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“Não temos fome de pão, temos fome de justiça”, diz quilombola em greve de fome no MA

fotoAté o início da tarde desta quinta-feira, 18, os quilombolas, indígenas e camponeses acampados na Superintendência do Incra em São Luís (MA) não tinham recebido nenhum retorno dos governos federal e estadual ante às reivindicações que levaram as comunidades a realizarem a ocupação. O Incra, por sinal, tinha prometido para às 9 horas desta quinta-feira, 18, uma proposta, mas ainda não cumpriu o prazo.

Com isso, os oito indígenas e quilombolas entraram no 9º dia de greve de fome. Por orientações médicas, passaram a receber doses diárias de soro. “Não temos fome de pão, temos fome de justiça e do direito de existir”, diz Naildo Braga em nota pública divulgada no início da tarde desta quinta. Leia:

Nota Pública do Acampamento Bem Viver

Após 10 dias de ocupação e nove dias de greve de fome, a Superintendência do Incra no Maranhão continua com o descaso e desrespeito aos quilombolas, indígenas e camponeses.

Durante toda esta quarta-feira, 17, após exaustivas tentativas de negociações do movimento, o Incra discutiu com os quilombolas, indígenas e camponeses a pauta reivindicada se comprometendo a firmar o compromisso de nesta quinta-feira, dia 18, às 9 horas, na sede do órgão ocupada. Porém, às 13 horas não houve qualquer pronunciamento do superintendente do Incra-MA, Jowberth Frank Alves da Silva, tampouco explicações ou justificativas sobre a ausência.

Enquanto o Incra, impelido por questões burocráticas e políticas, adia a tomada de decisões, cinco mulheres e três homens de várias comunidades quilombolas e indígenas continuam em greve de fome. Em suas comunidades, as ameaças e ações violentas continuam sendo praticadas. Há dois dias um camponês do território Alegria, município de Timbiras, sofreu tentativa de homicídio.

Alimentadas pelo toque dos tambores e maracás e pela força dos Encantados, as comunidades estão determinadas a continuar a luta até alcançar a titulação de seus territórios, o fim das ameaças dos fazendeiros e a concretização de seus direitos.

“Não temos fome de pão, temos fome de justiça e do direito de existir”.

Naildo Braga, da comunidade de Pau Pombo – Santa Helena, em greve de fome.

Fonte: CIMI
http://cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&conteudo_id=8172&action=read

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