Chefes de Estado da Rússia, Turquia e Irã durante reunião sobre a Síria. Foto: ADEM ALTAN/AFP/GETTY IMAGES

Oriente Médio: o sopro extremista do Ocidente

Chefes de Estado da Rússia, Turquia e Irã durante reunião sobre a Síria. Foto: ADEM ALTAN/AFP/GETTY IMAGES
Chefes de Estado da Rússia, Turquia e Irã durante reunião sobre a Síria. Foto: ADEM ALTAN/AFP/GETTY IMAGES

Enquanto o governo dos EUA continua promovendo atrocidades diplomáticas no Oriente Médio, países que nos acostumamos a ver como inimigos no noticiário internacional mostram que mesmos regimes extremamente problemáticos podem colaborar para o equilíbrio geopolítico de nosso conturbado mundo.

Veja por exemplo a reveladora aproximação estadunidense com o antes aliado, depois inimigo, e agora novo amigo no Afeganistão – o Talibã. Os EUA estão há algum tempo em contato com este grupo com o objetivo autodeclarado de derrotar… o extremismo (agora, os terroristas do ISIL).

Não é preciso ser um gênio das relações internacionais para entender o quão problemáticas são essas iniciativas unilaterais.

Nesta semana, os EUA correram para saudar o anúncio das Nações Unidas acerca de um novo acordo entre o governo e a oposição da Síria, expressando gratidão aos membros da comunidade internacional que tornaram esse acordo possível – exceto o Irã.

O anúncio da ONU trata da criação de um comitê constitucional liderado pelos sírios – todas as partes –, e facilitado pelas Nações Unidas em Genebra.

“Aprecio o envolvimento diplomático dos governos da Rússia, Turquia e Irã em apoiar a conclusão do acordo”, disse o secretário-geral António Guterres, “bem como o apoio dos membros do Conselho de Segurança”, além do apoio de um grupo composto por Egito, França, Alemanha, Jordânia, Arábia Saudita, Reino Unido e EUA.

Em um comunicado enviado à revista estadunidense Newsweek, o Departamento de Estado americano classificou o anúncio de “um passo encorajador para alcançar uma solução política para o conflito sírio”.

As autoridades americanas também “apreciam o trabalho do secretário-geral da ONU, do enviado especial da organização (Geir Pedersen), da Turquia, Rússia e dos membros [deste grupo] em alcançar esse resultado”.

O comunicado não menciona o papel central do Irã.

Pode ser apenas mais um comunicado de um governo recheado de fake news, claro. Mas, para o bom entendimento do tema, a simples recusa em aceitar fatos pode ser decisiva na tênue linha que separa ficção e realidade.

Há que se mencionar ainda que o Irã não tem um histórico de participação em conflitos – desde a guerra contra o Iraque, encerrada em 1988, não se envolveu em nenhuma investida militar. A recente participação na guerra da Síria, em apoio a Assad, foi a primeira em mais de 30 anos. Não é preciso mencionar em quantas guerras, desde então, os EUA tiveram papel primário ou secundário. O histórico de ataques a regimes de todo tipo pelo mundo é público e notório.

É importante lembrar que o combustível para a radicalização de grupos opositores dentro da Síria – independente da real validade da maioria das demandas – contou com financiamento ou participação dos EUA e de aliados regionais – Israel, Catar, Arábia Saudita e Turquia, principalmente.

A Rússia, igualmente, é a potência diplomática na região – a única que mantém uma relação amistosa com todos os principais países da região, incluindo Israel e Irã.

A União Europeia, que se afirma poderosa apoiadora da solução negociada, continuou a manter – com honrosas exceções – seu cemitério a céu aberto no Mediterrâneo e nos campos de refugiados, alguns similares a campos de concentração nazistas.

Todos os países possuem problemas graves de direitos humanos em suas agendas nacionais – não só nesta região –, mas apenas alguns os alimentam para além de suas fronteiras.

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