PM reprime protesto contra aumento de tarifa em São Paulo


Manifestantes foram agredidos com spray de pimenta, gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e balas de borracha em protesto contra o aumento de tarifa em São Paulo…


Cerca de 600 pessoas que protestavam contra o aumento da tarifa dos ônibus municipais de São Paulo, nesta quinta-feira (07), sofreram forte repressão da Polícia Militar (PM). Quatro manifestantes foram detidos e alguns manifestantes feridos tiveram de ser hospitalizados.
De acordo com Lucas Monteiro, militante do Movimento pelo Passe Livre (MPL-SP), durante o tumulto uma estudante menor de idade teve ferimento na cabeça, um jovem foi atropelado e uma manifestante levou três tiros de bala de borracha.
O ato, organizado pela Rede Contra o Aumento da Tarifa, que reúne estudantes e organizações sociais, é o primeiro desde o reajuste da passagem do ônibus, de R$ 2,30 para R$ 2,70, que passou a vigorar no dia 04 de janeiro.
Violência
A manifestação, que partiu por volta das 17:15hs do Teatro Municipal em direção ao Terminal Parque Dom Pedro, foi barrada pela PM na avenida Rangel Pestana por meio de um cordão de isolamento. A intenção dos manifestantes era entrar no terminal de ônibus.
Segundo Monteiro, o confronto com a PM começou quando os manifestantes tentaram entrar no terminal. “Conseguimos ir até a entrada [do terminal], uma parte [dos manifestantes] entrou. Aí a PM veio com cassetete, spray de pimenta, bala de borracha e bomba de efeito moral”, relata.
O militante do MPL conta que os manifestantes detidos pela PM foram levados para o 1º Distrito Policial, na Sé, e liberados por volta das 23hs. “No boletim de ocorrência que assinaram, duas jovens foram presas por desacato à autoridade e outros dois por resistência à prisão”, conta. Durante a ação da PM, um policial chegou a sacar sua arma de fogo.
Barrar o aumento
Rafael Pacchiega, militante do MPL e integrante da Rede contra o aumento da Tarifa, afirma que o objetivo da manifestação desta quinta-feira – primeira de uma série de ações que serão desenvolvidas até o início de fevereiro – era o de mobilizar a população contra o reajuste da tarifa. Com o conjunto das manifestações que serão realizadas, o militante alega que pretende-se fazer com que a pressão popular chegue até o Ministério Público e os vereadores. “A intenção é conseguir que o Ministério Público e os vereadores se posicionem perante a população sobre o aumento”, detalha.
Desta forma, Pacchiega acredita que possa haver uma “ação através do Ministério Público contra o aumento”.
Monteiro, no entanto, pondera que o resultado das ações “depende de qual vai ser a capacidade da rede de fazer pressão política contra o governo para barrar o aumento”. Segundo ele, “agora a perspectiva é bem melhor que em 2006” – em que as manifestações realizadas não conseguiram impedir o reajuste -, porque há o mês de janeiro para ampliar o debate e o início das aulas em fevereiro, quando espera-se que, através dos estudantes, haja um fortalecimento das mobilizações.
Política tarifária
Monteiro alerta que, “enquanto se manter a lógica do transporte coletivo pago mediante tarifa, os aumentos vão continuar acontecendo sempre”. Ele explica que o transporte coletivo é um direito básico da população e deveria ser tratado como um serviço público, gratuito. Nesse sentido, o militante do MPL defende que “nenhum aumento é aceitável”.
Durante a gestão de Gilberto Kassab (DEM), esta é a segunda vez que a tarifa dos ônibus municipais é reajustada. O primeiro aumento das passagens foi no final de 2006, quando de R$ 2,00 passou a R$ 2,30, reajuste de 15%.
Nas duas ocasiões em que a tarifa dos ônibus foi reajustada por Kassab, o índice superou a inflação do período: no primeiro reajuste, de 15%, a inflação segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de aproximadamente 7%, em relação a março de 2005 e novembro de 2006; no aumento deste ano, de 17, 39%, o IPCA foi de 15,36%, entre novembro de 2006 e dezembro de 2009.
(*) Reportagem publicada originalmente na Agência Brasil de Fato.

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