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Poemas da palma da mão

Por Nestor Cozetti 1 Há poesia em tudo. Mas não há Em todos os momentos O momento De tirar poesia de tudo. 2 Hoje nas belas letras Já preferi as balas palavras. 3 Vem que te quero vem Bem que te quero bem. 4 O tempo Mora dentro do caracol. 5 Quantas mulheres perdidas Não […]

Por Nestor Cozetti

1
Há poesia em tudo.
Mas não há
Em todos os momentos
O momento
De tirar poesia de tudo.

2
Hoje nas belas letras
Já preferi as balas palavras.

3
Vem que te quero vem
Bem que te quero bem.

4
O tempo
Mora dentro do caracol.

5
Quantas mulheres perdidas
Não perdidas por mim
Mas perdidas de mim.

6
A sinceridade
É a metáfora
De uma faca desembainhada.

7
Quando
Ser triste
Puxou-me pelos cabelos
Arrastou-me
Para o fundo de seu significado
Tristíssimo.

8
Na pontuação humana
O homem continua a ser uma vírgula,
Que caminha para três pontos…
Ou mesmo dois:
Com a eterna perspectiva de um.

9
Meu coração que arrebenta o peito
De tão grande e sem jeito
Que acaba sendo o meu maior defeito.

10
Transparente
Ele deixa transparecer
O esplendor
Vermelho como o sol
Do amor em seu coração.

11
Nos
Seios
Solícitos dos livros
Alimentei-me
Do leite das palavras.

12
Olhar
É
Apenas
Uma forma
Mais rápida
De
Pensar.

13
O burguês
É triste
Como a comida
Que se come sem repartir.

14
Ainda creio
Que o poema feito vida
Vale mais
Que a vida feito poema.

15
Sei que existe
Um comunismo na poesia
(até penso que pratico)
E uma poesia do comunismo.

Nestor Cozetti é integrante da Rede Nacional de Jornalistas Populares

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