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Os chavistas e as sete avenidas de Caracas: um exagero

Esses chavistas são uns exagerados. Sete avenidas. Lotar sete avenidas da área mais central de Caracas, no encerramento da campanha eleitoral. Eu estava lá no dia 4 de outubro do ano passado, uma quinta-feira como agora, no dia 11 de abril. No domingo seguinte, 7 de outubro, seria a segunda reeleição de Hugo Chávez. Agora, no domingo, 14 de abril, deve acontecer a eleição de Nicolás Maduro, “filho de Chávez”, indicado por Chávez como seu candidato, no caso – acontecido – de sua “falta absoluta”, de sua morte. A novidade desta vez foi a participação no comício de Diego Maradona.

Reproduzido do blog Evidentemente
De Salvador (Bahia) – Esses chavistas são uns exagerados. Sete avenidas. Lotar sete avenidas da área mais central de Caracas, no encerramento da campanha eleitoral. Eu estava lá no dia 4 de outubro do ano passado, uma quinta-feira como agora, no dia 11 de abril. No domingo seguinte, 7 de outubro, seria a segunda reeleição de Hugo Chávez. Agora, no domingo, 14 de abril, deve acontecer a eleição de Nicolás Maduro, “filho de Chávez”, indicado por Chávez como seu candidato, no caso – acontecido – de sua “falta absoluta”, de sua morte.
Sete avenidas, um exagero. Primeiro, a Avenida Bolívar. Vou lembrar as outras: México, Universidade, Beralt, das Forças Armadas, tem mais duas, não estou seguro dos nomes: Lecuna e Urdaneta (vou checar no Google: bingo, acertei). Tudo ali pela região mais ou menos próxima do centro, mas são vias compridas. Imagino que tenha sido mais ou menos igual, imagino, e vi e li pela Internet. No 4 de outubro, tentei checar, mas é uma área muito grande, um “mar de gente”, como diz a imprensa chavista, ou uma “maré vermelha”, a grande maioria de camiseta vermelha. Achei que duas das sete avenidas não estavam tão cheias, mas, pra ser honesto, havia as transversais e praças na circunvizinhança onde circulava muita gente.
Realmente um exagero. Uma irmã minha que costuma ler meu blog comentou comigo: esse povo da Venezuela só anda nas ruas, já os brasileiros… pois é. Henrique Capriles Radonski, o candidato opositor, “da direita”, “da burguesia”, como dizem lá, contentou-se em encher uma só avenida, a Bolívar: o fez no domingo anterior ao 7 de outubro, 30 de setembro, e repetiu a dose agora, no último domingo, 7 de abril, marcando o encerramento de sua campanha eleitoral na capital. Como na eleição passada, Capriles fechou – também na quinta como Maduro, dia 11 – sua campanha (a campanha geral, vamos dizer assim pra diferenciar) no interior do país, desta vez em Barquisimeto, capital do estado de Lara, onde seus seguidores lotaram a Avenida Venezuela. (Lara é um dos três estados – dentre os 23 – governados pela oposição).
Um detalhe deste fecho de campanha é que se deu em 11 de abril, uma data notável na história recente do país: dia do golpe de Estado em 2002 que deixou Chávez fora do governo 48 horas. No dia 13 o povo nas ruas e militares fiéis a Chávez botaram ele de volta na cadeira presidencial. Lá virou um ditado popular: “todo 11 tem seu 13”, pra dizer “quem dá também recebe”, que dito correspondente seria no Brasil? Tem aquela coisa da ação e reação na Física, mas não estou sabendo… Nos dias 11 e 13 de abril de 2008 eu estava em Caracas, sexto aniversário do golpe e do contra-golpe, há um documentário excelente a respeito: “A revolução não será televisionada (ou não passará na TV)”.
Maradona: “É uma honra poder seguir o caminho traçado por Chávez”
A novidade desta vez foi a participação no comício de Diego Maradona. Chutou bolas de futebol pra imensa platéia com sua famosa canhota e lembrou quando participou, ao lado de Chávez, da célebre concentração popular em Mar del Plata (Argentina), em 2005, quando foi enterrado o sonho neo-colonialista do império estadunidense de implantar a Alca, Área de Livre Comércio das Américas. Famoso o grito do líder bolivariano: “Alca, alca, al carajo!” Outra do saudoso Chávez: “Mar del Plata é o túmulo da Alca”. Memorável vitória latino-americana, na qual se destacaram também o nosso Lula e o argentino Néstor Kirchner.
Maradona também participou da cerimônia que vem sendo feita diariamente no Quartel da Montanha 4F (é o 4 de fevereiro de 1992, data em que os venezuelanos comemoram a rebelião militar que tentou tomar o poder na força, sob o comando do então tenente-coronel Hugo Chávez). Aí está o corpo do ex-presidente. Todo dia, às 16:25 horas (horário em que se deu a morte em 5 de março), é disparado um tiro de canhão em louvor ao líder socialista.
Algumas das declarações do famoso craque argentino:
“Hugo Chávez mudou a forma de pensar dos latino-americanos, porque praticamente estávamos entregues aos EUA, por toda a vida, e ele nos meteu na cabeça que podíamos caminhar sozinhos. E por isso é tão querido e respeitado e para mim é uma perda enorme, para todos os que o conhecíamos e o queremos”.
“Continuamos na luta… Fisicamente ele não está, mas com Nicolás Maduro vamos seguir na mesma linha, de não deixar ninguém nos pisar. E acima de tudo as pessoas, nas urnas, este domingo, têm que reafirmar as posições de Chávez através de Nicolás, e dizer que isso continua. É uma honra poder seguir o caminho traçado por Chávez”.
Jadson Oliveira é jornalista baiano e vive viajando pelo Brasil, América Latina e Caribe. Atualmente está em Salvador depois de uma segunda temporada na Venezuela. Mantém o blog Evidentemente (www.blogdejadson.blogspot.com), onde a matéria está postada com fotos e um vídeo.

2 respostas em “Os chavistas e as sete avenidas de Caracas: um exagero”

Venceu por pouco e, embora talvez nunca seja possível confirmar, eu chutaria que o “cabresto” imposto por parte do ativismo armado do chavismo, principalmente presente nas regiões mais pobres, pode ter sido determinante para a eleição. Além do que é notória a disparidade de meios eleitorais, o espaço televisivo do opositor, além de reduzido, é altamente monitorado.
O lado bom é que, diferentemente de que muitos pensam, o chavismo é longe de ser uma unanimidade, tampouco é um movimento do povo, está provado ai. Se a eleição por lá fosse algo realmente honesto, digo, com ampla liberdade para debate e com paridade de meios, acho que o Maduro perderia.
O lado ruim (péssimo) fica para todos os venezuelanos, que vivem numa ditadura velada e vendo cada vez mais as instituições democráticas se transformarem em fragálios, a economia ir ladeira abaixo, a excessiva dependência estatal, o aumento gigantesco na criminalidade.
Os tolos vão dizer, mas tem eleição,não é ditadura! As novas ditaduras da américa latina não são impostas por tanques, e sim através de golpes “legais”.

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