Notas

A reunião desta segunda-feira no Instituto Millenium lembrou muito um certo grupo político, num país muito, muito distante, que queria ficar no poder por mil anos. Vai ver esta seja a explicação para o nome da entidade…

1) A reunião desta segunda-feira no Instituto Millenium lembrou muito um certo grupo político, num país muito, muito distante, que queria ficar no poder por mil anos. Vai ver esta seja a explicação para o nome da entidade.
2) A criação da Altercom é uma das melhores notícias dos últimos anos. Leia aqui a reportagem de Bia Barbosa. http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16411
3) Os índices de violência caíram em todo o país, menos no Rio. É que o governo Sérgio Cabral continua somando forças. Forças brutas.
4) Hoje o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse em audiência no Senado que o anteprojeto de lei sobre a Comissão da Verdade vai, sim, investigar os dois lados. É como se a luta armada que se deu na ditadura de 1964 tivesse sido equilibrada. É como se os dois lados tivessem forças equivalentes. Um Estado (Marinha, Exército e Aeronáutica + polícias) contra algumas centenas de pessoas. Essa ignorância vem sendo cultivada pela direita, diga-se de passagem, com muita inteligência. Isso impede o aprofundamento do debate e que as pessoas entendam o contexto do golpe e da ditadura que se seguiu. Impede que a gente entenda a participação dos EUA, a doutrinação ideológica que levou anos e anos, a constituição de sistemas de educação e comunicação que hoje são fundamentais para a manutenção da ordem social injusta. Infelizmente as esquerdas, no Brasil, ainda estão muito longe de entender a importância de disputar a produção e reprodução das subjetividades.

7 respostas em “Notas”

Servi a Arnaldo Jabor durante três anos, enquanto fui editor de política do Jornal da Globo, com Ana Paula Padrão. Ajudava a pautá-lo, quando não tinha assunto, fazia o meio de campo para que ele e o Franklin Martins não comentassem o mesmo assunto e ajudava-o a lidar com a informática, ferramenta que, para ele, era um problema sem solução. Sempre admirei o neto de libaneses, não apenas pelos filmes sensíveis que dirigiu, mas pela sagacidade e acidez crítica. Foi uma das poucas vozes que ousaram desafiar o consensual príncipe FHC, tanto no apogeu, quanto na derrocada. Dizia que se considerava amigo o bastante para dizer aquilo que só os amigos podem. Sempre foi um intelectual ligado ao PSDB e nunca escondeu isso de ninguém. Também nunca negou publicamente o vínculo afetivo com José Serra, com quem sempre teve laços de intimidade. Mas, como todo homem, Jabor também tem seus desvarios. Costumava dizer que estava arruinado, quando pediu uma vaga de “qualquer coisa” na Folha de S. Paulo, no fim dos anos oitenta. “Todo mundo pensa que cinema dá dinheiro. Pra mim só deu prestígio. Não comia ninguém e quase morri de fome”. Também costumava dizer que tinha sido de esquerda, como quem repele o rótulo, por achar que ser de esquerda é uma coisa assim, meio adolescente… Com a fama de diretor de cinema consagrado, prestígio de colunista de jornal, de escritor e, depois, de comentarista de TV, costumava dizer que queria ter minha juventude e disposição para se entregar exclusivamene aos prazeres da carne. Estava fascinado com as possibilidades que o dinheiro e a fama podiam lhe ofertar. Mas, infelizmente, nos banquetes e nas palestras para os quais passou a ser convidado não cabiam o povo. Aos poucos foi se esquecendo das necessidades da velha “massa de manobras”, ou do “exército de formiguinhas corruptas e amorais”, como passou a chamar os desafortunados, para comungar no paraíso das exceções, dos privilégios, dos brilhantes e dos abençoados. Não é por acaso que hoje se alinha aos seus, na defesa da tradição, da família da elite branca e da propriedade privada. Como renegá-los? Da última vez que o encontrei estava inquieto: imagina ele, um homem “simples”, acostumado a longas caminhadas no calçadão, com seu inseparável amigo da sétima arte, Cacá Diegues, ter que andar de carro blindado? É Jabor, é o preço que custa a sociedade em que você e a turma do Millenium acreditam.

Para caracterizar o mundo imaginário em que vivem estes senhores há mileniuns, mas por conveniência à sua liberdade monopolista de expressão, destaquei duas intervenções que revelam valores cultivados num samba do tucano doido:
1 – “Então o perigo maior que nos ronda é ficar abstratos enquanto os outros são objetivos e obstinados, furando nossa resistência. A classe, o grupo e as pessoas ligadas à imprensa têm que ter uma atitude ofensiva e não defensiva. Temos que combater os indícios, que estão todos aí. O mundo hoje é de muita liberdade de expressão, inclusive tecnológica, e isso provoca revolta nos velhos esquerdistas. Por isso tem que haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução. Senão isso se esvai. Nossa atitude tem que ser agressiva”, disse Jabor, convocando os presentes para a guerra ideológica.
2 – “Na hora em que a imprensa decidir e passar a defender os valores que são da democracia, da economia de mercado e do individualismo, e que não se vai dar trela para quem quer a solapar, começaremos a mudar uma certa cultura”, prevê Reinaldo Azevedo.

E quem mantém o Millenium? Segue a resposta:
“O Instituto Millenium é formado por jornalistas, intelectuais, acadêmicos, executivos e empresários que estão comprometidos com os valores acima referidos e com a nossa Carta de Princípios. É mantido por doações de pessoas físicas e jurídicas de direito privado e não aceita verbas públicas. Entre os nossos mantenedores, podemos citar os seguintes nomes: Alberto Carlos Almeida, João Roberto Marinho, Jorge Gerdau Johannpeter, Hélio Beltrão, Maristela Mafei, Pedro Henrique Mariani, Roberto Civita, Salim Mattar, Sérgio Foguel, Washington Olivetto e William Ling.”
Certos individuos que sustentam esse Instituto são “monopolizadores de mercado”… LOBISTAS…não acredito mesmo!!!

Só não vê quem não quer. Faço minhas as palavras de Emir Sader, apesar de discordar de muitas interpretações que faz sobre a esquerda brasileira:
“Viraram pobres diabos, que vagam pelos espaços que os Marinhos, os Civitas, os Frias, os Mesquitas lhes emprestam, para exibir seu passado de pecado, de devassidão moral, agora superado pela conduta de vigilantes escoteiros da direita. A redação de jornais, revistas, rádios e televisões está cheia de ex-trotskistas, de ex-comunistas, de ex-socialistas, de ex-esquerdistas arrependidos, usufruindo de espaços e salários, mostrando reiteradamente seu arrependimento, em um espetáculo moral deprimente”.
O monopólio é um fato concreto, e não moral simplesmente, que deve ser impedido para se garantir a democracia, o tal Estado democrático de direitos e a liberdade de expressão como um valor universalmente garantido à todas as formas de expressão e de interesses entre todas as classes sociais no Brasil de maneira justa.
Que são monopolistas, não é uma questão de crença, mas de constatação concreta e óbvia!
A minha crença é em que este monopólio terá fim, e seu fim está próximo. Todos à luta!

No caso do Sérgio Cabral, item 3 do Marcelo, já se pode fazer uma avaliação das intencionalidades por trás das UPPs: é só força bruta, controle militar mais eficiênte das periferias urbanas porque não há, até agora, nenhuma ação de ocupação militar do território, supostamente “inimigo”, acompanhada de ação sociaL do governo no sentido de oferecer políticas de saúde, cultura, educação, lazer e etc. respeitando-se o Estado democrático de direitos à população favelada.
Enfim, os tais brasileiros que seriam libertados por viverem ainda sob a “ditadura”, como tentava indicar uma série de reportagens no Globo, vivem hoje sob 3 diferentes ditaduras:
1 – A da barbárie mais “familiar” entre “guerras” de mercado por pontos de venda no varejo, disputado também pelas máfias policiais camufladas em facções criminosas;
2 – a da tentativa de controle paramilitar, “milícias”, que rápidamente se desmoralizou por terem contado exclusivamente com o apoio das máfias internas aos aparelhos de segurança, tendo um efeito contrário ao políticamente desejado, sendo deslegitimadas na opinião pública e revelado seu braço político com o PMDB, PSDB e DEM;
3 – as atuais UPPs, que partem de uma versão local do modelo de guerra preventiva a um suposto inimigo global de guerra (narcotráfico e terrorismo vinculados à supostas insurgências guerrilheiras) para se “levar a democracia”, que acabam sendo ocupações militares permanentes.
Sem planejamentos nem previsões para se retirar do território militarmente ocupado, e normalização social, cultural e política, todos são mantidos sob suspeita e sitiados em suas moradias.
Até agora portanto, não há confiabilidade e o que se vê é o uso do Estado democrático de direitos, e sua intrinseca legitimidade da violência, justificando novas formas de controle social e terrorismo de Estado sobre a população indefesa e posta permanentemente sob suspeita por campanhas midiáticas articuladas com a violência militarista. Uma verdadeira palestinização do Rio de Janeiro.

Agora, sobre o item 2 do Marcelo sobre a Altercom.
Boa a iniciativa e ótima noticia. Mas eu faria uma pequena observação ao que se anuncia:
Nessa altura do campeonato, soluções apenas nos limites social-democrata serão muito insuficientes. É preciso introduzir os princípios da solidariedade e da cooperação.
A multiplicação de proprietários é um argumento que ajuda a combater os monopólios, mas não ajuda a superar a mentalidade da concorrência, próprios ao regime capitalista de mercado essencialmente concentrador e excludente.
As formas cooperativadas deveriam ser estimuladas além da formação de redes solidárias entre blogs e outros empreendedores da comunicação.
Ir superando o individualismo da concorrência por princípios coletivos, cooperativos e solidários deve ser uma posição política fundamental na aliança com os oprimidos.

Agora, o item 4 sobre as posições do ministro Nelson Jobim, que muito se aproximam das posições do deputado Flávio Bolsonaro condecorando com a medalha Tiradentes – (ver aqui- http://www.alerj.rj.gov.br/Busca/OpenPage.asp?CodigoURL=24890&Fonte=Dados -) o tenente-coronel Lício Maciel, interrogado sobre as ossadas dos guerrilheiros no Araguaia, intimado no dia 03 de março na 29° Vara Tribunal de Justiça Federal do Rio de Janeiro:
Isso é o que podemos chamar de “comissão” paralela da mentira.
Será que já estariam se acertando com o ministro da Defesa Nelson Jobim , afim de dar um “tratamento igualitário” à guerra que foi infinitamente desigual e covarde?

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