Ministros da educação do Mercosul se reúnem no Rio para avançar na integração regional

Ministros do Mercosul se reúnem no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, para discutir integração regional na educação do bloco. Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.

Ministros da Educação de países do Mercosul deram nesta manhã (26), no Rio de Janeiro, mais um passo em direção às políticas de intercâmbio regional para o quinquênio de 2011 a 2015. Na 39 ª Reunião de Ministros da Educação do Mercosul, que ocorreu no Palácio do Catete, foi realizada uma avaliação das atividades do último semestre, um balanço dos últimos cinco anos, e apresentadas propostas para se avançar no próximo quinquênio. O tema do encontro era a construção de um plano comum de desenvolvimento educacional para o bloco.
Os ministros presentes elogiaram o governo Lula, e manifestaram uma expectativa de continuidade de seu programa político no governo de Dilma Roussef. Eles destacaram que a região tem fortalecido uma perspectiva de caminhar por suas próprias pernas. A boa relação entre os presidentes da região também foi ressaltada, mas alguns representantes ponderaram que é necessário desenvolver sistemas mais equitativos entre os países.
O ministro da Educação brasileiro, Fernando Haddad, afirmou que o Mercosul tem que evoluir no ponto de vista da cooperação educacional. Ele destacou o trabalho de intercâmbio docente que está sendo realizado para integrar a cultura na região, levando professores que estão se formando em espanhol para países do Mercosul e trazendo docentes para o Brasil nos cursos de licenciatura ou letras.
“O Brasil vai custear o projeto piloto de 350 bolsas para que isso se desenvolva com mais força num futuro próximo. Eu entendo que esse intercâmbio vai fortalecer tanto os laços culturais que unem os países do mercosul, como vai melhorar muito a capacidade de ensino desses professores. Assim como vai disseminar a língua portuguesa pelo continente”, afirmou Haddad.
Além do intercâmbio dos docentes,outros pontos foram analisados. No balanço dos últimos anos foram apontados avanços na expansão de bibliotecas e das atividades com direitos humanos e educação ambiental. A interação com outros blocos e organismos internacionais, como a OEA e a Unesco, além de um diálogo constante com a sociedade civil, por meio de 4 fóruns sociais, também foram discutidos. A criação de um Fundo de Educação do Mercosul foi consenso entre os ministros, com previsão de implantação em 2011 para diminuir as assimetrias entre os integrantes do bloco.
Representantes de centrais sindicais e uma liderança da juventude também participaram da reunião. Em 2010 foi criado em Montevidéu, no Uruguai, um Parlamento Juvenil do Mercosul com alunos do ensino médio, mobilizando milhares de jovens nesses países.  A ideia é ensinar aos jovens o que é um parlamento e estimular o conhecimento político, através da participação de 18 estudantes representando cada país.  
Artur Jesus, representando o Brasil nesse parlamento, anunciou as reivindicações dos estudantes: melhoria nas equipes pedagógicas e infraestrutura, transporte e alimentação gratuitos, orientação vocacional e sexual, criação de carreiras técnicas adequadas para região, história da América Latina na grade curricular, apoio às gestantes, participação das organizações estudantis nas decisões na área educacional, dentre outras.
A Unversidade Federal de Integração Latinoamericana (Unila), sediada em Foz do Iguaçu, na fronteira trinacional entre Brasil, Argentina e Paraguai, também foi observada. De acordo com o ministro da Educação, o projeto ainda está muito jovem. Ele explicou que os professores estão começando a ser contratados, e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes)soltou um edital para a contratação de professores seniores, a fim de ajudar na composição político pedagógica da instituição. A expectativa é de que em 2011 a Unila entre em operação com seus cursos, e esses pesquisadores ajudem muito na conformação do que será esta universidade no futuro.  Há também um estudo do Instituto Nacional de Estudos  e Pesquisas Educacionais (Inep) para se aplicar um teste assemelhado ao Enem, em espanhol, com o objetivo de viabilizar o ingresso daqueles que não são brasileiros na instituição.
Fernando Haddad ainda disse que é preciso estabelecer prioridades para se ter clareza do que é possível e desejável ser executado nos próximos cinco anos, pois a pauta de educação já é muito ampla somente no âmbito nacional. Ele reforçou que o Brasil tem uma rede de universidade, com 160 espalhadas pelo país, suficiente para estabelecer o intercâmbio de professores.
“É a expansão da cidadania pelo mérito acadêmico, derrubando fronteiras pela educação. Os professores devem gozar dessas possibilidades. A centralidade no educador tem que ser retomada com muita energia”, concluiu.

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