Noite de solidariedade ao MST

Parlamentares, intelectuais, ativistas e estudantes lotaram o auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) na quarta-feira (9/12), para condenar a perseguição ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST)…

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“Somos todos sem-terra, e todos os sem terra somos nós. Ali, nas estradas, marchando, desatando nós. Se sem terra nada somos, e sem os sem-terra? Que será de nós”. Assim o sociólogo Mauro Iasi abriu a noite em que cerca de 400 pessoas prestaram solidariedade ao MST. Parlamentares, intelectuais, ativistas e estudantes lotaram o auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) na quarta-feira (9/12), para condenar a perseguição ao movimento.
As falas das muitas autoridades presentes eram uníssonas. A criminalização ao MST representa a condenação das lutas sociais, e a inviabilização da atuação de todos os movimentos. “Não constitui um fenômeno qualitativamente distinto da criminalização da pobreza, e suas estratégias de sobrevivência no capitalismo transnacional do trabalho”, afirmou o jurista Nilo Batista. A todo momento, alguém lembrava a importância da solidariedade ao MST. A força dos setores progressistas da sociedade depende do combate à perseguição ao movimento.
Com a conivência dos três poderes, conduzida pela mídia comercial, a construção da imagem negativa do MST está entranhada na sociedade brasileira. A associação entre seus militantes e criminosos se tornou frequente. “O discurso assumiu contornos incomuns mesmo para essa direita”, afirmou o professor da UFRJ Roberto Leher. A estratégia política seria aproveitar o episódio da Cutrale – em que sem-terras derrubaram 16 pés de laranja numa fazenda grilada pela empresa – para estigmatizar o movimento e instalar Uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) contra o MST.
Também se ressaltou a necessidade de unidade na atuação, e a preocupação com as lutas futuras. “Temos o compromisso de fazer com que nossos filhos sejam todos sem-terrinhas. A luta não está só em nosso tempo”, advertiu o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). Além dele, também estiveram presentes os parlamentares Alessandro Molon (PT), Paulo Ramos (PDT) e Inês Pandeló (PT), entre outros.
Carlos Walter evocou o economista chileno Rafael Agacino para defender a tese de que a criminalização das lutas sociais estrutura-se na condenação do coletivismo. “O maior êxito das políticas neoliberais não foi a flexibilização da moral, ou a abolição das barreiras alfandegárias. Foi a desconstrução da idéia de sujeito coletivo”, disse. O intelectual considera que a pressão sobre o MST mira na tentativa de construir sujeitos coletivos.
A dirigente do MST, Marina dos Santos, resumiu o espírito dentro do movimento. “Nós não vamos ceder um milímetro na luta contra o Capital no campo. Não vamos ceder um milímetro em todas as lutas para que o povo brasileiro construa uma sociedade mais justa”. Foi aplaudida de pé.
Antes do evento, houve a exibição de um vídeo de apoio ao movimento, filmado no Uruguai. Personalidades como o escritor Eduardo Galeano, e o recém-eleito presidente José Mujica, da Frente Ampla, manifestaram solidariedade. Entre as falas, apresentações artísticas animaram o enfeitado salão. Os músicos Lucio Sanfilippo e Tiago Prata demonstraram sintonia com o tema. Apresentaram belas versões de “Funeral de um lavrador” e “Assentamento”, de Chico Buarque. MC Leonardo, o coletivo de Hip Hop Lutarmada e os MC´s Delírio Black e Mano Zeu também se apresentaram.
A mesa do ato reuniu alguns dos intelectuais e militantes mais conhecidos na luta pelos direitos humanos. Além dos já citados, o geógrafo Carlos Walter Porto Gonçalves, o jurista Nilo Batista, o professor Roberto Leher e a coordenadora do MST Marina dos Santos, também tiveram assento a professora Virgínia Fontes, o magistrado Geraldo Prado, os militantes da Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência Márcia Jacintho e Deley de Acari, o jornalista Mario Augusto Jakobskind e a professora Anita Prestes.
O ato foi organizado por movimentos sociais parceiros, junto a centrais sindicais e mandatos parlamentares. Há alguns meses, simpatizantes de todo o mundo já haviam elaborado, em solidariedade, um “Manifesto contra a violência do agronegócio e a criminalização das lutas sociais”. Assinaram o documento Chico Buarque, Boaventura de Souza Santos, Antonio Candido, Luiz Fernando Veríssimo, Sebastião Salgado, Noam Chomsky, István Mészáros e Eduardo Galeano, entre outros.

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