Pintada: a morte dos guerrilheiros

Dona Generosa, líder comunitária na região, e Roque Aparecido, um dos promotores do evento, na celebração em Pintada. Foto: Valdemi Santos - PT/Osasco.
Dona Generosa, líder comunitária na região, e Roque Aparecido, um dos promotores do evento, na celebração em Pintada. Foto: Valdemi Santos – PT/Osasco.
A distância que Lamarca e Zequinha caminharam, em meio a condições degradantes, até a morte debaixo de uma baraúna em Pintada, é impressionante. As versões do assassinato são muitas. As informações vêm da história oral, a riqueza da diversidade humana cria mitos. Mais uma homenagem aos guerrilheiros foi feita na praça principal de Pintada, onde existe uma estátua do capitão Carlos Lamarca. Também está lá sua clássica frase: “ousar lutar, ousar vencer”.
Autoridades do evento voltaram a falar ao público, dentre outros participantes.  Mas a pessoa em destaque na ocasião foi Dona Generosa, camponesa nativa que há anos desenvolve projetos na região por meio das Comunidades Eclesiais de Base. Ela garantiu que hoje é vereadora, pelo PT, graças à insistência dos habitantes. Muito querida por todos, seu nome fala por si.
Dona Generosa disse que não gosta de partidos, mas foi induzida ao PT e agora implementa suas lutas também através das vias governamentais. Em seu depoimento, lembrou do dia da morte dos guerrilheiros. Disse que os policiais pisavam na cabeça deles depois de mortos, e que o corpo de Zequinha foi cortado. Lamarca estava super magro. Os corpos foram expostos ao povo para causar medo.

Orações e história da população local no local onde Lamarca e Zequinha foram mortos. Foto: Valdemi Silva - PT/Osasco.

Orações e histórias da população local, no lugar onde Lamarca e Zequinha foram mortos. Foto: Valdemi Silva – PT/Osasco.

Depois dos discursos, todos caminharam para onde Lamarca e Zequinha morreram. No local, uma cruz fincada. Vanderlino Sodré Amorim, liderança em Pintada, também participou no ato. Contou que as pessoas, até pouco tempo, tinham medo de falar sobre essa história na região. “Hoje estamos aqui para ter o direito de falar e de ouvir”, afirmou. E pediu que as novas gerações assumissem essa luta, por uma pátria que Lamarca, Zequinha e Santa Bárbara sonharam.
A tia de Zequinha, Dona Ita, foi muito aplaudida ao homenagear o sobrinho: “meu filho está hoje no reino de Deus, ele queria o bem, queria a igualdade”, disse emocionada.
Elísio José de Amorim, um senhor de 71 anos, morador de Pintada, presenciou a morte dos guerrilheiros. Disse que a situação do vilarejo tem melhorado. A água chegou, houve a construção de algumas casas de alvenaria, antes eram de pau a pique. São muitas as dificuldades na região. A declaração de Elísio demonstra que na região a identificação do povo sertanejo com o presidente é grande: “Esse governo é muito bom, é o Lula, né?”, afirmou.
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