Não podemos atropelar a democracia

O grito por Diretas Já, entoado por movimentos de esquerda, vem ganhando força dia após dia. Por mais que o pedido corresponda aos anseios da sociedade por uma solução rápida e pacificadora, ele é fruto de uma imaturidade política, construída pelos opositores do governo Dilma.

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O grito por Diretas Já, entoado por movimentos de esquerda, vem ganhando força dia após dia. Por mais que o pedido corresponda aos anseios da sociedade por uma solução rápida e pacificadora, ele é fruto de uma imaturidade política, construída pelos opositores do governo Dilma.
Logo após a posse da presidenta, em 2015, quando surgiram os primeiros rumores do golpe, alguns grupos apresentavam a ideia de novas eleições como sugestão apaziguadora. A proposta fortalecia indiretamente o coro da direita brasileira, que além de não aceitar o resultado das eleições, creditava ao governo petista todas as mazelas da nossa sociedade.
As denúncias de corrupção mostraram que a criminalização dirigida exclusivamente ao PT, não correspondem à verdade: todos os opositores de Dilma, atualmente compactuados com o governo usurpador, sofrem inúmeras denúncias de corrupção. Já Dilma não é acusada de nada. Portanto, além de aniquilar a democracia, anulando o voto de 54 milhões de brasileiros, a corrupção continuaria sendo, injustamente, creditada a um único partido.
Abraçando esse discurso, inevitavelmente, estamos aceitando o golpe de Estado, avalizando injustiças e deixando para trás suas vítimas.
Tanto o impeachment, já consolidado, quanto o pedido por diretas já, abrem precedentes para turbulências futuras: basta alguma camada poderosa da sociedade sentir-se insatisfeita, para que novos processos aconteçam. Compactuar com isso é ser conivente com o mimo dos perdedores.
Além disso, por mais que tenhamos novas eleições e encontremos algum candidato que acalme a sociedade, demonstraremos uma enorme fraqueza institucional. Isso colocaria ainda mais o país no lume da descrença, ampliando sua crise econômica.
Em relação ao PT, defender esse pedido, seria mais uma medida desleal do partido. Após abandonarem o ex-ministro José Dirceu, acusado, condenado e massacrado por processos frágeis, aceitar novas eleições é como que assentir ao golpe que derrubou Dilma.
É preciso massificar a ideia de que não gostar de determinado governo não dá poderes a ninguém para depor seu líder. O mesmo se diz do linchamento midiático e judicial que se faz de parlamentares de esquerda, sem que haja provas concretas de crime. Ou seja, se não houve crime por parte de Dilma, é inaceitável aceitar o impeachment. Já seus erros, devem ser debatidos e questionados.
E isso é uma lição que todos os opositores do antigo governo, que endossaram as falhas de Dilma e optaram por fomentar a crise, devem aprender. São grupos políticos que passam longe de querer o bem do país, pensam exclusivamente em seus projetos e buscam atalhos para chegar ao poder.
A balbúrdia criada por esses grupos decepou a constituição, nos afundando ainda mais na crise e poderá colocar o país em uma situação extremamente perigosa: a violência policial aumentará na mesma proporção que a insatisfação popular.
Deve-se destacar também que os problemas estruturais do país em nada têm a ver com o governo Dilma. A parcialidade e corrupção das instituições são pontos cruciais que atrasam o nosso avanço. E nesses aspectos, Dilma foi uma implacável combatente.
Portanto, tanto o Impeachment quanto as Diretas Já só atropelam e escondem, momentaneamente, os verdadeiros estorvos do país.
Para a sociedade amadurecer, temos que lutar com clareza, por pautas objetivas e, acima de tudo, defender a justiça e a democracia, mesmo que o governo eleito não agrade à maioria. Que comecemos por defender, até a última instância, o restabelecimento da democracia.
Foto(*): latuffcartoons.wordpress.com

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