chávez.
Todo o discurso de Hilary é nessa linha, dá essa sensação e o próprio ex-presidente Bil Clinton, marido da secretária admitiu hoje em comentários feitos na presença de jornalistas que “só uma intervenção militar põe fim à crise”.
A sexta-feira, dia 24, está sendo vista como um dia decisivo se de fato Zelaya confirmar sua entrada em território hondurenho mais uma vez e dessa vez de forma definitiva. Há cobrança por parte dos movimentos sindicais e sociais por essa decisão.
Na fronteira com a Nicarágua existem tropas de Honduras e da própria Nicarágua. O governo de Ortega anunciou que as tropas de seu país têm o dever de defender o território nacional e não vão permitir ações hondurenhas além dos limites de Honduras.
É outra aposta da ultradireita norte-americana. Ampliar o conflito na América Central numa sucessão de golpes, até chegar aos governos de Chávez, Evo Morales e Rafael Correa, respectivamente, na Venezuela, Bolívia e Equador, na América do Sul.
O processo agora só se desdobra a partir da entrada de Zelaya em território de Honduras. Se o presidente deposto confirmar seu intento manifestado na entrevista desta quinta-feira.

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