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O poder revolucionário da memória e da esperança

Desde esta revista temos insistido e continuaremos a insistir sobre algo que agora, no meio desta pandemia, no meio deste desmascaramento do capitalismo como um sistema anti-humano e atroz, tornou-se ainda mais evidente.

Não dá mais para continuar fazendo de conta. É preciso tomarmos nas nossas mãos o nosso destino, a humanidade no comando dela mesma. Sair da cegueira do domínio do deus dinheiro. Deixar a enganação de que o mercado e o estado podem e devem regular a vida das pessoas.

O Estado deveria ser a garantia da vigência dos direitos humanos, sociais e laborais. Não há tal coisa. O que há é o que estamos a ver. Gente morrendo sem vacina, sem comida no prato, desempregada. O sistema está numa crise que a natureza não mais suporta.

A pandemia veio como uma reação da Terra às tentativas de destruí-la. A Terra não vai ser destruída. A Terra não pode ser destruída. Somos terra que esqueceu que é terra. Um governo legal, ilegítimo, inconstitucional, genocida, incompetente, não é novidade. É uma repetência, infelizmente.

Não podemos nos culpar, como cidadania, como povo em movimento, pela desgraça que aí está. Foi a ânsia desmedida de lucro, de poder e de privilégios. A ignorância absurda e atroz da delinquência política institucionalizada, que rachou o país e a sociedade. Conseguiram dividir.

É hora de costurar. Reunir. Refazer o sentido da vida pessoal, familiar, comunitária, nacional, mundial. Somos desafiados e desafiadas a olhar em profundidade para nós mesmos e nós mesmas. Assumir a responsabilidade pelo regate integral da nossa trajetória de vida.

Recuperação total e minuciosa da nossa memória. Quem sou? Quem somos? De onde viemos? O que queremos? O que não podemos nem devemos aceitar? São desafios antigos, eternos. Uma olhada à história nos confirma.

A história pode ser lida na poesia, na literatura, na história das religiões, na sociologia, na arte. Importante saber que a vida e o mundo não começaram com a internet. Saber que a humanidade é uma construção longa e persistente.

Não são os delírios da incompetência e da ignorância que hoje se pavoneiam, quando no passado tinham ao menos algum pudor e se escondiam. A esterilidade, a incapacidade, a preguiça mental, o parasitismo, a acomodação, hoje se mostram como se fossem qualidades.

Isto é o avesso do avesso do avesso. Isto não é a realidade, mas, sim, a inversão total da realidade. A vida é trabalho, é amor, é construção, é superação, é mutirão. São coisas que esquecemos nesta era do clique todo-poderoso.

Nem eu nem você nem ninguém nasceu nem viveu nem chegou até aqui por um clique. Nem por um milhão de cliques. Foram anos e anos de árduos trabalhos. Persistência no meio a todo tipo de ameaças e ataques. Aqui estamos. Tempo é tudo que temos. Têm nos roubado o tempo.

Mas o tempo não pode ser roubado. Podem roubar nosso dinheiro. Mas não podem nos roubar a vida. Não vão nos matar por dentro nem por fora. Temos que reagir. Somos maioria. Não nos matarão.

Podemos confiar. Se chegamos até aqui, vamos conseguir seguir em frente. Basta lembrar de quem somos. O poder revolucionário da memória e da esperança. Uma não vive sem a outra. Ambas juntas são invencíveis.

 

 

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