Categorias
Opinião

“O corruptor que é o grande responsável pela existência da corrupção”

Mobilização popular nas ruas para pressionar o Congresso, essa é a expectativa do senador Pedro Simon (PMDB) com a campanha articulada pela Frente Suprapartidária contra a Corrupção, integrada por 10 parlamentares…

Mobilização popular nas ruas para pressionar o Congresso, essa é a expectativa do senador Pedro Simon (PMDB) com a campanha articulada pela Frente Suprapartidária contra a Corrupção, integrada por 10 parlamentares. De passagem pelo Rio de Janeiro para buscar apoio de entidades como Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Associação Brasileira de Imprensa (ABI), o senador falou ao Fazendo Media e dois jornalistas que é preciso acabar com a impunidade no Brasil. Ele acredita nas mídias sociais e o povo nas ruas para mudar esse cenário.
Há alguma nova contribuição aqui na ABI hoje para essa campanha?
Claro que sim. Todos os grandes movimentos populares pela democracia tiveram a presença da ABI, então nós fizemos questão de vir aqui. Ontem tivemos na OAB junto com a CNBB, e iniciamos essa caminhada que visa à ética, moralização, e terminar com a impunidade no Brasil. Nós estamos nos preparando para um movimento muito importante, que tem uma novidade: os movimentos sociais pela internet. Para amanhã (7 de setembro) está previsto em Brasília mais de 20 mil pessoas que se comunicaram via internet. Achamos que isso vai ser muito importante e com essas entidades teremos condições de fazer essa mobilização, que eu acho que dessa vez, assim como conseguimos com a Ficha Limpa que parecia impossível e foi votada, terminar com a impunidade no Brasil. O problema é exatamente esse, o Brasil não pode ser o país da impunidade onde só ladrão de galinha vai para a cadeia. Como em todos os lugares do mundo, corrupção existe, mas pode ser um grande político, um milionário, que pega cadeia. No Brasil um cara é processado, é condenado, e tem 6 recursos. Leva não sei quanto anos e ele é absolvido por decurso de prazo. Porque o prazo passou e ele não foi condenado em definitivo. Nós queremos que aconteça como no resto do mundo, ele é condenado a primeira vez e recorre e é condenado na segunda vez. Assim muda tudo, ele vai recorrer para ser absolvido, para ser julgado.
Esse é o momento ideal para tentar combater a corrupção no Brasil. Ao contrário dos governos anteriores, onde os fatos aconteciam e os governos não faziam nada, a presidenta Dilma [Rousseff] foi muito objetiva e clara. Demitiu o chefe da Casa Civil, o ministro do Transporte e está deixando claro que não vai aceitar corrupção no governo. Esse movimento visa a dar cobertura à presidente. Não é a favor, nem contra, mas achamos que temos que dar força. Está surgindo um movimento por parte de alguns parlamentares e partidos políticos (PT, PMDB) querendo boicotá-la. Dizem ou ela para com isso ou ela vai ter movimentos contrários, projetos contrários ao interesse do governo, alguns falando até em afastar a presidente. É necessário que o povo venha dar presença e diga para ela continuar porque esse é o momento.
Além de Brasília outras cidades estão se mobilizando?
Amanhã em Porta Alegre será o movimento popular que reunirá milhares de pessoas, em Cuiabá também, São Paulo, Uberlândia. Começa amanhã e não para mais. No Rio está previsto para o dia 20, a informação que eu tenho é de que será o mais organizado de todos e já são milhares de pessoas que estão se movimentando para ter uma grande movimentação na Cinelândia.
Já existe uma estratégia do que fazer para não ficar só numa marcha ou uma série de ações?
Fazer o que foi feito com relação à Ficha Limpa. Na medida em que nós vamos trabalhando elas vão apresentar propostas e nós vamos levar adiante no sentido de consolidar. Por exemplo, fim da impunidade: apresentar uma proposta para que no Brasil se faça o uso recurso, mas o político, o burguês que roubou, condenado uma vez vá para cadeia. Hoje no Brasil ele fica solto o tempo inteiro e acaba não indo para a cadeia. O que deixa o brasileiro revoltado é olhar para qualquer lugar do mundo e ver rico ou político na cadeia porque é ladrão e isso nunca acontecer no Brasil.
Essa coleta de assinatura será como o Ficha Limpa?
Vai ser apresentado um movimento que a sociedade vai apresentar milhões de assinaturas, como aconteceu na Ficha Limpa, e vai para o Congresso e nós vamos votar.
Mas você mesmo falou que no Congresso nada avança, não há mudanças.
A não ser com a pressão da sociedade. Uma coisa é deixar o Congresso parado, outra é o povo na rua se movimentando. A Ficha Limpa passou porque foi um milhão e quinhentos populares que entraram com um projeto de assinatura popular, e depois mais 4 milhões assinaram dando solidariedade. Quer dizer, nós agimos sob pressão, pressão em cima o congresso, o executivo age. Ficando parado não acontece nada.
Quando se fala em corrupção logo se associa aos políticos corruptos, mas e os corruptores do setor privado? E a impunidade dos grandes empresários?
Uma das teses que a gente defende é exatamente essa, de que tem que abranger corruptos e corruptores. Não há corrupto se não aparecer o corruptor. Muitas vezes a gente pune o corrupto e esquece de punir o corruptor. Todo escândalo que aparece quando há desaparecimento de dinheiro público, alguém, mesmo quando é um membro do governo, ofereceu dinheiro para ele. A gente pune o que recebeu o dinheiro, mas temos que olhar para o corruptor que é o grande responsável pela existência da corrupção.
Esse tipo de movimento acaba sensibilizando todo mundo e a gente da imprensa também, mas nós temos um histórico de que não acontece nada e depois acaba…
Por isso que eu digo que dessa vez nós queremos resultar em fatos concretos: uma série de leis importantes que serão aprovadas no Congresso. A primeira de todas é acabar com a impunidade, depois verba pública de campanha, terceiro é terminar com rodízio de partido e criar fidelidade partidária. Então nós vamos criar uma série de institutos que essa sociedade organizada vai lutar pelas aprovações até que façamos a transformação dessa vez. A sociedade tem que organizar, ir no Congresso e cobrar a votação e aprovação.

2 respostas em ““O corruptor que é o grande responsável pela existência da corrupção””

Esta matéria torna-se de grande importância a partir do momento que passa a abrir os olhos do cidadão quanto ao conceito de corruptor. É importante para o leitor que saiba que naquele momento em que ele “dá o cafézinho” para aquele funcionário com poder de polícia, coercitivo ou punitivo, aquele que obriga à multa, por exemplo, ele é um corruptor. Uma vez que o indivíduo torna-se corruptor, não mais por ignorância e sim conscientemente não há mais graça deste mesmo indivíduo jogar pedra no corrupto, sabendo ser o tal do corruptor!

Deixe uma resposta Cancelar resposta

Sair da versão mobile